Agrimónia eupatoria L.

Agrimónia (Agrimónia eupatoria L.) 

Erva dos gregos

A agrimónia é uma planta anual que se encontra habitualmente nas montanhas, nas áreas mais soalheiras e de solos argilosos. Floresce no início do mês de Abril. As inflorescências revestem a parte superior do caule principal e apresentam uma cor amarelo-dourada. Ao atingirem a sua plenitude, desprendem um aroma balsâmico e duram apenas um dia. Apesar desta vida efémera, concentram as virtudes intrínsecas da planta. De facto, o tom amarelo-dourado e o aroma de ação estimulante das inflorescências são muito importantes para a nossa saúde e é através destas características que se distingue a planta considerada virtuosa da espécie vulgar que contém compostos tóxicos. Desde tempos remotos que a agrimónia é muito apreciada pelas suas numerosas propriedades medicinais. Diz-se que Teofrasto, filósofo grego (300 a. C.), lhe atribuiu o poder de curar as doenças do fígado, de melhorar a visão e a memoria. Conta-se também que Hipócrates, medico grego (377 a. C.), reconheceu essas suas capacidades curativas e a considerou um antídoto do veneno dos repteis ofídios. O seu método de medicina, baseado no estudo da alteração dos humores orgânicos, induziu-o certamente a muitas experiências com as plantas aromáticas e medicinais, visto determinados aromas ajudarem a eliminar os humores mórbidos.

Colheita: As folhas verdes devem colher-se ao atingirem o total desenvolvimento e enquanto mantêm o tom verde vivo. O momento mais adequado para a colheita é antes do nascer do sol. As inflorescências colhem-se ao alcançarem o apogeu e de preferência antes dos reflexos do sol incidirem sobre ela. As sementes colhem-se quando adquirem a maturação e sempre no final da tarde.

Conservação: As folhas verdes mantêm a cor e a vitalidade de 1 a 2 dias; as inflorescências devem utilizar-se logo apos a colheita, visto perderem rapidamente o vigor. As sementes, quando bem secas e guardadas em frascos de vidro opaco, conservam-se durante anos.

Forma de utilização:

  •  Folhas verdes em infusão.
  • Inflorescências em infusão.
  • Sementes em decocção ou maceração

Indicações: A emulsão proporciona uma maior eficácia, destacando-se os seguintes efeitos: purificador, antioxidante, estimulante, vitamínico, antipodágrico e diurético. Toma-se em jejum. A infusão proporciona principalmente os efeitos tónico e febrífugo. A decocção proporciona em especial os efeitos energéticos, galactagogo, hepático e vulnerário. A infusão e a decocção podem tomar-se a seguir ao almoço. A maceração proporciona principalmente os efeitos revigorante, emoliente e antídoto dos venenos. O produto obtido da maceração deve tomar-se em pequenas doses e no intervalo das refeições, como medida preventiva contra eventuais intoxicações. No caso de intoxicação alimentar, toma-se uma colher de sopa muito lentamente. A sua ação depurativa e suavizante emulsiona os resíduos tóxicos eliminando-os através das vias excretoras, sem causar desgaste ao nosso organismo. As tisanas de agrimónia usam-se também para tratamento externo. A aplicação de compressas frias sobre os olhos ajuda a melhorar a visão e faz desaparecer o edema em volta dos olhos conhecido habitualmente como «papos». A tisana preparada com flores produz melhores efeitos contra a cegueira diurna e noturna.

Fonte: Guia Ecológico das Plantas Aromáticas e Medicinais de Zélia Sakai

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