Erva-santa – Salvia sclarea L.

O nome “salva” deriva da palavra latina salvare, que significa salvar, curar. A ela se referem as sentenças: “Salva-te tomando salva”, e “Se o homem for capaz de viver num lugar onde nasce a salva, não perecerá.”. É conhecida também por erva-santa devido às suas numerosas virtudes, uma delas o poder da longevidade. Esta planta alcançou tão grande fama que na China, no séc. XVII, trocavam uma caixa de chá por uma folha de salva.

A salva espontânea encontra-se nas montanhas, nas clareiras das encostas ricas em matéria orgânica. Cresce muito lentamente, tornando-se alta e vigorosa com cerca de 5 anos de existência.

As suas folhas apresentam na página superior uma cor verde mais viva em relação à página inferior, que tem um tom mais claro. Ambas as faces são aveludadas, o que facilita a deposição de poeiras e de outros resíduos, pelo que se deve ter um cuidado na sua seleção. Tem um suave aroma e o sabor é um pouco amargo.

Floresce no princípio da Primavera. As flores apresentam as tonalidades branca e rosa, mais ou menos acentuadas conforme as condições ecológicas do seu habitat.

Colheita: Na antiguidades Oriental, a colheita da salva obedecia a um ritual próprio que as sacerdotisas e as curandeiras com elevado estatuto exerciam com austeridade. No dia indicado para a colheita vestiam uma túnica branca de linho, faziam jejum e antes do nascer do Sol iam colher as folhas verdes de salva ao som de belas canções à Mãe Natura. De facto, a salva tem uma tão grande sensibilidade que é necessário trata-la com uma atenção cuidada, caso contrário sofre alterações na cor e na vitalidade. Um pequeno toque brusco fá-la alterar a cor verde para um tom escuro, sinal de oxidação.

As folhas, ao atingirem o seu total desenvolvimento, começam a inclinar-se acabando por perder o vigor e passam a ostentar uma cor amarelada. Devem colher-se logo que dão o primeiro sinal de inclinação. Nesta fase desprendem-se com facilidade da planta-mãe, bastando um suave toque com as nossas mãos.

Os caules secos colhem-se no final de Outono e devem partir-se também com as mãos porque o contacto com qualquer utensílio de metal é prejudicial a esta nobre planta.

Conservação: As folhas de salva após a colheita perdem rapidamente a vitalidade e a cor. Para manter o vigor, introduzem-se num frasco de vidro opaco com água fresca e pura durante 10 a 20 minutos, o que facilita a conservação e tem a vantagem que eventuais impurezas depositadas nas folhas passem para o líquido envolvente. Não se deve deixar ultrapassar os vistos 20 minutos, visto que as substâncias essenciais começam a dissolver-se em contacto com a água.

Os caules velhos e os ramos podem secar-se, mas por separado, visto terem texturas diferentes. Quando secos, os caules duram muitos anos, enquanto as folhas se conservam apenas alguns meses.

Forma de utilização:

  • Folhas verdes e viçosas em emulsão e maceração.
  • Ramos secos em infusão para uso externo.
  • Caules secos em fumigações, defumações e artesanato.

Indicações: A emulsão proporciona uma melhor eficácia, destacando-se os seguintes efeitos: purificante, vitamínico, tónico, galactagogo, antipodágrico, adstringente, antiobésico, digestivo e febrífugo. Toma-se preferencialmente em jejum e no intervalo das refeições. A maceração proporciona em especial os efeitos depurativo, emoliente e adstringente. O produto obtido do macerado toma-se em pequenas doses no intervalo das refeições e utiliza-se para condimentar diversos alimentos. Tem a capacidade de dissolver as gorduras saturadas e outros resíduos. É muito eficaz no caso de obstipação prolongada, ajuda a diminuir inflamações e melhora a tonicidade aumentando assim as defesas do organismo. Administrando diariamente, ao fim de 5 dias proporciona uma considerável melhoria no aparelho digestivo.

Para perder peso, toma-se de 1 a 1,5 litros de tisanas diariamente.

As tisanas de salva são também muito eficazes no tratamento externo. A emulsão aplicada diretamente aumenta a tonicidade da epiderme e ajuda a curar a acne e outras moléstias, enquanto vai impregnando o seu peculiar aroma. Os pachos quentes aliviam dores lombares e espasmos nervosos.

Para se obter melhores resultados e mais duradouros faz-se um tratamento interno e externo à base de tisanas de salva durante 5 dias consecutivos. Reduzindo-se para 3 vezes por semana, de 1 a 3 meses no mínimo.

A salva é uma das plantas que se pode utilizar diariamente. É de fácil aquisição, pois, no estado espontâneo, encontra-se verde e viçosa durante todo o ano. É um remédio natural muito bom para a saúde, prevenção de doenças e cura diversos males proporcionando uma maior longevidade.

Fonte: Guia Ecológico das Plantas Aromáticas e Medicinais de Zélia Sakai

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