Ginkgo (Ginkgo biloba L.) – Melhora os transtornos circulatórios

Dia 6 de Agosto de 1945: Tudo são ruínas calcinadas em Hiroshima. A cidade japonesa acaba de ser destruída pelo lançamento da primeira bomba atómica.

No que era um parque público, um majestoso ginkgo ardeu como se fosse estopa.

Para surpresa dos sobreviventes, na Primavera seguinte à catástrofe, quando ainda a cidade continuava a ser pouco mais do que um montão de escombros, brota uma gema dos restos do cepo carbonizado. O velho ginkgo volta a rebentar, até se transformar de novo na bela árvore que hoje podemos encontrar no centro da Hiroshima reconstruída.

A longevidade e resistência desta árvore asiática parece estar de acordo com a sua virtude de ajudar os humanos a enfrentar os transtornos da velhice.

A medicina chinesa tem vindo a usar, desde há quase 5000 anos, cataplasmas de folhas de ginkgo para combater as incómodas frieiras. As suas notáveis propriedades têm sido objecto de numerosas investigações científicas, e actualmente faz parte de vários preparados farmacêuticos.


Propriedades e Indicações:

As folhas contêm glicósidos flavonóides, quercitina, luteolina, catequinas, resina, óleo essencial, lípidos e certas substâncias, do grupo dos terpenos, específicas do ginkgo: bilobálido e ginkgólidos A, B e C.

Como é comum em fitoterapia, os efeitos da planta devem-se à acção conjunta de todos os seus componentes, não tendo sido possível atribuir os efeitos do ginkgo a nenhum deles em concreto.

O ginkgo actua sobre todo o sistema circulatório, melhorando tanto a circulação arterial como a capilar e a venosa:

Acção vasodilatadora: Aumenta a perfusão (irrigação sanguínea) diminuindo as resistências periféricas nas pequenas artérias. Compensa em parte os transtornos produzidos pela arteriosclerose.

Acção protectora capilar: Diminui a permeabilidade dos capilares, reduzindo o edema (acumulação de líquidos nos tecidos).

Acção tónica venosa: Tonifica as paredes das veias, diminuindo a acumulação de sangue nelas e facilitando o retorno sanguíneo.

São estas as suas indicações:

*Insuficiência circulatória (1) cerebral (falta de irrigação sanguínea no cérebro), que se manifesta por vertigens, cefaleia, acufénos (zumbidos nos ouvidos), perda do equilíbrio, transtornos da memória e sonolência, entre outros sintomas. “Alivia a cabeça”, afirmam aqueles que usam o ginkgo.

*Sequelas de acidentes (1) vasculares cerebrais (tromboses, embolias, etc.) : Acelera a recuperação e melhora a motilidade destes pacientes.

*Arteriopatias dos membros inferiores (falta de irrigação nas pernas) (1,2,3,4): permite andar maior distância sem ter de parar por motivo de dor.

*Angiopatias (doenças dos vasos sanguíneos) e transtornos vasomotores (1,2,3,4): doença de Reynaud, fragilidade vascular, acroparestesias (pés ou mãos “dormentes”), frieiras.

*Varizes, flebites, pernas cansadas, edemas maleolares (tornozelos inchados) (1,2,3,4).

Nestas afecções circulatórias, recomenda-se combinar o uso por via oral com as aplicações externas (compressas, cataplasmas, manilúvios e pedilúvios).

O ginkgo tolera-se muito bem, não faz subir a pressão arterial e não apresenta efeitos secundários indesejáveis.


Preparação e Emprego

Uso interno

1-Infusão: 40-60 g de folhas por litro de água. Tomam-se 3 chávenas diárias.

 

Uso externo

2-Compressas com a mesma infusão, embora mais concentrada (até 100 g por litro). Aplicam-se sobre as mãos ou os pés com problemas circulatórios.

3-Cataplasmas de folhas esmagadas, sobre a zona afectada.

4-Manilúvios (banhos de mãos) e pedilúvios (banhos de pés) com uma infusão de até 100 g de folhas de ginkgo por cada litro de água. Aplicam-se tépidos ou quentes, 1 a 2 vezes por dia.

Os melhores resultados obtêm- se combinando o uso interno por via oral, com a aplicação externa.


Outros nomes: Esp.: ginkgo, árbol de oro, árbol de las pagodas. Fr.: ginkgo, noyer du Japon. Ing.: ginkgo, maidenhair tree.

Habitat: Oriundo da China, Japão e Coreia, espalhou-se como árvore ornamental pelos parques e vias públicas de algumas regiões temperadas da Europa e da América.

Descrição: Árvore da família das Ginkgoáceas, que pode atingir até 30 m altura. É dióica (pés masculinos e femininos diferentes), de folhas caducas, grossas, elásticas, que desde jovens se acham divididas em dois lóbulos.

Os seus frutos são drupas amarelas, comestíveis enquanto frescas, mas malcheirosas quando demasiado maduras.

Partes utilizadas: as folhas.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

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