Segurelha (Satureja montana L.) –  Carminativa, tonificante e afrodisíaca

A segurelha é verdadeiramente uma planta sensual. Parece que o seu penetrante aroma no-lo denuncia. Não é por isso estranho que, já em tempos muito recuados, fossem conhecidas as suas virtudes culinárias e afrodisíacas. Diz-se que os Gregos a dedicaram a Dionísio, a quem, depois, os Romanos chamaram Baco, deus em cuja honra se celebravam faustosas orgias. Efectivamente, a segurelha facilita a digestão e estimula as funções vitais. Deve mesmo ser verdade, pois os frades da Idade Média tinham proibido que fosse plantada nas suas hortas…

Quem não terá provado umas azeitonas caseiras, apetitosamente condimentadas com esta apreciada planta, como o faziam as nossas avós? Nas aldeias do Sul de Espanha, e principalmente na Andaluzia, ainda se pode saborear este castiço aperitivo. O mesmo se poderá dizer, também, de muitas terras de província, em Portugal.


Propriedades e Indicações:

Contém até 1% de óleo essencial rico em carvacrol e cimol, que lhe conferem propriedades estimulantes, carminativas, antiespasmódicas, vermífugas, diuréticas e peitorais; assim como taninos e polifenóis.

-Sobre o aparelho digestivo, actua como aperitivo, abrindo o apetite e facilitando a digestão. Mas além disso, tem ainda uma muito interessante acção carminativa. Segundo cita o distinto botânico e farmacêutico Font Quer, “contraria as ventosidades do estômago e intestinos”. Nada melhor do que a segurelha, para temperar os pratos de legumes, como os feijões, assim como os guisados de favas. Ainda por cima, relaxa os músculos do intestino (efeito antiespasmódico), pelo que se torna útil nos casos de dores intestinais ou diarreia (1,2). É recomendável para os que sofram de gastrite. Também apresenta uma certa ação vermífuga.

-Sobre o sistema nervoso, exerce uma suave ação tonificante, pelo que é indicada nos casos de fadiga crónica, debilidade, hipotensão e astenia (1,2). Claro que o uso da segurelha deve ser acompanhado de outros tratamentos naturais.

-A sua ação afrodisíaca não é simplesmente uma lenda, embora seja discreta e progressiva (1,2). No caso de se desejar uma ação mais enérgica, deverá associar-se a outras plantas.

-É ligeiramente diurética e depurativa, pelo que também é benéfica aos obesos, artríticos e gotosos (1,2).

-Proporciona uma ação balsâmica e expectorante, devido os óleos essenciais que contém. É útil em bronquites agudas e crónicas (1,2).


Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão com 20 g de planta por litro de água, de que se podem ingerir até 3 ou 4 chávenas por dia.

2-Essência: de 3 a 5 gotas, depois de cada refeição.


Outros nomes: satureja-das-montanhas. Esp.: ajedrea [silvestre, de monte]. Fr.: sariette. Ing.: savory.

Habitat: Embora seja uma planta originária das regiões mediterrâneas, tem-se estendido por todas as regiões temperadas da Europa e da América. Adapta-se melhor aos climas secos e com bastante sol.

Descrição: Trata-se de uma planta de não muito mais de 25-30 cm de altura, mas que, no local onde se encontra, se faz notar pelo seu aroma especial, que convida quem passa a abaixar-se e esfregar as mãos com ela. As suas folhinhas são finas, terminadas em ponta, e cheias de pequenas covinhas onde se alojam as glândulas produtoras de essência. As flores são pequenas, de cor branca ou rosada, e divididas em dois lábios, o que é próprio da família das Labiadas, a que pertence.

Partes utilizadas: folhas, flores e caules finos.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

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