Violeta (Viola odorata L.) – Peitoral e aromática

A violeta pertence à mesma família botânica que o amor-perfeito-bravo. As flores de ambas as plantas são igualmente belas e delicadas. Diferem em que as da violeta têm duas pétalas para cima e três para baixo, enquanto as do amor-perfeito-bravo têm quatro pétalas para cima e uma para baixo.

Hipócrates, no século V a.C., já recomendava as violetas para o tratamento das enxaquecas. No princípio do século XX atribuiu-se-lhes a faculdade de curar os tumores cancerosos, o que nunca pôde ser confirmado. A violeta é uma das plantas peitorais mais apreciadas em fitoterapia.


Propriedades e Indicações:

Toda a planta contém saponinas (especialmente a raiz), que a fazem expectorante e diurética; mucilagens, de acção emoliente, béquica (antitússica) e laxante; ácido salicílico, de efeito anti-inflamatório e sudorífico; pigmentos (antocianinas) e glicósidos, a que se atribui o seu suave efeito diurético; e essência, nas flores, que lhes outorga o seu agradável aroma.

As flores têm as seguintes aplicações:

Afecções respiratórias: Pelo seu conteúdo em saponinas, fluidificam as secreções bronquiais, descongestionam os brônquios e acalmam a tosse (1,2).

As mucilagens exercem uma acção suavizante e anti-inflamatória sobre todas as mucosas; as das violetas actuam especialmente sobre as mucosas do aparelho respiratório. A violeta é, pois, uma planta muito útil para o tratamento dos catarros brônquicos, bronquites, traqueíte e broncopneumonia.

As violetas são também sudoríficas, pelo que se recomendam especialmente quando a afecção respiratória se faz acompanhar de febre, como costuma acontecer com a gripe. Possuem ainda um suave efeito diurético e laxante, muito conveniente para os doentes febris.

Cistite: Recomendam-se, neste caso, em virtude da acção anti-inflamatória que as mucilagens exercem sobre o aparelho urinário (1,2).

Enxaquecas e cefaleias: Tem-se usado com êxito, desde tempos antigos, embora não se saiba bem qual dos princípios activos da violeta é responsável por esta acção. Tradicionalmente, as flores de violeta aplicam-se tanto por via oral (infusão) (1) como em compressas ou fomentações sobre a fronte (5).

Afecções bucais e da garganta: Externamente, a infusão usa-se para fazer bochechos ou gargarejos em caso de estomatite (inflamação da mucosa bucal), gengivite, amigdalite, laringite e afonia (5).

-Aplica-se em lavagens sobre os olhos (5) em caso de blefarite (inflamação das pálpebras) e de conjuntivite.

As folhas das violetas têm propriedades semelhantes às flores, mas com maior efeito sudorífico, diurético e laxante. Costumam usar-se misturadas com as flores.

As raízes são muito ricas em saponinas, pelo que têm uma acção emética (vomitiva) (3,4). Administram-se para provocar o vómito em caso de intoxicação alimentar ou de indigestão.


Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão com 3o-40 g de folhas e/ou flores por litro de água, de que se tomam 3 ou 4 chávenas por dia. Tem um sabor muito agradável.

2-Xarope de violeta: Pode substituir a infusão, especialmente para as crianças. Prepara-se com 50 g de flores, que se deixam em maceração em meio litro de água durante 12 horas. Depois de filtrada, acrescentam-se-lhe 200 g de mel e ferve-se durante 5 minutos. Administram-se de 1 a 3 colheradas cada duas horas.

3-Decocção vomitiva: Prepara-se com 10-20 g de raiz triturada, num quarto de litro de água. Ferve-se até que o líquido fique reduzido a metade. Tem que se tomar uma colherada de 5 em 5 minutos, até produzir o vómito.

4-Pó de raiz dissolvido à razão de 1-4 g em meio copo de água; com o que se torna o efeito vomitivo ainda mais intenso.

 

Uso externo

5-A mesma infusão descrita para uso interno aplica-se em bochechos, em gargarejos, em lavagens às pálpebras, ou em compressas e fomentações sobre a fronte.


Outros nomes : violeta-de -cheiro, violeta-roxa, viola. Esp.: violeta, violeta común, violeta olorosa, viola. Fr.: violette (des jardins), violette odorante. Ing.: [garden] violet, sweet violet.

Habitat: Prados e bosques húmidos de toda a Europa. Cultivada e difundida no continente americano. Bastante disseminada, embora pouco frequente.

Descrição: Planta vivaz da família das Violáceas, que atinge de 5 a 15 cm de altura. É desprovida de caules aéreos, e tanto as folhas como as flores nascem de uma cepa central mediante compridos pedúnculos. Flores da característica cor violeta, embora por vezes sejam brancas ou rosadas, com 5 pétalas e muito aromáticas.

Partes utilizadas: As flores, as folhas e as raízes.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger