Fidalguinhos (Centaurea cyanus L.) – Um bom remédio para os olhos

Os fidalguinhos salpicam as douradas searas a partir do fim da Primavera, com o gracioso azul das suas flores. Desde tempos muito antigos que a semente do cereal se tem misturado com sementes desta planta, e assim viajaram juntas, espalhando-se por todo o mundo.

Plínio, o Velho, naturalista romano do primeiro século da nossa era, descreve os fidalguinhos como “uma flor incómoda para os ceifeiros”, que sem dúvida procuravam evitá-la com as suas foices ou gadanhas. Acerca desta delicada planta, pouco mais chegou até nós escrito pelos autores clássicos da antiguidade.

As suas virtudes medicinais foram descobertas por Mattioli, botânico do século XVI, que afirma que «as flores azuis dos fidalguinhos desinflamam os olhos avermelhados”. A esta combinação de cores opostas, azul contra vermelho, pensou Mattioli que se deviam as virtudes curativas desta planta, de acordo com a teoria dos sinais.

Nos nossos dias, os herbicidas e os processos de selecção das sementes de cereal estão a acabar com os fidalguinhos, como se se tratasse de mais uma erva daninha.

Propriedades e Indicações:

As flores contêm antocianinas e poliinos de acção anti-séptica e anti-inflamatória; princípios amargos, que actuam como aperitivos e eupépticos (facilitam a digestão); e flavonóides com um suave efeito diurético.

As flores tomam-se em infusão, antes das refeições (1). É preferível não adoçar.

A água de fidalguinhos, obtida por decocção das suas flores, usa-se sobretudo pelo seu notável efeito anti-inflamatório, aplicada sobre o pólo anterior dos olhos.

As lavagens e banhos oculares com água de fidalguinhos aliviam eficazmente o ardor e a irritação dos olhos. Também devolvem um aspecto fresco e limpo às pálpebras carregadas. Por isso em muitos sítios de Espanha se dá a esta planta o nome de ‘ojeras’ (olheiras). As pessoas que lavam os olhos com água de fidalguinhos têm um olhar limpo e brilhante, que resplandece como as suas florezinhas azuis nos loiros trigais.

São estas as indicações mais importantes da água de fidalguinhos:

Conjuntivite (inflamação da membrana mucosa que cobre a parte anterior dos olhos) (2,3,4): Os banhos oculares com água de fidalguinhos, e também os colírios, ajudam a eliminar as secreções (remelas), e fazem desaparecer a congestão ocular.

Blefarites (inflamações das pálpebras), e terçóis (pequenos furúnculos que se formam no bordo da pálpebra) (2,3). Nestes casos recomenda-se aplicar a água de fidalguinhos em forma de compressas ou de banho ocular.

Antigamente pensava-se que os fidalguinhos eram capazes de aclarar e conservar a vista, ainda que unicamente àqueles que tinham olhos azuis. Por isso, em francês, se chama a esta planta ‘casse-lunettes’ (quebra-óculos). Hoje sabemos que se trata de uma lenda, mas, seja como for, recordemos que os fidalguinhos são grandes amigos dos olhos.

Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão: 20-30 g de flores jovens por litro de água. Toma-se uma chávena antes de cada refeição.

Uso externo

Água de fidalguinhos: Para obtê-la faz-se uma decocção com as flores, de preferência frescas, na proporção de uns 30 g (2 colheradas) por litro de água. Deixar-se ferver durante cinco minutos. Aplica-se sobre os olhos quando estiver tépida, de uma das seguintes maneiras:

2-Compressas: Empapar uma gaze e mantê-la uns quinze minutos sobre os olhos, duas ou três vezes por dia.

3-Banho ocular: Por meio de um recipiente adequado, ou simplesmente escorrendo sobre o olho afectado uma gaze limpa embebida em água de fidalguinhos. A água deve cair do lado da fonte para o nariz.

4-Colírio: Umas gotas de água de fidalguinhos no olho, três vezes por dia.

Outros nomes: lóios, lóios-dos-jardins, saudades, ambretas. Brasil: escovinha, centáurea, centáurea-azul, cinerária, sultana. Esp.: aciano, azulejo, ojeras. Fr.: bleuet. Ing.: corn-flower, bIue-bottle.

Habitat: Crescem sobretudo nos campos de cereais de toda a Europa, embora tenham sido exportados para outros continentes, como o americano. Em Portugal esta planta ainda aparece nalgumas searas, embora tenda a desaparecer com a utilização dos herbicidas.

Descrição: Planta de caule fino, da família das Compostas, que atinge até meio metro de altura. As flores são compostas, de um azul intenso. As tolhas, muito finas, aparecem cobertas por um suave veludo.

Partes utilizadas: as flores.

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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