artemísia
Artemisia spicata jaq.
Artemisia vulgar
L.
Absinthium

O género Artemisia pertence família das Asteráceas, também conhecidas por Compostas. Conhecem-se diversas espécies, com características muito particulares. Algumas delas tão distintas que não parecem pertencer à mesma família.

Existem espécies anãs que vivem nas altas montanhas, enquanto outras habitam nas falésias formando grandes moitas entre rochas arenosas. Há ainda outras espécies espalhadas por diversas regiões. As plantas anãs, que se reproduzem nas altas montanhas no Extremo Oriente ou nos Alpes Ocidentais, despontam ano após ano por entre certas rochas, permanecendo grandes temporadas cobertas de neve. Quando começa o degelo, estas plantas parecem surgir do imaginário. O pequeno caule recto e muito resistente é quase despido de folhas, apresentando na extremidade superior as inflorescências que formam um conjunto de 3 ou 5 capítulos ordenados numa circunferência, com o centro mais proeminente irradiando uma luz cintilante com tons branco, verde e amarelo-dourado, semelhantes aos reflexos do nascer do Sol. As inflorescências completamente desabrochadas apresentam uma cor amarelo-dourada, emanam um especial aroma e têm um suave teor amargo. A menor altitude, na mesma região, encontra-se outra variedade muito semelhante.

O caule é um pouco mais alto, coberto de folhas junto ao solo e as flores formam-se bilateralmente a cerca de 9 cm, acompanhadas de pequenas folhas. Na extremidade superior do caule fica um capítulo único. Estas flores são mais miúdas e o tom menos amarelo-dourado. O aroma é também mais fraco e o sabor um pouco mais amargo. Foi com os caules desta variedade de artemísia que os antigos sábios do Oriente preparam as varas sagradas para consultar o I Ching, convictos de que lhes conferia a magia necessária para interpretar os hexagramas.

A magia clássica, segundo a tradição oriental, é Considerada uma arte de transformação da Natureza, de uma realidade a uma dimensão superior, que pode levar-nos ao mistério do sagrado. O aroma da artemísia é uma das manifestações dessa magia, despertando sentidos adormecidos.

Uma das muitas lendas alusivas às virtudes curativas desta planta conta que a deusa Ártemis emanava a mesma fragrância e irradiava um esplendor da luz dourada semelhante aos reflexos do nascer do Sol. Aparecia às pessoas perdidas durante os grandes nevões e conduzindo-as a lugares seguros. A deusa Ártemis é apresentada em ouro ou revestida de película dourada. Há quem diga que o nome da planta provém da deusa, mas há outra versão que o atribui à rainha de Halicarnasso, da Ásia Menor, Artemísia II (353 a. C.). Sabe-se que foi uma grande investigadora de botânica e de medicina, conhecedora de uma enorme diversidade de plantas aromáticas e medicinais. Mandou turibular em cada ano uma imensa quantidade de espécies aromáticas sobre o sumptuoso túmulo do seu marido, o rei Mausolo. A artemísia constitui parte integrante dessas espécies porque uma das suas virtudes consiste exactamente na purificação da energia, facultando a elevação do espírito.

Na Ásia, esta planta é também conhecida por erva-do-fogo, visto ser muito utilizada em defumações e na moxa. Chamam-lhe também erva-sagrada e mãe-das-ervas. Parece que foi uma das primeiras plantas a surgir à face da Terra.

A artemísia mereceu a veneração de sábios, de filósofos, de reis e de rainhas devido às suas numerosas virtudes curativas. Basta um pouco do seu aroma para despertar a memória, a intuição e outras faculdades inatas ao ser humano.

Colheita: As folhas verdes, ao atingirem a maturação, devem ser colhidas, para um melhor desenvolvimento da planta. Para uso imediato colhem-se antes do nascer do sol e as destinadas à secagem só se colhem no final da tarde.  As inflorescências colhem-se no estado pleno de maturação e no terceiro dias após o plenilúnio, visto ser nessa fase lunar que o aroma atinge a plenitude. Colhem-se no final da tarde. Os caules secos cortam-se a 5 cm do solo e com os devidos cuidados para não afectar a raiz da planta, que nesta fase concentra muita energia.

Conservação: As folhas verdes mantêm a vitalidade de 5 a 7 horas. Podem secar-se.  Quando secas, conservam-se naturalmente cerca de um  ano. As inflorescências mantêm o vigor mais ou menos uma semana. Depois de secas, duram de 1 a 2 anos. Ao perderem a cor amarelo-dourada tem de ser inutilizadas pois sofreram alterações prejudiciais à saúde. Os caules secos conservam-se durante muitos anos.

Forma de utilização:

  • Folhas em fumigações, defumações e na moxa.
  • Inflorescências frescas em emulsão e secas em infusão.
  • Caules secos no artesanato e em defumações.

 Indicações: A emulsão proporciona uma melhor eficácia, destacando-se os seguintes efeitos: purificador, antioxidante, vivificante, vitamínico, galactagogo, antipodágrico, diurético, gástrico, digestivo, febrífugo e hepatálgico. Toma-se em jejum e no intervalo das refeições. A infusão proporciona principalmente os efeitos depurativo, tónico, expectorante e vulnerário. Pode tornar-se a seguir ao almoço, em pequena quantidade.

As tisanas de artemísia têm demonstrado a sua eficácia na prevenção e cura de diversas doenças, nomeadamente da epilepsias evitando a ansiedade e as convulsões. Utilizam-se também no tratamento externo. A emulsão aplicada diretamente melhora a tonicidade e a elasticidade, evitando a atonia muscular. Com continuidade, a pele vai tomando um belo tom bronzeado que protege das agressões ambientais. Os pachos quentes aliviam dores provocadas pelo reumatismo, pela gota e ajudam a cicatrização de feridas ou da acne.

As fumigações purificam o ambiente, actuam beneficamente nas vias respiratórias, são muito eficazes contra a asma, tosse convulsa e catarro. Ajudam a eliminar a nicotina e outros resíduos que limitam a função respiratória. As defumações desanuviam o ambiente de maus cheiros e criam uma atmosfera mais saudável, propícia ao sonho.

A artemísia é um excelente remédio para a saúde e beleza retardando o envelhecimento.

Fonte: Guia Ecológico das Plantas Aromáticas e Medicinais de Zélia Sakai

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