Verbena ( Verbena officinalis L.) -Alivia as enxaquecas e as nevralgias

O templo de Júpiter, no Olimpo, era purificado com água-de-verbena, pois esta planta era considerada uma panaceia, capaz de livrar de todos os males. Durante a Idade Média, foi usada pelos encantadores e adivinhos, como erva mágica.

Antigamente era recomendada como afrodisíaca (“acende os amores apagados”), e é possível que o seja até certo ponto. Actualmente já podemos conhecer as suas propriedades e verdadeiras aplicações.


Propriedades e Indicações:

Contém verbenalina, um glicósido que actua sobre o sistema nervoso vegetativo, especialmente sobre o parassimpático, exercendo uma acção sedativa, antiespasmódica, analgésica, digestiva e anti-inflamatória. Contém também tanino e mucilagem, que a fazem adstringente e emoliente. Por isso as suas aplicacões são:

-Enxaquecas (1,2): A sua acção antiespasmódica sobre o sistema arterial evita que se produzam as crises de dor de cabeça, ou pelo menos diminui a sua intensidade. O tratamento destas afecções é muito difícil e obtêm-se melhores resultados combinando-a com outras plantas. A verbena é isenta dos importantes efeitos secundários dos fármacos derivados da ergotamina, que habitualmente se empregam para tratar as crises de enxaqueca.

-Dores reumáticas, nevralgias, ciática: Aplica-se tanto em uso interno [infusão (1) ou decocção (2)], como externo [compressas (5) ou cataplasmas (6)].

-Transtornos digestivos: A sua acção eupéptica favorece a digestão. Pode-se  usar contra as diarreias e cólicas intestinais, devido às suas propriedades adstringentes.

-Descongestiona o fígado (1,2): Favorece a secreção da bílis (acção colerética), pelo que se recomenda para as hepatopatias (doenças do fígado). A sua acção antiespasmódica também se torna muito útil em caso de cálculos biliares.

-Diurética (1,2): Devido a ser ligeiramente diurética, administra-se em caso de cólica renal para acalmar a dor e ajudar a eliminar as pedras. Pela mesma razão se prescreve para o tratamento da obesidade e da celulite.

– Afecções da garganta (3): Muito recomendável em diversas afecções das vias respiratórias superiores, como faringite, amigdalite e laringite, e inflamações da garganta em geral. Aplica-se em gargarejos e em cataplasmas (6), e também em infusão (1).

-Sinusite: Emprega-se para o tratamento desta incómoda perturbação, graças à sua acção anti-inflamatória e adstringente. Aplica-se tanto por via oral (1) como em inalações (4) e em compressas quentes sobre o rosto (5).


Preparação e Emprego

Usar a planta fresca, sempre que seja possível, pois o seu princípio activo, a verbenalina, vai-se degradando paulatinamente com a secagem.

Uso interno

1-Infusão: 15-20 g por litro de água. Ingerem-se 2 ou 4 chávenas por dia.

2-Decocção: 20 g por litro, durante 10 minutos. Dose igual à da infusão.

 

Uso externo

3-Gargarejos: a mesma infusão ou decocção, mas mais concentrada (40-50 g por litro).

4-lnalações: Executam-se respirando directamente os vapores de uma decocção de verbena quente.

5-Compressas quentes: Fazem-se com a infusão ou decocção concentrada e aplicam-se sobre as correspondentes zonas doridas.

6- Cataplasmas: A planta cozida, ou passada pela frigideira (refogada), e envolvida num lenço de algodão.


Outros nomes: gerbão, girbão, gervao, gerivão, algebão, algebrão, urgebão, ulgebrão, algebrado, erva-sagrada. Brasil: verbena-sagrada, erva-do-fígado. Esp.: verbena, verbena macho, hierba de todos los males. Fr.: verveine [officinale], herbe sacrée. Ing.: [European] vervain, holy herb.

Habitat: Bermas dos caminhos, terrenos incultos e ribanceiras de toda a Europa. Naturalizada no continente americano.

Descrição: Planta vivaz da família das Verbenáceas, de até um metro de altura, com caules quadrangulares erectos e flores pequenas, cor de malva, que crescem em espigas terminais. Sabor amargo.

Partes utilizadas: a planta florida, quanto mais fresca melhor.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

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