Apium graveolens

Aipo (Apium graveolens L.)

Var. lusitanicum De e var. silvestre Camb.

A designação desta planta em latim, Apium, faz referência à sua afinidade com regiões húmidas. De facto, o aipo nasce naturalmente em algumas montanhas que possuem exuberante vegetação espontânea, nas zonas mais frescas e, por vezes, junto dos pequenos cursos de água. Encontra-se por quase toda a área da bacia do mediterrânio. É uma planta vivaz, de um tom verde-vivo aroma penetrante, sabor entre o amargo e o picante. Floresce de maio a junho. As inflorescências apresentam uma alvura imaculada. Ao atingir a maturidade, cerca de 3 anos de existência, começa a formar um bolbo que concentra no seu interior uma energia. Na parte interna é branco-marfim e a sua textura é muito suave. Desprende um aroma inebriante e o sabor é delicioso. A fotografia 2 mostra o aipo subespontâneo passados 3 anos da sua adaptação nos terrenos da Casa da paz. A fotografia 3 apresenta o aipo cortado, a casca utiliza-se para tisana e a parte interna utiliza-se no combinado de vegetais. No estado espontâneo, o aipo com um ano de existência já deu origem a 2 ou 3 filhos e aos 5 anos deixa de apresentar a parte aérea e o bolbo começa a secar. Durante a civilização grego romana foi muito apreciado devido às suas numerosas propriedades nutritivas e curativas. Na Odisseia de Homero encontram-se referencias sobre as suas virtudes. Na idade Média consideraram o aipo um excelente remédio para a prevenção de eventuais intoxicações. O efeito diurético faz-se sentir de imediato. É também poderoso dissolvente de mucosidades e outros resíduos. Parece que passou a ser cultivado na idade Média em diversas regiões. Existem, porem, notáveis diferencias entre a planta de origem espontânea e a do cultivo, como aliás acontece com todas as que passaram a ser dominadas pelo homem.

Colheita: As folhas verdes podem colher-se quase todo o ano. Quando as inflorescências atingirem a sua plenitude podem cortar-se alguns ramos. No outono a parte aérea começa a amarelecer, sinal de que a seiva passou a concentrar-se na raiz. Nessa fase corta-se o caule principal. O bolbo só deve ser colhido quando a planta não der qualquer sinal de florescimento. Após a colheita lava-se o bolbo em água corrente de modo a limpar todas as impurezas.

Conservação: As folhas ao separarem-se da planta mãe, passadas 3 a 5 horas começam a dar sinal de perda de vitalidade e sofrem alterações na cor, no aroma e no sabor. Devem ser utilizadas enquanto mantêm o vigor. Os ramos floridos mantêm-se melhor com a exclusão das folhas verdes e conservam-se naturalmente de 2 a 3 dias. O bolbo dura de 5 a 7 dias no estado natural. Mas pode guardar-se no frigorifico, com o prejuízo da perda da seiva, do aroma e do sabor.

Forma de utilização:

  • Folhas verdes e ramos floridos em emulsão e na culinária
  • Caules verdes na culinária
  • Bolbo, a parte exterior em decocção e a parte interior na culinária.

Indicações: A emulsão proporciona uma melhor eficácia, destacando-se os seguintes efeitos: purificante, vitamínico, anti- reumático, diurético, béquico e tónico. Toma-se preferencialmente em jejum. A decocção proporciona em especial os efeitos depurativo, energético, diurético, febrífugo e expetorante. Pode tomar-se após o almoço. As folhas verdes nas saladas ou nas sopas fornecem diversos nutrientes e exercem um efeito estimulante. Os caules crus bem mastigados deixam uma sensação de frescura evitando o mau hálito. O bolbo cozido proporciona um aumento de energia e ajuda a eliminar o ácido úrico.

Fonte: Guia Ecológico das Plantas Aromáticas e Medicinais de Zélia Sakai

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