Cebola (Allium cepa L.) – Ideal para bronquíticos, artríticos e reumáticos

Quem nunca chorou por ter tido de enfrentar uma cebola! Segundo Andrés de Laguna, século XVI, as mulheres da sua época usavam-na, dizia ele, «quando, não conseguindo chorar, querem provocar umas lagrimazinhas para enternecer os seus asnos [leia-se maridos]”. Também usavam a cebola as carpideiras profissionais que eram contratadas para “fazer ambiente” nos funerais, com os seus prantos.

De certeza que nem umas nem outras tinham conhecimento das maravilhosas propriedades deste lacrimogéneo vegetal. Os antigos médicos caldeus, egípcios, gregos e romanos, esses sim, conheciam-nas bem e utilizavam bastante a cebola como planta medicinal.

“Contigo, pão e cebola.” Trata-se de um ditado espanhol atribuído aos amantes, fazendo alusão à aparente simplicidade e humildade deste bolbo comestível. No entanto, a moderna investigação bioquímica descobriu nela extraordinárias propriedades medicinais: A cebola é antibiótica, antidiabética, afrodisíaca (apesar do seu cheiro), e até preventiva do cancro intestinal.

Não é sem razão que é um dos elementos fundamentais da saudável “dieta mediterrânica”, tanto crua, em saladas, como nos mais diversos pratos cozinhados, sempre temperada, naturalmente, com bom azeite de oliveira.

Comer uma cebola por dia é garantia de saúde. E, ainda que para prepará-la tenhamos de chorar um pouco, a longo prazo far-nos-á rir de felicidade.


Propriedades e Indicações:

Toda a planta contém uma essência volátil rica em glicósidos sulfurados, dos quais o mais importante é o bissulfureto de alilpropilo. É a esta essência que se deve a maior parte das suas propriedades. Contém igualmente abundantes enzimas (fermentos), de acção dinamizadora sobre a digestão e o metabolismo; oligoelementos (enxofre, ferro, potássio, magnésio, flúor, cálcio, manganésio e fósforo); vitaminas (A, complexo B, C, E);flavonóides de acção diurética; e uma hormona vegetal de acção antidiabética, a glicoquinina.

As virtudes salutíferas e curativas da cebola são semelhantes às do alho, o qual, em vez do bissulfureto de alilpropilo, contém um composto semelhante, o bissulfureto de alilo. As propriedades da cebola são as seguintes:

Antibiótica: O sumo da cebola crua comporta-se como um autêntico antibiótico, com actividade comprovada contra diversas bactérias que habitualmente causam infecções na pele, entre as quais o estafilococo dourado. Por isso se usa para curar feridas e furúnculos, abcessos, queimaduras (evita que se infectem e acelera a sua cicatrização), gretas da pele e acne. Em todos estes casos aplica-se esmagada em forma de cataplasma (6), ou então o sumo fresco em loção ou em compressas (5). Para fazer amadurecer os abcessos, pode-se aplicar também uma cataplasma quente de cebola cozida ou assada (6).

Expectorante e peitoral: Pela sua acção antibiótica, mucolítica (facilita a expulsão da mucosidade, tornando-a mais fluida) anti-inflamatória, torna-se um remédio ideal no caso de afecções respiratórias: catarros das vias respiratórias, sinusite, laringite, bronquite, tosse, asma brônquica, enfisema pulmonar. O xarope de cebola com mel é uma forma tradicional de administrá-la nestes casos (4). Os gargarejos com caldo de cebola (7) desinflamam a faringe e são muito úteis no caso de amigdalite (anginas).

Hipotensora, diurética, depurativa: Muito recomendável para os hipertensos, os obesos, os reumáticos, os artríticos e os gotosos, assim como para os doentes renais (1,2,3). Apropriada também nos casos de nefrose e albuminúria, retenção de líquidos, areias e cálculos urinários. Alcaliniza notavelmente o pH (reduz a acidez) da urina, com o que favorece a eliminação do ácido úrico e de outros resíduos tóxicos do metabolismo.

Fluidificante do sangue: A cebola é muito recomendável para aqueles que sofrem de trombose (tendência para a formação de trombos ou coágulos no sangue), fazendo que o sangue seja mais fluido e que circule melhor (1,2,3). Isto deve-se a que, como foi possível comprovar (revista Preventive Medecine, vol. 16, pág. 670), a cebola contém substâncias fibrinolíticas, que desfazem os coágulos sanguíneos e impedem que se formem em excesso. Também está demonstrado que a cebola actua como um antiagregante plaquetário, impedindo a tendência excessiva de as plaquetas sanguíneas se agruparem formando trombos ou coágulos.

Vermífuga: Eficaz contra os ascarídeos (lombrigas) e os oxiúros (pequenos vermes brancos que causam ardência no ânus das crianças). Neste caso tem de ser comida crua (1,2).

Hipoglicemiante: Pela acção da glicoquinina, faz descer o nível de glicose no sangue (1,2,3). Como complemento no tratamento da diabetes, permite reduzir a dose de insulina ou de fármacos antidiabéticos.

Tonificante digestiva e geral do organismo: Aumenta todas as secreções digestivas (gástrica, intestinal, pancreática), com o que melhora a digestão dos alimentos (1,2,3). Por isso mesmo, não convém aos que sofram de hiperacidez e de úlcera gastroduodenal em fase de actividade. Estimula a função metabólica e desintoxicadora do fígado, pelo que se torna altamente recomendável aos que sofram de alguma doença do fígado: hepatite crónica, doença gorda do fígado, cirrose e insuficiência hepática.

Pela sua acção antibiótica e anti-séptica, regula a flora intestinal, travando os processos de putrefacção em que se libertam substâncias tóxicas muito irritantes, como o indol e o escatol. Estas substâncias relacionam-se com o aparecimento de cancros no cólon e no recto. Daí o efeito preventivo da cebola contra o cancro intestinal.

A acção tonificante geral deve-se ao seu conteúdo em enzimas, que activam o metabolismo e que estimulam a produção de sangue (efeito antianémico), fornecendo ferro e oligoelementos.

O efeito afrodisíaco que se lhe atribui, supõe-se que seja devido à revitalização geral que produz.

-Cosmética: Aplicada externamente. estimula o crescimento do cabelo: suaviza e embeleza a pele; limpa as peles sujas, com borbulhas e acne (5,6). Para obter um resultado mais intenso, recomenda-se combinar a aplicação externa com o uso interno.


Preparação e emprego

Uso interno

1-Crua: Sempre que se possa, e que o estômago o tolere (convém acostumá-lo com doses progressivas), deve-se comer a cebola crua, pois é como produz maior efeito. Geralmente, come-se cortada ou ralada em salada (com azeite e limão). A dose terapêutica mínima recomendável é de uma cebola média diária, e, a máxima, segundo a tolerância.

2-Sumo fresco obtido com uma liquidificadora, misturado com limão, com mel ou com sumo de cenoura ou tomate, e tomado às colheradas. Toma-se meio copo, duas ou três vezes por dia.

3-Cebola cozida ou assada: Perde completamente a acidez e o ardor, pelo que é muito bem tolerada por todos os estômagos, ainda que à custa da perda de uma percentagem dos princípios activos, e sobretudo de uma redução do seu efeito antibiótico. No entanto, assim, tem a vantagem de poder ser comida em maior quantidade sem rejeição. Se as cebolas forem cozidas em água, deve-se beber o caldo, que é muito rico em princípios activos. A dose mínima recomendável, no caso das cebolas cozidas ou assadas, é de duas ou três cebolas por dia, juntamente com o seu caldo.

4-Xarope de cebola: O xarope de cebola torna-se muito útil contra as afecções respiratórias. Prepara-se cozendo várias cebolas cortadas às rodelas com um pouco de água e mel ou açúcar (de preferência escuro). Formar uma pasta homogénea e tomar às colheradas.

 

Uso externo

5-Sumo fresco: Aplica-se sobre a pele em loção ou empapando compressas.

6- Cataplasmas de cebola cozida: Ideais para fazer amadurecer os abcessos e furúnculos. Também dá muito resultado aplicar directamente as cascas grossas da cebola cozida, quentes, sobre a pele.

7-Gargarejos com o caldo em que se cozeram as cebolas.


Outros nomes: Esp.: cebolla. Fr.: oignon. Ing.: onion.

Habitat: Planta originária da Pérsia e do Médio Oriente, que se encontra cultivada em todo o mundo.

Descrição: Planta vivaz bolbosa, da família das Liliáceas, que chega a atingir um metro de altura, Durante o seu primeiro ano forma o bolbo, e no segundo desenvolve o caule, floresce e frutifica.

Partes utilizadas: o bolbo.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger


Nota: para que a cebola tenha as propriedades indicadas é necessário que esta tenha as condições necessárias para que as desenvolva.