endro

Endro – Aneto – Anethum graveolens L.

O endro caracteriza-se pelo aspeto majestoso e pelos peculiares aroma e sabor. A parte aérea chega a atingir os dois metros e meio de altura; os caules são fortes e ramificados. Na época da floração adquire uma beleza singular. As umbelas apresentam uma cor amarelo-viva de Maio a Agosto. Quando as sementes estão formadas, tomam um tom amarelo-seco, o aroma torna-se mais acentuado e o peculiar sabor adocicado atinge a sua plenitude. É nesta fase que se concentram as virtudes intrínsecas da planta, nomeadamente o óleo essencial.

Este óleo foi considerado, desde tempos remotos, um excelente remédio para a prevenção e cura de diversas doenças, nomeadamente as do foro sanguíneo e linfático. É um antídoto de diversos venenos, até mesmo o dos répteis ofídios.

Na antiguidade Clássica e Oriental, utilizava-se o óleo de endro no processo de purificação que antecedia as cerimónias religiosas e oficiais das cortes. Os eremitas tomam as inflorescências ou as sementes do endro no final da tarde, substituindo muitas vezes o jantar. Ao mastigarmos bem, estas sementes são bem assimiladas pelo nosso organismo. Os seus bons aroma e sabor estimulam o néctar que se concentra no céu da boca (palato) e ao experimentarmos esta deliciosa essência sentimos um considerável aumento de energia que se traduz numa sensação de bem-estar geral. O paladar passa a ser muito mais selectivo.

Considero o endro um excelente remédio contra a bulimia.

Colheita: podem colher-se as folhas da parte exterior. A colheita feita com os devidos cuidados favorece a evolução da planta-mãe, como se pode comprovar pela melhor fertilidade do núcleo. Na época da floração cortam-se as umbelas menores, visto ser nas umbelas maiores que as sementes são bem mais constituídas. Essas umbelas só se cortam na fase plena da maturação das sementes. Em seguida, corta-se o caule principal. Deve cortar-se ao nível do terceiro anel e de modo a não afetar a raiz. (…) A raiz só se colher no período de maaior dormência da planta (…).

Conservação: As folhas verdes e viçosas mantêm a vitalidade e a cor sensivelmente 9 horas; as inflorescências conservam o vigor entre 5 e 7 dias, no máximo; os caules perdem gradualmente a tonalidade verde, passando de amarelado para um tom escuro, sinal de oxidação; as sementes maduras apresentam um tom entre o verde-seco e o amarelo-pálido. Quando bem secas, o tom amarelo torna-se mais acentuado e duram muitos anos; a raiz bem desenvolvida apresenta na parte exterior um tom amarelo e no interior uma brancura imaculada. Mantém o vigor de 15 a 20 dias, começando a mirrar paulatinamente, diminuindo para quase metade do seu volume. Neste estado, em boas condições de higiene, guardada num frasco de vidro opaco, conserva-se naturalmente por muitos anos. Apesar de aparentemente ressequida, concentra no seu interior muita energia, o peculiar aroma, o sabor e outras propriedades menos percetíveis, mas que se podem comprovar através de tisanas ou de outras mezinhas.

Forma de utilização:

  • As folhas verdes e as inflorescências em emulsão e na culinária.
  • As sementes em decocção e na culinária.
  • Os caules verdes na culinária e, depois de secos, em fumigações e defumações.
  • A raiz em decocção, trituração e maceração.
  • As sementes acabadas de colher podem consumir-se no estado natural e no intervalo das refeições, para um melhor aproveitamento do óleo essencial concentrado no seu interior.
  • A parte exterior da raiz é a mais apropriada para a decocção e a parte interna pode reduzir-se a uma pasta pelo processo de trituração num almofariz. A seguir à trituração, segue-se o processo de maceração em azeite virgem com baixo teor de acidez, durante 5 horas.
  • As tisanas de endro utilizam-se também em gargarejos e em compressas.

Indicações: A emulsão feita com as folhas proporciona principalmente os efeitos estimulante, aperitivo, refrescante e diurética. A emulsão preparada com as inflorescências proporciona uma maior eficácia, destacando-se os efeitos purificador, antioxidante, vitamínico e antiescorbútico. Devem tomar-se em jejum e no intervalo das refeições. A decocção das sementes proporciona em especial os efeitos purificador, energético, galactagogo, emoliente, antipernicioso, antipodágrico, antiespasmódico, digestivo, antiobésico, antipirético e diurético.

A decocção da raiz proporciona principalmente os efeitos depurativo, revigorante e anti-séptico. As decocções podem tomar-se após o almoço.

O produto obtido do processo de maceração atua como dissolvente de mucosidades e de outros resíduos tóxicos, expulsando-os suavemente através das vias excretoras. Exerce também uma ação revigorante. É reconstituinte do aparelho digestivo.

As folhas verdes e as inflorescências são um aditamento importante nas saladas, tornando-as mais nutritivas e saborosas.

As sementes, misturadas com o arroz integral ou outro cereal, aumentam-lhes o valor nutritivo influindo beneficamente no processo digestivo, evitando a flatulência e a azia. Mastigadas demoradamente no final das refeições estimulam a atividade de enzimas responsáveis pelo processo digestivo, e proporcionam uma sensação de limpeza e frescura.

O endro utiliza-se também para o tratamento externo. A emulsão aplicada diretamente sobre a pele exerce uma ação vitalizante e refrescante, retardando o envelhecimento. Pachos quentes aliviam dores e espasmos nervosos. A decocção no banho produz um estimulo benéfico que se traduz num bem-estar geral. Com continuidade, o peculiar aroma do endro vai-se impregnando, passando a fazer parte da nossa natureza.

A queima dos caules secos purifica o ambiente, conferindo uma espécie de encantamento e induzindo a um estado de bem-aventurança.

Fonte: Guia Ecológico das Plantas Aromáticas e Medicinais de Zélia Sakai

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