énula

Énula (Inula helenium L.) – Antitússica e antibiótica

Segundo a mitologia grega, esta planta surgiu das lágrimas de Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta e causador da guerra de Tróia.

A énula é uma das plantas cuja reputação se manteve sempre elevada. As suas virtudes medicinais foram exaltadas pelos médicos, botânicos e naturalistas mais famosos de toda a história: Teofrasto, Dioscórides e Aristóteles, na Grécia; Plínio, o Velho, em Roma; Alberto, o Grande, e Santa Hildegarda, durante a Idade Média; Mattioli e Laguna, no Renascimento.

Andrés de Laguna, tradutor e comentarista das obras de Dioscórides para castelhano, dizia no século XVI: “Comida a énula, faz esquecer as tristezas e angústias do coração, conserva a formosura de todo o corpo, e desperta a virtude genital,” Que mais se poderá pedir a uma planta?

A énula continua a manter o seu prestígio hoje, já não baseado na mitologia, mas nas investigações científicas que sobre ela se estão a realizar.

Ultimamente, revelaram-se as suas propriedades antibióticas: a énula mostrou-se eficaz, in vitro, contra o bacilo de Koch, causador da tuberculose.

Propriedades e Indicações:

Toda a planta, e especialmente a raiz, contém uma essência, composta por uma mistura de lactonas sesquiterpénicas, assim como helenina (conhecida também como cânfora de inula). Esta essência possui propriedades expectorantes, antiússicas, antibióticas, coleréticas e colagogas. Contém igualmente fructosanos e inulina (um glícido), a que se deve a sua acção diurética em uso interno, e vulnerária e parasiticida quando se aplica externamente sobre a pele. As suas indicações mais importantes são:

Afecções respiratórias: Em todas as formas de bronquite e catarros brônquicos, facilita a expectoração e acalma a tosse (1,2,3). Além disso, apresenta uma acção antimicrobiana sobre os germes que infectam a mucosa bronquial. Torna-se muito útil nas bronquites com tosse seca, que com frequência seguem à gripe. Nos casos de tuberculose pulmonar, acalma a tosse e tem um efeito tonificante sobre todo o organismo, pelo que é um bom complemento do tratamento antituberculoso.

Asma alérgica: Possui ainda uma acção antiespasmódica e antialérgica, pelo que o seu uso é especialmente indicado nos casos de bronquite asmática e asma brônquica de origem alérgica, assim como noutras manifestações alérgicas.

Transtornos digestivos: Pela sua acção colerética (aumenta a produção de bílis no fígado) e colagoga (estimula o esvaziamento da vesícula biliar), actua como um tónico da digestão e favorece as funções hepáticas e biliares. Tem também um efeito aperitivo. É útil no casos de gastrite e de dispepsia (má digestão) (1,2,3).

Afecções da pele: Pelo seu efeito vulnerário e parasiticida (destrói os parasitas), emprega-se externamente com êxito no tratamento da sarna, pediculose (infestação por piolhos), eczemas, prurido cutâneo (comichão na pele), e erupções diversas (4).

Preparação e emprego

Uso interno

1-Decocção: 40-50 g de raiz, seca e cortada em pequenas rodelas, por litro de água. Deve deixar-se ferver em lume brando durante 15 minutos. Tomam-se 4-5 chávenas diárias, adoçadas com mel, repartidas ao longo do dia.

2-Pó ou extracto seco: Administram-se de 4 a 10 g por dia, repartidos em 3 tomas diárias.

3-Essência: A dose habitual é de 2-4 gotas, 3 vezes ao dia.

Uso externo

4-Compressas de algodão empapadas na mesma decocção que se emprega internamente. Aplicam-se durante 15 minutos, sobre a zona afectada, 3 vezes por dia.

Outros nomes: énula-campana, inula-campana. Brasil: inula, inulina. Esp.: helenio, ínula, hierba del moro, raíz del moro, [hierba del] ala, hierba campana. Fr.: [grande] aunée, inule aunée. Ing.: elecampane.

Habitat: Oriunda do Centro da Ásia, mas espalhada por toda a Europa e América. Cria-se nos prados e lugares húmidos, quase sempre perto dos sítios de antigas plantações. Cultivada em Portugal como planta ornamental.

Descrição: Planta vivaz da família das Compostas, que atinge até 2 m de altura. O caule é robusto e erecto, e as folhas grandes e finamente dentadas. Os capítulos florais são de cor amarela clara, e acham-se rodeados de numerosas brácteas.

Partes utilizadas: a raiz.

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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