Ocimum basilicum L.

Conhecem-se algumas espécies de manjericão, com notáveis diferenças entre elas. A considerada virtuosa distingue-se principalmente pela cor verde-viva das folhas, alvura das flores, aroma penetrante e sabor um pouco mentolado com um suave travo picante.

No Oriente, o peculiar aroma desta planta é considerado a emanação de uma essência divina e está associado à deusa Ki, que segundo rezam as lendas, descia do Céu à Terra no seu próprio ki (energia). O manjericão faz parte dos rituais dos sutras e do tantra, que têm um elevado sentido de espiritualidade da união do corpo e do espírito. Diz-se que o aroma do manjericão predispõe ao enamoramento.

Em Portugal, foi o manjerico que se popularizou nas festas de Santo António, venerado como padroeiro dos namorados. É tradição a oferta de um vaso de manjerico como símbolo do enamoramento e, se a planta der flor, o amor será duradouro. No entanto, o manjerico cultivado em vaso tem uma vida efémera e em geral não chega a florescer, pois o vaso é muito limitado, a terra fica saturada em pouco tempo, e há ainda a considerar o uso de estimulantes, que atuam sobre o crescimento rápido das plantas, desvirtuando-as.

A maioria desses manjericos não chega a florescer e o aroma mal se sente, enquanto que o manjericão de origem espontânea tem uma fragrância muito volátil, que atinge a plenitude na lua cheia. “Regar e pôr o luar”, diz o povo.

O manjericão espontâneo ou subespontâneo, cultivado por processos artesanais, floresce, em geral, de Maio a Julho. As sementes alcançam a maturação no mês de Setembro e concentram as virtudes intrínsecas da planta, como se pode comprovar pelo seu peculiar aroma que se mantém durante anos.

Colheita: As folhas verdes de manjericão colhem-se antes do nascer do Sol e de modo a não afetar o bom desenvolvimento da planta. Na época da floração podem colher-se alguns ramos sem prejudicar o caule principal, que só se deve cortar quando as sementes alcançarem a sua integridade e a planta já não der sinais de renovação.

Conservação: As folhas verdes têm um período muito curto de vida. As sementes amadurecidas podem secar-se. Quando bem secas, conservam-se naturalmente muitos anos. Guardei sementes de manjericão espontâneo, colhidas no Extremo Oriente, semeei-as nos terrenos da Casa da Paz passados 7 anos e reproduziram-se bem, mantendo as características originais.

Forma de utilização:

  • Folhas verdes e ramos floridos em emulsão e culinária.
  • Sementes em maceração ou trituração.

As folhas verdes do manjericão ligam bem com as pétalas das flores do hipericão, de maravilhas e flores de chagas. As sementes combinam bem com as do endro e da angélica.

As folhas e as sementes do manjericão são um excelente corretivo do sabor amargo. Os seus agradáveis aroma e sabor suavizam o amargor, sem contudo anular a ação tónica, evitando-se assim os efeitos negativos do mentol.

Indicações: A emulsão proporciona uma melhor eficácia, destacando-se os seguintes efeitos: purificante, vitamínico, diurético, refrescante, estimulante, antimefítico, antiescorbútico, antifisético, corretivo e sedativo. Toma-se preferencialmente depois das 17 horas.

Nas sementes concentra-se o óleo essencial, que influi beneficamente nas vias respiratórias, no aparelho digestivo e no sistema nervoso.

As sementes frescas ou secas tomadas após as refeições e bem mastigadas ajudam o processo digestivo, o paladar fica mais fresco e aromatizado, tornando-se mais seletivo, ajudando assim a corrigir hábitos como o excesso de sal, de café, de tabaco e outros prejudiciais à saúde.

As tisanas utilizam-se também em gargarejos e em compressas. Os gargarejos tornam o hálito mais fresco e agradável, estimulam a atividade das enzimas digestivas, apurando o sentido do paladar. A emulsão aplicada diretamente sobre a pele suaviza-a e vai imprimindo o aroma do manjericão que perdura durante algumas horas exercendo a sua influência mágica, que nos induz a um estado de verdadeiro encantamento.

Fonte: Guia Ecológico das Plantas Aromáticas e Medicinais de Zélia Sakai

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