urtiga-maior

Urtiga-maior (Urtica dioica L.) – Uma planta que se defende… e que nos defende

É uma pena que tanta gente fuja da urtiga e até a considere uma erva-daninha! Se soubessem quantas virtudes encerra esta planta aparentemente agressiva!

A urtiga é uma das grandes estrelas da fitoterapia. Os seus pelinhos peculiares tornam-na conhecida até de quem não veja. Por isso um dos nomes que lhe são atribuídos em espanhol é ‘hierba de los ciegos’ (erva-dos-cegos).

Dioscórides já falava dela no século I d.C. E o seu comentarista, Andrés de Laguna, médico espanhol do século XVI, disse das folhas de urtiga, entre muitas outras coisas, que «podem excitar à luxúria”. Como é possível que essas folhas urticantes sejam capazes de excitar o apetite sexual?

Cita Messegué que o poeta latino do primeiro século da nossa era, Caio Petrónio, recomendava aos homens que quisessem aumentar a sua virilidade, que se açoitassem “com um ramo de urtigas no baixo-ventre e nas nádegas”. A urtigação, ou seja, esfregar-se com urtigas frescas, já era praticada pelos antigos Gregos. Além do seu efeito sobre a sexualidade, concede excelentes benefícios aos reumáticos e artrósicos que tenham a coragem de praticá-la.

Propriedades e Indicações:

Os pelinhos da urtiga contêm histamina (1%) e acetilcolina (0,2% a 1%), substâncias que o nosso organismo também produz e que intervêm activamente sobre os aparelhos circulatório e digestivo, como transmissores dos impulsos nervosos do sistema vegetativo. Cerca de 10 mg destas substâncias são suficientes para provocar uma reacção cutânea.

As folhas contêm abundante clorofila, o corante verde do mundo vegetal, cuja composição química é muito semelhante à da hemoglobina que tinge de vermelho o nosso sangue.

São muito ricas em sais minerais, especialmente de ferro, fósforo, magnésio, cálcio e silício, que as tornam diuréticas e depurativas. Contêm também vitaminas A, C e K ácido fórmico, tanino e outras substâncias que ainda não foram bem estudadas, que no seu conjunto tornam a urtiga uma das plantas com mais aplicações medicinais:

Depurativa, diurética e alcalinizante: Indicada no caso de afecções reumáticas, artritismo, gota, cálculos renais, areias na urina; e, em geral, sempre que se precise de uma acção depurativa e diurética (1,2). A urtiga tem uma notável capacidade de alcalinizar o sangue, facilitando a eliminação dos resíduos ácidos do metabolismo relacionados com todas estas afecções. O uso interno da planta pode ser combinado com urtigações sobre a articulação afectada.

Antianémica: Usa-se nas anemias por falta de ferro ou por perda de sangue (1,2). O ferro e a clorofila que abundam na urtiga são estimulantes da produção de glóbulos vermelhos. A urtiga convém também nos casos de convalescença, desnutrição e esgotamento, pelo seu efeito reconstituinte e tonificante.

Vasoconstritora (contrai os vasos sanguíneos) e hemostática (detém as hemorragias) : Indicada especialmente nas hemorragias nasais (5) e uterinas (1,2). Muito útil para as mulheres com menstruação abundante. Insistimos em que qualquer hemorragia anormal deve ser objecto de consulta médica.

Digestiva: Dá bons resultados nos transtornos da digestão devidos a atonia ou insuficiência dos órgãos digestivos (1,2). A urtiga contém pequenas quantidades de secretina, uma hormona também produzida por determinadas células do nosso intestino, a qual estimula a secreção do suco pancreático e a motilidade do estômago e da vesícula biliar. Isto explica que a urtiga facilite a digestão e melhore a assimilação dos alimentos.

Adstringente: Tem-se usado com êxito para acalmar as fortíssimas diarreias da cólera (2). E útil em todo o tipo de diarreias, colites ou disenterias.

Hipoglicemiante: As folhas de urtiga fazem baixar o nível de açúcar no sangue, o que se tem comprovado em numerosos doentes (1,2). Embora não possa substituir a insulina, permite diminuir as doses de medicação antidiabética.

Galactoga: Aumenta a secreção do leite das mães (1,2,4). Torna-se por isso recomendável durante a lactação.

Emoliente: Pelo seu efeito suavizante, recomenda-se nas afecções crónicas da pele, especialmente os eczemas, as erupções e a acne (3,4). Também se usa contra a queda do cabelo (3). Limpa, regenera e embeleza a pele (3,4). Obtêm-se melhores resultados se for tomada por via oral (2), além de aplicada localmente.

Preparação e Emprego

Para tranquilizar os que receiem esta planta, deve dizer-se que, doze horas depois de ter sido arrancada, desaparece o seu efeito urticante e adquire uma consistência suave como de veludo.

Uso interno

1-Sumo fresco: É a maneira de melhor aproveitar as suas propriedades medicinais, especialmente o seu efeito depurativo. Obtém-se espremendo as folhas ou passando-as por uma liquidificadora. Toma-se de meio a um copo de manhã, e outro tanto ao meio-dia.

2-lnfusão com 50 g por litro de água, deixando infundir durante um quarto de hora. Ingerir 3 ou 4 chávenas diárias.

Uso externo

3-Loção: O sumo aplica-se sobre a pele afectada.

4-Compressas: Empapam-se com o sumo e aplicam-se sobre a zona afectada. Mudam-se 3 ou 4 vezes por dia.

5-Tampão nasal: Empapa-se uma gaze no sumo de urtiga e introduz-se na fossa nasal.

Urtigações

Com um ramo de urtigas recém-cortadas, fustiga-se suavemente a pele sobre a articulação afectada pelo processo inflamatório ou reumático (joelho, ombro, etc.). Produz-se um efeito revulsivo que atrai o sangue para a pele, descongestionando ao mesmo tempo os tecidos internos.

Outros nomes: urtigão. Brasil: urtiga-mansa. Esp.: urtiga mayor, urtiga [verde], ortiga dioica, hierba del ciego. Fr.: [grande] ortie, odie dioique. Ing.: [great stinging] nettle.

Habitat: Espalhada por todo o mundo, prefere os lugares húmidos próximos de zonas habitadas.

Descrição: Planta vivaz da família das Urticáceas, que atinge de 0,5 a 1,5 m de altura. Tanto os caules, de secção quadrada, como as folhas, são cobertos de pelos urticantes. Ás suas flores, de cor verde, são muito pequenas.

Partes utilizadas: Toda a planta, especialmente as folhas.

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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