salgueiro

Salgueiro-branco (Salix alba L.) – Combate eficazmente a dor e a febre

O salgueiro foi um dos remédios vegetais mais usados na Assíria e na Babilónia. Desde o tempo de Dioscórides, no século I d.C., os partidários da teoria dos sinais continuavam a acreditar que, dado que o salgueiro era capaz de resistir bem aos “maus ares” das terras húmidas e pantanosas onde cresce, teria de conter alguma substância eficaz para curar as febres da malária (do italiano mala aria, “mau ar”) e as dores reumáticas, que frequentemente afligem os habitantes de tais lugares. E com efeito, o salgueiro usou-se com êxito como antipirético contra a malária ou paludismo, e contra outras febres, ao ponto de se lhe chamar a “quina europeia”. Em meados do século XIX, Felix Hoffmann, um químico do laboratório alemão Bayer, fez experiências com extractos da casca de salgueiro. Depois de vários processos químicos, obteve um derivado cujos efeitos antipiréticos e analgésicos eram muito superiores aos do produto original (a casca do salgueiro). Hoffmann experimentou esta nova substância -o ácido acetilsalicílico- no seu próprio pai, que sofria de constantes ataques de reumatismo. Foi tal o êxito conseguido, que os laboratórios Bayer decidiram comercializar esse derivado da casca do salgueiro com o nome de aspirina. E a humilde aspirina continua a ser o fármaco mais usado na história da humanidade: consomem-se anualmente 40 000 toneladas de aspirinas em todo o mundo.

Desta vez viu-se confirmado o veIho aforismo: “A natureza coloca sempre o remédio ao lado do mal.” A localização do salgueiro em terrenos húmidos e frios foi o sinal, a pista que conduziu à descoberta das suas propriedades antipiréticas e analgésicas.

Propriedades e Indicações:

A casca, e em menor quantidade as folhas e as flores do salgueiro, contêm taninos que lhes conferem acção adstringente e tónica, assim como sais minerais e matérias corantes. Porém o seu princípio activo mais importante é o glicósido salicina, contido também nas flores, que por acção da enzima glucosidase pode transformar-se em glicose e saligenina. E esta, por oxidação, converte-se em aldeído salicílico, e depois em ácido salicílico. A partir deste ácido salicílico obtém-se facilmente o ácido acetilsalicílico ou aspirina.

Devido ao seu conteúdo em salicina, o salgueiro possui propriedades febrífugas, analgésicas, anti-inflamatórias, antireumáticas e ligeiramente antiespasmódicas e sedantes, o que o faz ser muito útil nos seguintes casos:

-Dores diversas: Pela sua acção antiespasmódica e sedante, torna-se muito eficaz para aliviar toda a espécie de dores, especialmente as de tipo reumático, assim como as dores de origem genital nas mulheres, devidas a dismenorreia (regras dolorosas) ou a espasmos uterinos (1,2).

-Febre: Como febrífugo, pode-se usar em todo o tipo de doenças febris (1,2). Oferece a vantagem de tonificar o aparelho digestivo (abre o apetite, combate a pirose ou hiperacidez gástrica e detém as diarreias), graças ao conteúdo em taninos da sua casca.

Excitação nervosa: Pelo efeito sedante, especialmente das flores, usa-se em caso de nervosismo, ansiedade e insónia (3). Tem-se usado desde tempos muito antigos como antiafrodisíaco, seguindo o critério de que, se baixa a febre, também esfriará os que são demasiado ardentes no amor.

-Desinfecção da pele e das mucosas: Externamente, o salgueiro utiliza-se para lavar feridas e úlceras da pele (chagas) (4,5), assim como para irrigações vaginais em caso de leucorreia (6). Ao contrário do que possa parecer, a descoberta do ácido acetilsalicílico não substitui o uso do salgueiro. Embora seja certo que o derivado sintético (a aspirina) tem um efeito febrífugo e analgésico mais rápido e potente que o produto natural, o salgueiro tem a vantagem de não se tornar tão irritante para o estômago como a aspirina, que produz facilmente gastrites agudas, hemorragias e úlceras gastroduodenais. Ao contrário, o salgueiro tonifica o aparelho digestivo. A acção analgésica desta árvore ainda é reforçada por um efeito sedante suave que lhe está associado.

Preparação e Emprego

Uso interno

1-Decocção de 30 g de casca e/ou folhas por litro de água, durante 15-20 minutos. Deixa-se repousar outro tanto, e tomam-se 3 ou 4 chávenas por dia, que se podem adoçar com mel.

2-Pó: Pode-se obter triturando a casca num moinho de café. Administra-se dissolvido em água com mel, antes de cada refeição, à razão de 3 a 5 g (uma colherzinha de café) em cada toma.

3- Infusão com uma colherada de flores secas por chávena de água. Podem-se ingerir de 2 a 4 chávenas por dia, especialmente antes de deitar. Esta infusão tem um acentuado efeito sedativo.

Uso externo

4- Compressas com uma decocção mais concentrada do que para o uso interno: 70-100 g por litro de água.

5-Lavagens da pele com esta mesma decocção.

6-Irrigações vaginais com o líquido da decocção concentrada, bem filtrado,

Outros nomes: salgueiro, sinceiro, vimeiro-amarelo. Esp.: sauce blanco, sauce [álamo] sauce reluciente, balaquera, mimbrera, salga, salguero, saracho, saz. Fr.: saule [blanc]. lng.: [white] willow.

Habitat: Comum em bosques húmidos, margens de correntes de água e terrenos pantanosos de toda a Europa. Naturalizado no continente americano.

Descrição: Árvore ou arbusto da família das Salicáceas, de 4 a 20 m de altura, com tronco delgado, casca de cor acinzentada, gretada nos exemplares velhos, e com ramos flexíveis. As folhas são lanceoladas e estreitas, de bordo dentado.

Partes utilizadas: a casca, as folhas e as flores.

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.2, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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