Erva-das-azeitonas – Calamintha officinalis Moench.

Esta planta pertence à numerosa família das Labiadas. Em algumas regiões é conhecida por erva-das-azeitonas porque a usam para as curtir, devido aos seus agradáveis aroma e sabor.

Existe uma outra espécie conhecida por nêveda-dos-gatos. Recebeu este nome visto que os gatos gostam de se deitar sobre ela. Dormem consolados pelo efeito alucinógeno do seu aroma, activado por fricção. No início do reflorescimento são muito semelhantes, mas na época de floração, que em geral vai do final de Agosto a Outubro, é fácil distingui-las. A primeira apresenta umas pequenas flores em forma de cálice com tonalidades brancas e rosadas espalhadas pelos ramos, enquanto que a segunda desenvolve as inflorescências na parte superior dos ramos principais e apresentam um tom lilás. Aliás, as tonalidades de umas e outras variam bastante conforme as condições ecológicas do seu ambiente.

Há quem as confunda com os óregãos, apesar das notáveis diferenças. São, de facto, plantas companheiras, encontram-se com frequência junto umas das outras nas terras virgens. A mistura dos seus aromas dá uma boa simbiose. A nêveda exala um cheiro com ação sedativa. Os orégãos libertam uma fragrância inebriante que estimula o corpo e a mente, afastando a angústia e a apatia, tornando-nos mais criativos. Por o saberem é que as pessoas no Alentejo recorriam à nêveda e aos óregãos para aliviar as dores. Mastigavam as folhas verdes da nêveda e as inflorescências dos orégãos e a dor de dentes, por exemplo, desaparecia como por encanto. Os efeitos sedativos e analgésicos não os impediam de continuar com as rudes tarefas de então, graças aos óregãos. Estes e outros exemplos comprovam a sabedoria popular.

Colheita: Colhem-se as folhas verdes antes do nascer do Sol e na época anterior e posterior à floração, visto que nesta fase de vida da planta os compostos tóxicos mais ativos. Podem colher-se alguns ramos floridos para adorno. No final do Outono, devem cortar-se os ramos secos para vivificar a planta. Os novos rebentes surgem logo a seguir às primeiras chuvas outonais.

Conservação: Após a colheita guardam-se as folhas num lugar fresco. Estas mantêm a vitalidade e a cor apenas 1 ou 2 horas. Ao perderem o vigor e o tom verde têm de ser inutilizadas para evitar  eventuais intoxicações. Os ramos floridos, colocados num recipiente com água, conservam-se viçosos cerca de 5 a 7 dias e depois de secos continuam a oferecer um agradável aroma.

Forma de utilização:

  • Folhas verdes em emulsão.
  • Ramos floridos para purificar o ambiente.
  • A emulsão deve preparar-se com mais duas espécies compatíveis. Marroio-branco e tanchagens são as mais indicadas. A nêveda é um excelente corretivo do sabor amargo, devido aos seus bom aroma e sabor. O gosto é um pouco mentolado e tem um suave sabor picante. Os ramos frescos misturados com alecrim e flores de macela formam um conjunto harmonioso. Os seus aromas, bastante voláteis, purificam o ambiente, libertando-o de maus cheiros. Quando secos devem queimar-se porque são acumuladores de pó.

Indicações: A emulsão proporciona os seguintes efeitos: depurativo, estimulante, antiespasmódico, sedativo, expectorante e revulsivo. Toma-se preferencialmente depois das 17 horas solares. É muito eficaz contra bronquites, espasmos nervosos, aliviando a irritabilidade do cólon, e com a continuidade evita este mal que parece estar a atacar a maioria das pessoas. Emprega-se também no tratamento externo.

A emulsão aplicada diretamente alivia dores e espasmos nervosos e o seu agradável aroma perdura durante oras, produzindo um estímulo benéfico de ação analgésica. Os cones aromatizados com folhas frescas de nêveda são muito eficazes contra nevralgias, torcicolos e ajudam também a desobstruir as vias respiratórias.

Fonte: Guia Ecológico das Plantas Aromáticas e Medicinais de Zélia Sakai

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