chagas

Chagas ( Tropaeolum majus L.) –  Antibiótico natural de provada eficácia

As chagas, ou a chagueira, planta originária do Peru, é, juntamente com a batata, o tomate e o milho, um dos valiosos presentes do continente americano ao continente europeu. Àqueles conquistadores espanhóis, assombrados por verem diante dos seus olhos tantas espécies que desconheciam – plantas, aves, insectos- , é bem possível que a chagueira lhes tenham chamado a atenção como simples planta ornamental.

E foi com esta intenção que a trouxeram para o velho mundo. No entanto, logo se evidenciaram as suas notáveis propriedades medicinais. Segundo parece, foi Francisco Hernández o primeiro a escrever sobre as virtudes desta planta, na sua obra Historia de las plantas de México, publicada em 1615.

Foi há alguns anos já que a investigação farmacêutica confirmou, por meio de análises químicas e provas de laboratório, que as propriedades medicinais atribuídas a esta planta tinham sólido fundamento. Tanto nas suas folhas como nas flores e nos frutos, encontra-se uma substância com acção antimicrobiana, que actua como um verdadeiro antibiótico bacterioestático, impedindo a reprodução de numerosos microrganismos patogénicos (Bacillus subtilis, Bacillus coli, enterobactérias do género Salmonella, estafilococos, pneumococos, etc.). Quantas boas surpresas como esta nos farão muitas outras plantas humildes, quando forem analisadas e estudadas a fundo?

Os antibióticos são substâncias produzidas por certos seres vivos, para destruir ou impedir o crescimento de outros seres vivos.

A imensa maioria dos antibióticos que se usam em terapêutica são produzidos por fungos ou bactérias. As chagas são uma das poucas plantas superiores conhecidas, capazes de produzir uma substância natural de acção antibiótica, que apresenta, além disso, as seguintes vantagens sobre os antibióticos convencionais:

*Não destrói a flora bacteriana que normalmente existe no tubo digestivo. Com esta planta, não aparece diarreia nem desarranjo intestinal, sintomas frequentes quando se tomam outros antibióticos por ria oral.

*Não provoca sensibilizações nem reacções alérgicas, tão frequentes com o uso de outros antibióticos.

* De aplicação fácil e cómoda: Não precisa de ser injectada por meio de agulha, nem aplicada na forma de um incómodo supositório. Pode comer-se como uma apetitosa verdura, em salada, que ainda por cima tem um agradável sabor que lembra o da mostarda.

Propriedades e Indicações:

Todas as partes da planta contêm um glicósido sulfurado, a glicotropeolina, que, pela acção da mirosina, uma enzima contida na mesma planta e que se liberta quando esta é partida ou triturada, produz, entre outras substâncias, um óleo essencial sulfuroso de potente acção antibiótica. Depois de ter sido ingerida a planta, este óleo essencial passa para o sangue e é eliminado através das vias respiratórias e urinárias. Nestes órgãos, atinge uma maior concentração e desenvolve o seu efeito antimicrobiano, impedindo o crescimento e a multiplicação das bactérias. Isto determina que as duas indicações mais importantes para o uso das chagas sejam:

Infecções das vias respiratórias: sinusite, rinite, faringite, e especialmente bronquite, tanto agudas como crónicas. O doutor Leclerc, distinto médico fitoterapeuta francês, afirma que, com o uso desta planta, «a expectoração do bronquítico se fluidifica, e de mucopurulenta passa a ser simplesmente mucosa» (acção mucolítica).

Também se torna útil em gripes e constipações, devido a que o seu princípio activo de acção antibiótica impregna todo o aparelho respiratório, descongestionando os brônquios e acalmando a tosse (1,2).

Infecções das vias urinárias: pielonefrite (da pelve renal e do rim), e cistite (da bexiga) (1,2) .O doutor Schneider refere experiências que mostram que, nove horas depois de se ter ingerido uma salada de chagas, ainda se detecta na urina o seu princípio activo de acção antibiótica.

Além das suas propriedades antibióticas, a planta possui mais as seguintes:

Favorece as funções da pele, devido ao seu elevado conteúdo de enxofre. Aplicada localmente, tem um efeito cicatrizante sobre as feridas e úlceras.

Regenera e devolve o aspecto saudável à pele seca; mas sobretudo estimula o bulbo piloso (a raiz do pêlo), revitalizando o cabelo e inclusivamente fazendo-o crescer. Por isso a chagueira é uma das plantas que mais se usam nos tratamentos contra a calvície.

Recomenda-se que, para que o seu efeito seja mais intenso, se rape a cabeça antes de fazer a aplicação da planta (4).

Tonificante e revigorizante: Talvez pelo seu elevado conteúdo em vitamina C (285 mg por cada 100 g de folhas frescas, enquanto, por exemplo, o limão tem 50 mg por 100 g de polpa) (1,2).

Reguladora menstrual: Segundo Mességué, os banhos de assento com flores ou frutos da chagueira regulam e normalizam as regras (3).

Afrodisíaca: Além do mais, parece que, com certo fundamento, se lhe atribuem efeitos afrodisíacos (1,2). Um dos seus nomes vulgares é flor-do-paraíso, e há mesmo quem lhe chame (em espanhol) “flor de amor”. Tire a prova!

Preparação e emprego
Uso interno

1-Salada (como tonificante e aperitivo): Usam-se as flores e as folhas bem tenras. Combina muito bem com a alface.

2-Infusão ou decocção: Prepara- se com 30 g de flores, folhas e frutos por cada litro de água. Bebe- se uma chávena de quatro em quatro horas.

Uso externo

3- Banho de assento: Um punhado de flores ou de frutos por cada litro de água. O banho tem de ser quente.

4-Loções: Triturar dois punhados (cerca de 100 g) de folhas, flores e sementes frescas de chagueira. Deixam-se macerar, em meio litro de álcool de 96 graus, durante duas semanas. Pode-se acrescentar à maceração 10 folhas de urtiga, 5 folhinhas de buxo e uma colherada de alecrim. Filtra-se e, com o líquido obtido, esfrega-se energicamente o couro cabeludo.

Outros nomes: chagueira, capuchinhas, mastruço-do-peru, flor-de-pavão, flor-do-paraíso. Esp.: capuchina, espuela de galán, cachaco de muladar, jacinto, mastuerzo de Indias. Fr.: capucine. Ing.: nasturtium.

Habitat: Vulgar nas regiões temperadas da maior parte da América e da Europa. Cultiva-se como planta ornamental em vasos e jardins.

Descrição: Planta herbácea anual, da família das Tropeoláceas, que costuma crescer como trepadeira. Folhas arredondadas, com cinco lóbulos. Flores muito vistosas, de cor alaranjada ou vermelha, com cinco pétalas.

Partes utilizadas: as folhas, as flores e os frutos.

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.2, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé