mentas

O género Mentha pertence à família das Labiadas e é um dos mais complexos, não só pela sua diversidade, mas também pelas propriedades que lhe são atribuídas.

Diz-se que Plínio, o Antigo, considerou as mentas afrodisíacas, enquanto Hipócrates e Galeno as apreciavam devido aos deus efeitos sedativo e antiespasmódico. Parece que todas as mentas possuem propriedades muito semelhantes. O seu principio mais ativo, o mentol, é um estimulante que atua muito rapidamente na região do hipotálamo, podendo causar desequilíbrios no sistema nervoso a partir de certas doses.

Há ainda que considerar que algumas variedades de mentas possuem compostos tóxicos, como por exemplo, os poejos. Como já foi referido anteriormente, no Alentejo utilizam-se só as folhas verdes dos poejos. Quando começavam a espigar não se colhiam e as inflorescências com tonalidades brancas e lilases só se usavam para adorno. O aroma criava uma atmosfera agradável e afastava os mosquitos. Passado alguns anos aprendi no Oriente que as plantas que dão flores com tonalidades lilases ou roxas expandem com mais veemência os seus compostos tóxicos na época da floração e não se devem usar nas mezinhas.

Algumas mentas dão flores brancas. A melissa, o mentastro, o manjericão e a cidreira-da-ribeira apresentam inflorescências alvares, as outras variedades dão inflorescências com as tonalidades branca, rosada ou lilás, mais ou menos acentuadas, conforme as condições ecológicas do meio ambiente.

Nunca é de mais alertar para os cuidados a ter para com as plantas, quer em relação à seleção das espécies adequadas à saúde quer ao seu estado de higiene, para se evitarem eventuais intoxicações e usufruir das suas virtudes curativas.

As mentas devem utilizar-se sempre com espécies de teor amargo, cuja ação tónica exerce um equilíbrio no efeito calmante do mentol. Deve ter-se um cuidado especial na composição das espécies de modo a conseguir-se  uma harmonia entre o efeito sedativo e a ação tónica. É igualmente importante a sua prescrição, tendo em conta as características de cada pessoa e o momento mais indicado para se obterem bons resultados. Devido ao efeito calmante devem tomar-se à noite. Só no caso de emergência se devem prescrever tisanas ou compressas a qualquer hora do dia e sempre preparadas com outras espécies em conformidade com os sintomas. O hipericão, a salva, a agrimónia e muitas outras plantas com ação tónica proporcionam o equilíbrio necessário para evitar a astenia que as mentas provocam, prejudicando o processo de cura da mais simples moléstia.

Fonte: Guia Ecológico das Plantas Aromáticas e Medicinais de Zélia Sakai

Pin It on Pinterest