Nogueira (Juglans regia L.) – Desinflama a pele e as mucosas

Nogueira é uma árvore régia, como indica o seu nome científico. O seu belo porte chamou a atenção dos médicos e fitoterapeutas da antiguidade clássica, embora não tenham sabido avaliar suficientemente as suas virtudes nutritivas e medicinais. Dioscórides pensava que as nozes “aumentam a cólera” e que podiam prejudicar o estômago.

Andrés de Laguna, o médico espanhol do século XVI que traduziu as obras de Dioscórides, chega mesmo a dizer que “a sombra da nogueira é para todo o animal muito pesada e perniciosa, principalmente quando a ela adormece…”

Desde o século XVIII, as investigações no âmbito da química e da nutrição mostraram as notáveis propriedades curativas das folhas e dos frutos da nogueira. Hoje sabemos que as nozes apresentam um elevado valor nutritivo, com um conteúdo proteico semelhante ao da carne, a qual suplantam quanto à qualidade da sua gordura e quanto à sua riqueza mineral e vitamínica.

É preciso lembrar que a noz é o endocarpo ou o caroço do furto, e que o seu interior comestível é a semente.

O pericarpo ou casca das nozes verdes, conhecido como nogalina, é a parte exterior do fruto, carnuda e verde, a qual, embora não seja comestível, também é, juntamente com as folhas, usada em fitoterapia pelas suas propriedades medicinais.


Propriedades e Indicações:

As folhas e a nogalina (cascas verdes dos frutos) contêm abundantes taninos de tipo gálico e catéquicos (9%-11%), que lhe conferem a sua propriedade fortemente adstringente; assim como derivados quinónicos, dos quais o mais importante é a juglona, substância amarga que, juntamente com a vitamina C e os ácidos orgânicos, explica as suas propriedades anti-sépticas, cicatrizantes, tonificantes, vermífugas e hipoglicemiantes. Vejamos as suas principais aplicações:

Transtornos digestivos: A sua intensa acção adstringente faz que as folhas de nogueira e a nogalina (casca verde) se tornem úteis em todos os casos de diarreia, gastrenterite, colite, desarranjo intestinal e flatulências (1). A sua acção tonificante sobre os órgãos da digestão manifesta-se por um aumento do apetite, uma maior rapidez de passagem dos alimentos pelo estômago, e uma maior secreção de bílis e suco pancreático. Os dispépticos, inapetentes e convalescentes conseguirão melhorar com o seu uso.

Transtornos ginecológicos: A leucorreia (corrimento branco), a cervicite ou colpite (inflamação do colo do útero) e as úlceras do colo do útero constituem a aplicação mais importante da nogueira. A sua acção anti-inflamatória e anti-séptica é muito eficaz quando se administra em forma de irrigação vaginal (3). Mas, atenção!

Antes de aplicar qualquer tipo de tratamento em qualquer destas doenças femininas, é indispensável a exploração e a avaliação do caso por um ginecologista, a fim de se ter a certeza de não serem de origem maligna ou cancerosa.

As irrigações vaginais nunca devem ser aplicadas durante a gravidez. Para obter um efeito mais intenso, recomenda-se tomar a infusão (1), além das aplicações locais.

Uretrite (inflamação da uretra ou canal da urina) e cistite (inflamação da bexiga): Aplica-se uma decocção de folhas e,/ou nogalina (cascas verdes) (3) por meio de uma sonda urinária, para aliviar o prurido e a irritação que se sente quando se urina, e desinflamar as mucosas urinárias.

Afecções da pele e das mucosas: A aplicação de uma decocção de folhas de nogueira ou de nogalina (casca verde) sobre a pele é muito benéfica sempre que se pretenda uma acção adstringente, cicatrizante e anti-inflamatória: eczema, impetigo (crostas amarelas), foliculite, tinha, chagas e úlceras que não cicatrizam. As frieiras, as anginas, as faringites, as conjuntivites e as hemorróidas, são outras das muitas afecções que melhoram notavelmente com a sua aplicação (3).

Parasitas intestinais: A acção vermífuga é mais intensa nas cascas dos frutos verdes (nogalina) do que nas folhas (2)

Diabetes: As folhas e a casca dos frutos têm um suave mas comprovado efeito hipoglicemiante (fazem descer o nível de açúcar no sangue) (1). Ainda que só por si se tornem insuficientes para o tratamento da diabetes, podem ser um complemento útil de outras medidas dietéticas, pois permitem reduzir a dose de fármacos antidiabéticos.

As sementes dos frutos, isto é, as nozes, contêm 15% de proteínas de alto valor biológico, 60% de gorduras formadas por ácido linoleico e linolénico, e quantidades importantes de cálcio, fósforo e vitaminas A, B1, B2 e B6. Bem mastigadas, são um alimento muito nutritivo, apropriado para desportistas, estudantes e jovens em idade de crescimento. São de recomendar àqueles que sofram de esgotamento, astenia ou transtornos do sistema nervoso. Segundo se tem podido comprovar, o consumo habitual de nozes reduz o nível do colesterol no sangue.


Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão com 10-20 g de folhas e/ou nogalina (cascas verdes) por litro de água. Tomar 3-4 chávenas por dia. Esta infusão não se deve ingerir juntamente com outras plantas ou preparados farmacêuticos que contenham sais de ferro, gelatina, mucilagens ou alcalóides, que podem neutralizar as suas propriedades. O ideal é tomá-la sozinha, ou adoçá-la com mel se necessário.

2-Decocção com 20 g de nogalina (cascas verdes) por litro de água.  Ingerem-se como vermífugo duas chávenas diárias.

 

Uso externo

3-Decocção com 100 g de folhas e/ou nogalina (cascas verdes) num litro de água, fazendo-a ferver durante 15 minutos. Aplica-se em irrigações vaginais, em lavagens à uretra, lavagens aos olhos (conjuntivite), em banhos de assento (hemorróidas), em lavagens ou compressas sobre a pele, ou em gargarejos (faringite).

Recomendam-se duas ou três aplicações por dia.


Sinonímia científica: Juglans duclouxiana Dode

Outros nomes: Esp.: nogal [común], nogal europeo, nuez europea, nuez común, nuez de Castilla, nocedo, noguera, noguero. Fr.: noyer. Ing.: [English] walnut, European walnut.

Habitat: Originária da Ásia Central, encontra-se difundida por toda a Europa Central e Meridional, assim como por todo o Norte do continente americano. Prefere os vales abrigados e os terrenos arenosos.

Descrição: Árvore de até 30 m de altura, da família das Juglandáceas. A sua casca é de cor acinzentada, e as folhas têm um longo pecíolo. Apresenta dois tipos de flores, as masculinas e as femininas. O fruto é uma drupa.

Partes utilizadas: As folhas e os frutos.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.2, de Jorge D. Pamplona Roger