Passiflora ( Passiflora incarnata L.) – Uma planta americana contra o stress

Esta planta chamou a atenção dos europeus que viajaram até ao novo mundo, os quais julgaram ver, nos diversos órgãos das suas lindas flores, os instrumentos utilizados na paixão de Cristo: o azorrague, os cravos e o martelo. A passiflora foi introduzida na Europa e cultivada como planta ornamental, até que, nos fins do século XIX, se descobriu que tinha um acentuado efeito sedativo sobre o sistema nervoso.


Propriedades e Indicações:

As flores e as folhas da passiflora contêm pequenas quantidades de alcalóides indólicos, flavonóides, diversos esteróis e pectina. Não se sabe bem a qual destas substâncias se deve a sua acção sedativa, antiespasmódica e soporífera, sendo mais provável que se deva à combinação de todas elas. As suas principais indicações são:

Ansiedade, nervosismo, stress (1): a passiflora actua como um ansiolítico suave, sem risco de dependência ou viciação. É a planta ideal para os que se encontram submetidos a tensão nervosa. O Dicionário das plantas que curam, de Larousse, diz: “Um presente que nos vem do antigo império dos Astecas, a passiflora parece ser a planta de que a nossa civilização mais necessita.”

Insónia (1): Causa um sono natural, sem que se produza depressão ou sonolência ao despertar. Devido à sua falta de toxicidade, pode ser administrada às crianças.

Dores e espasmos diversos (1): A passiflora descontrai os órgãos abdominais ocos, cuja contracção causa dor de tipo espasmódico, ou cólica: estômago, intestino (cólica intestinal), vesícula e vias biliares (cólica biliar), vias urinárias (cólica renal) e útero (dismenorreia). Na prática, o seu uso é indicado em qualquer tipo de dor, incluindo as nevralgias.

Epilepsia (1): Como tratamento complementar, a passiflora permite diminuir a frequência e a intensidade das crises epilépticas.

Alcoolismo e dependência de drogas (2): Têm-se feito interessantes experiências, administrando passiflora durante os primeiros dias da cura de desabituação do álcool, da heroína e de outras drogas. Esta planta permite que o síndroma de abstinência seja mais bem tolerado e com menor repercussão física sobre o organismo. A sua acção sedativa faz que o alcoólico ou o toxicodependente suporte melhor o desejo de consumir a droga, e possa vencer a ansiedade causada pela falta da mesma. Nestes casos, é necessária a vigilância médica.

Os frutos da passiflora (os maracujás) são ricos em provitamina A, vitamina C e ácidos orgânicos. São refrescantes e tonificantes. Recomendam-se no caso de esgotamento físico e na convalescença de doenças febris ou infecciosas.


Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão: A forma mais conveniente de tomar a passiflora é a infusão de flores e folhas. Prepara-se com 20-30 g por litro de água, e deixa-se infundir durante 2 ou 3 minutos. Convém ingerir 2 ou 3 chávenas diárias, podendo ser adoçadas com mel, e mais uma antes de deitar, no caso de insónia.

2-Nas curas de desabituação do álcool ou das drogas, administram-se infusões mais concentradas (até 100 g por litro), adoçadas com mel. A dose é regulada segundo as necessidades do doente.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

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