Tília (Tilia europaea L.) – Acalma os nervos, protege o coração… e muito mais

As tílias são árvores majestosas que vivem vários séculos, e que parecem convidar-nos a uma vida sossegada e serena, como a que elas mesmas têm. Nos países do centro e do norte da Europa, a tília simboliza a unidade familiar e a paz doméstica. O emprego da popular tília (infusão de flores) como sedativo remonta ao Renascimento, e é hoje um dos remédios vegetais mais utilizados.


Propriedades e Indicações:

As flores da tília contêm uma essência aromática rica em magnésio, com propriedades sedativas, antiespasmódicas e vasodilatadoras; mucilagens e pequenas quantidades de tanino, que as tornam emolientes e anti-inflamatórias; e glicósidos flavonóides, que as tornam suavemente diuréticas e sudoríficas.

O córtex (casca) contém polifenóis e cumarinas, que lhe conferem propriedades coleréticas (aumentam a secreção de bílis), antiespasmódicas (especialmente activa sobre a vesícula biliar) hipotensoras e dilatadoras das artérias coronárias.

As suas aplicações são muito variadas, mas todas elas giram em torno dos seus efeitos sedantes e relaxantes:

Afecções do sistema nervoso (1,2,3): Pela essência que contém, a flor de tília é muito útil nos casos de excitação nervosa, angústia e ansiedade.

Insónia (1,2,3): A tília torna-se muito eficaz nos casos de insónia, pois provoca um sono natural. Ao contrário da maior parte dos hipnóticos e sedativos sintéticos, a infusão de tília não produz sonolência ou entorpecimento na manhã seguinte, e não gera dependência. No entanto há que ter presente que, como tratamento suave e nada agressivo que é, a tília actua lentamente, e os seus efeitos podem tardar vários dias para se manifestar.

Os banhos com água quente a que se junta infusão de flores de tília (4), têm um notável efeito tranquilizante e relaxante, e reforçam a acção da planta tomada por via oral em tisanas. Dão resultados espectaculares em caso de insónia rebelde.

Crianças nervosas ou que têm dificuldade em dormir (1,2,3): Recomenda-se também o uso da tília em pediatria, por não ter efeitos secundários ou indesejáveis. Convém às crianças hiperactivas ou irritáveis. Deve administrar-se durante vários dias ou semanas para que a sua acção se desenvolva.

Afecções respiratórias (1): Pelo seu conteúdo em mucilagens de acção emoliente, e pelo seu efeito antiespasmódico, a flor de tília é indicada nos catarros brônquicos, bronquites, asma, gripe e tosse rebelde das crianças. Pode-se juntar um pouco de casca para um efeito mais intenso.

Afecções cardíacas e circulatórias (1,2,3): Tanto a flor como a casca da tília têm um efeito vasodilatador e suavemente hipotensor. Actuam especialmente sobre as artérias coronárias. Estão muito indicadas no caso de angina de peito e de arritmias, que costumam afectar as pessoas com temperamento nervoso ou submetidas a stress, com o que obterão um duplo benefício.

Ultimamente descobriu-se que a tília (flor e casca da árvore) diminui a viscosidade do sangue, com o que este circula com maior fluidez. Deste modo, actua favoravelmente na prevenção do infarto do miocárdio e da trombose.

Os pletóricos, os cardíacos, os que sofrem de hipertensão arterial, os que têm predisposição para arteriosclerose, para o infarto e, em geral, para as afecções circulatórias, beneficiam especialmente do consumo da flor e da casca de tília.

Enxaquecas (2): A tília (especialmente a casca) tem-se revelado muito útil no tratamento da enxaqueca (dor de cabeça lancinante devida a espasmos arteriais), tão difícil de tratar por meios químicos. A sua acção é mais preventiva, pelo que se deve tomar de forma sistemática, e não apenas quando se apresenta o ataque.

Afecções digestivas (1): Pela sua acção colerética e antiespasmódica sobre a vesícula biliar, a tília, especialmente a flor, convém aos que sofrem de cálculos biliares ou de transtornos no funcionamento da vesícula biliar (disquinesias). Facilita a expulsão dos pequenos cálculos da vesícula biliar (areias na bílis). Ajuda a uma melhor digestão em caso de dispepsia biliar, intolerância às gorduras, flatulência ou distensão abdominal após as refeiçóes.

Afecções da pele (5): Aplicada externamente, a tília apresenta uma notável acção emoliente (anti-inflamatória e suavizante) sobre a pele. É indicada em caso de queimaduras, eczemas, furúnculos e irritações de origem diversa.

Beleza e cosmética: Torna-se de grande utilidade para combater os efeitos do vento, do frio ou do sol sobre a pele (pele seca, queimaduras solares). Usa-se em cosmética para dar suavidade e beleza à pele. O banho de vapor com tília abre os poros e limpa a pele.


Preparação e emprego

Uso interno

1-Infusão de flores: 20-40 g por litro de água. Ingerem-se cada dia 3-4 chávenas bem quentes; uma delas sempre antes de deitar. A tília pode-se adoçar com mel.

2-Decocção de casca: 30 g por litro de água durante 10 ou 15 minutos. Pode-se misturar com a infusão de flores, para obter um efeito mais completo.

3-Extracto fluido: A dose costuma ser de umas 20-40 gotas, três vezes ao dia, com uma quarta toma à noite antes de deitar.

 

Uso externo

4-Banho de flores de tília: Prepara-se com 300-500 g de flores postas em infusão com 1-2 litros de água, que se acrescentam à água do banho quente, imediatamente antes de o tomar.

5-Compressas: Quer seja para afecções da pele quer para beleza, embebem-se compressas numa infusão de 100 g de flores de tília por litro de água, que se mudam cada 5 minutos. Aplicam-se diariamente duas ou três vezes.


Outros nomes: Esp.: tilo, tila, tilia, tillera. Fr.: tilleul, til, tillet. Ing.: linden.

Habitat: Difundida, tanto em estado silvestre como cultivada, por zonas montanhosas da Europa continental, Córsega, e região do Cáucaso. Muito cultivada em Portugal. Na América também existem diversas espécies de tílias.

Descrição: Árvore grande, de até 20 m de altura, muito ramificada na copa, da família das Tiliáceas. De folhas caducas, dentadas, com forma de coração e assimétricas na base. As flores são esbranquiçadas ou amareladas e exalam um aroma agradável.

Partes utilizadas: As inflorescências jovens e a casca da árvore.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

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