Onagra (Oenothera biennis L.) – Uma grande descoberta da fitoterapia

Esta curiosa planta, cujas flores se abrem à noite, foi introduzida na Europa nos princípios do século XVII, e era utilizada como planta ornamental. Cedo se descobriu que a sua raiz tinha um sabor agradável, e que a planta servia para mais alguma coisa do que simplesmente enfeitar. Na Europa Central, a sua raiz serviu aos camponeses para mitigar a fome provocada pelas guerras nos séculos XVIII e XIX.

Apesar de tudo, ainda não há muito tempo, esta planta era pouco apreciada.  Ainda é conhecida, com algum desprezo, corno erva-dos-burros, porque estes humildes animais a comem com agrado.

No entanto, as investigações científicas efectuadas nos princípios dos anos oitenta revelaram que o óleo de onagra tem propriedades medicinais interessantíssimas. Especialmente na Alemanha e nos Estados Unidos, fizeram-se diversos ensaios clínicos em doentes que sofriam de transtornos circulatórios, nervosos, genitais e reumáticos, obtendo-se excelentes resultados.

Continuam a investigar-se as aplicações desta planta, que goza de um prestígio e uma popularidade cada vez maiores no mundo da fitoterapia.


Propriedades e Indicações:

O óleo extraído das sementes da onagra é muito rico em ácidos gordos essenciais polinsaturados, entre os quais se destacam o ácido linoleico (71,5%) e o Iinolénico (7%-10%), cuja denominação química mais exacta é, respectivamente, cislinoleico e gama-linolénico. Este último desempenha um papel muito importante no organismo, como precursor químico das prostaglandinas, substâncias recentemente descobertas, que cumprem numerosas funções metabólicas. Saliente-se que a onagra é o único vegetal conhecido que contém proporções notáveis do ácido linolénico, o qual também se encontra presente no leite materno, e se torna imprescindível para o organismo (é um ácido gordo essencial).

O ácido linolénico e o seu derivado imediato, a prostaglandina E1, são indispensáveis para a estabilidade das membranas das células de todo o organismo, para o desenvolvimento do sistema nervoso, para o equilíbrio do sistema hormonal e para a regulação dos processos da coagulação sanguínea, entre outras funções. Em virtude disto, é longa a lista das doenças em que se tem aplicado com êxito o Óleo de Onagra:

Aumento de colesterol no sangue e, em geral, todas as hiperlipemias (aumento do conteúdo gordo do sangue).

Transtornos circulatórios: hipertensão arterial e tendência para trombose por aumento da agregação plaquetária. Pode actuar como preventivo dos acidentes vasculares cerebrais (trombose e hemorragia cerebral) e do infarto de miocárdio, pois dilata as artérias e impede a agregação plaquetária e a formação de coágulos.

Transtornos genitais: dismenorreia, ciclos irregulares, síndroma pré-menstrual, esterilidade por insuficiência ovárica.

Afecções do sistema nervoso: doença de Parkinson, esclerose placas, e, em geral, todas as afecções cau sadas por degenerescência neuronal.

Transtornos do comportamento:  crianças irritáveis, nervosismo, neurastenia, esquizofrenia.

Transtornos da resposta imunitária:  alergia, asma, eczema, dermatite atópica.

Reumatismo: artrite reumatóide e processos reumáticos em geral.

Problemas dermatológicos: excesso de secreção sebácea (acne), rugas ou secura da pele, assim como fragilidade das unhas e do cabelo. Sabemos que, desde há mais de cinco séculos os índios algonquinos da América do Norte, com a finalidade de combater as erupções, esfregaram a pele com sementes de onagra esmagadas.


Preparação e Emprego

Uso interno

1-Cápsulas ou comprimidos: A melhor maneira de aproveitar as propriedades da onagra é ingerir o óleo das suas sementes, obtido por pressão a frio, em forma de cápsulas, comprimidos ou outros preparados semelhantes. Este é talvez o óleo mais caro que se conhece mas, felizmente, a dose terapêutica é de 2-4 g por dia.


Outros nomes: erva-dos-burros, canárias, zécora. Brasil: minuana. Esp.: onagra, hierba del asno, enotera, prímula. Fr.: onagre [bisanuelle], raiponce rouge, herbe à l’âne. Ing.: [common] evening primrose, fever plant.

Habitat: Originária da América do Norte, naturalizada na Europa. Cresce nas bermas dos caminhos e vias férreas, e nas terras arenosas e húmidas.

Descrição: Planta bienal da família das Enoteráceas, que no segundo ano atinge uma altura de um metro. Tem caule erecto, do qual saem grandes folhas pubescentes. As flores são amarelas, com quatro pétalas, e têm um aroma agradável.

Partes utilizadas: as sementes.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

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