Os escritores latinos da antiguidade definiam a tussilagem como filius ante patrern (o filho antes do pai), dado que as flores nascem no princípio da Primavera, dois ou três meses antes das folhas. Estas só chegam à maturidade quando já as flores começam a murchar. Esta planta utiliza-se para combater a tosse desde os tempos mais remotos. Dioscórides descreveu a tussilagem com o nome grego de bekion, de onde ficou o termo “béquico” para referir a propriedade de acalmar a tosse e a irritação da garganta. A tussilagem continua, passados dois mil anos, a ser o béquico por excelência.

 

Propriedades e Indicações:

Os capítulos florais, e sobretudo as folhas, contêm abundantes mucilagens com propriedades expectorantes, béquicas, antitússicas e emolientes (suavizantes) sobre as vias respiratórias. Contém também álcoois triterpénicos e flavonóicles (rutina e hiperósido) de accão antiespasmódica suave, que contribuem para a acção antitússica e broncodilatadora da tussilagem.

Possui também propriedades sudoríficas e depurativas, pois provoca a eliminação de toxinas tanto pela urina como pela transpiração (1). Esta acção torna-se muito útil para combater o componente infeccioso da maior parte das afecções respiratórias.

A tussilagem torna-se pois indicada em todas afecções respiratórias: fluidifica as secreções bronquiais e ajuda a sua eliminação, acalma a tosse, dilata os brônquios e desinflama as mucosas respiratórias.

Muito apropriada para tratar bronquites agudas e crónicas, catarros brônquicos, asma, enfisema pulmonar, broncopneumonia, gripe, traqueíte, laringite, faringite e amigdalite (anginas) (1).

Dá muito bons resultados em caso de afonia, aplicada tanto interna (1) como externamente (2). Nas bronquites agudas e broncopneumonias, para usá-la é preferível esperar que tenha passado a fase aguda (dois ou três dias) e comece a desaparecer a congestão inicial.

A tussilagem é uma planta aliada do ex-fumador, pois contribui para regenerar as mucosas respiratórias de quem tenha deixado de fumar. Tomada em infusão (1), torna-se sumamente útil nas curas de desintoxicação do tabaco, para ajudar a limpar os brônquios das secreções acumuladas. Tanto é assim que é um ingrediente fundamental dos chamados “tabacos de ervas”.

No entanto, o melhor, para quem sofra dos brônquios, é abster-se de todo o tipo de fumos, inclusive daquele que é produzido pela tussilagem. Externamente, utiliza-se para curar diversas afecções da pele: feridas e úlceras, erupções e inflamações (dermatites), assim como para reduzir a transpiração excessiva dos pés. E útil para as pessoas que se queixam de pele gordurosa, e dá muito bom resultado aplicada sobre o couro cabeludo para o limpar e fortalecer (3).

 

Precauções

As folhas de tussilagem usavam-se em salada, para combater o escorbuto, dada a quantidade de vitamina C que contêm. No entanto, é preferível não se comerem as folhas tenras cruas, porque contêm pequenas quantidades de um alcalóide tóxico para o fígado, que desaparece com a secagem.

 

Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão com 30-50 g de planta seca por litro de água, de que se tomam de 3 a 5 chávenas diárias, quentes. Para melhorar o gosto, que não é muito agradável, basta juntar uma pitada de hortelã ou de anis-verde. As crianças pequenas, dá-se em colheradas com intervalos de meia ou de uma hora.

A infusão deve ser filtrada antes de se usar, para eliminar os pequenos pêlos que se soltam dos capítulos florais, que podem irritar a garganta.

Uso externo

2- Gargarejos: Com a mesma infusão que para o uso interno, ou um pouco mais concentrada.

3-Compressas e loções sobre a zona da pele afectada, com a indusão concentrada

 

Outros nomes: tussilagem-fárfara, farfara, unha-de-cavalo, unha-de-asno, erva-de-são-quirino. Esp.: tusílago, fárfara, pie de caballo, uña de caballo, pata de mulo, passo de asno, uña de asno, pata de vaca. Fr.: tussilage, pas-d’âne. lng.: coltsfoot, British tobacco.

Habitat: Terrenos húmidos e frios de toda a Europa. Prefere os solos argilosos, embora também se possa encontrar nos calcários. Encontra-se no continente americano, embora aí seja pouco comum.

Descrição: Planta vivaz, da família das Compostas, que atinge até 30 cm de altura. Dos seus caules subterrâneos saem cada ano caules floríferos, carnudos, cujas folhas estão reduzidas a escamas; na extremidade destes caules forma-se o capítulo floral, de cor amarela. As folhas grandes, de pecíolo comprido, aparecem depois das flores, e têm a página inferior esbranquiçada.

Partes utilizadas: as folhas secas e os capítulos florais.

 

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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