Bodelha (Fucus vesiculosus L.) – Combate a obesidade e a celulite

As algas são vegetais aquáticos, providos de clorofila ou outros pigmentos, cujo tamanho pode ser microscópico (algas unicelulares) ou igualar o de uma planta terrestre (algas multicelulares). Na China e no Japão, o uso das algas como alimento perde-se na memória dos tempos.

Os fitoterapeutas dos séculos passados, observando as vesículas da bodelha cheias de ar (flutuadores), pensaram que, segundo a teoria dos sinais, seria útil contra a papeira e as escrófulas (inflamação dos gânglios do pescoço, frequentemente de origem tuberculosa).

A investigação científica moderna confirmou a sua utilidade nestas afecções, mas sobretudo descobriu interessantes propriedades que a tornam muito recomendável contra a obesidade e a celulite, tão frequentes hoje no mundo desenvolvido.


Propriedades e Indicações:

A bodelha ou alga-vesiculosa, seca, contém cerca de 65% de glícidos, entre os quais se destaca o ácido algínico (12%-18%) e a fucoidina ( polissacárido mucilaginoso); 15% de sais minerais, especialmente iodo, assim como potássio e bromo; 5% de proteínas; e 1%-2% de lípidos. Também contém carotenos e vitaminas A, B, C e E. É possível que contenha ainda pequenas quantidades de vitamina B12, por se encontrar frequentemente contaminada com algas microscópicas que são as verdadeiras produtoras desta vitamina. Isto torna a bodelha muito interessante para quem deseje seguir uma dieta estritamente vegetariana.

A bodelha tem propriedades antiescorbúticas, nutritivas, remineralizantes, depurativas e laxantes suaves; mas actua sobretudo ajudando o emagrecimento, reduzindo a celulite, e tonificando a glândula tiróide. As suas aplicações fundamentais são as seguintes:

Absorvente e anorexigénia (tira a fome): O ácido algínico e os alginatos que dele derivam, assim como as restantes mucilagens contidas na bodelha, têm a faculdade de absorver a água numa quantidade de até seis vezes o seu próprio peso. Graças a esta propriedade, incham no estômago e produzem sensação de saciedade. Deste modo a bodelha torna-se um remédio de grande utilidade no tratamento da obesidade causada por bulimia (excesso de apetite) (1,2,3).

Digestiva: A bodelha absorve o suco gástrico, diminuindo a acidez. Contém em caso de gastrite e refluxo esofágico, hérnia do hiato, e outras causas de pirose ou hiperacidez (1,2,3).

Nutritiva, remineralizante e antiescorbútica: A bodelha fornece sais minerais, vitaminas, proteínas e outros elementos nutritivos, os quais evitam que, durante as curas de emagrecimento prolongadas, se produzam estados carenciais ou de desnutrição (1,2,3).

Laxante suave: A acção desta alga contra a obesidade é reforçada pelo seu efeito ligeiramente laxante e emoliente, devido à sua grande riqueza em mucilagem (1,2,3).

Tonificante da tiróide: Esta alga possui uma elevada concentração de iodo e de iodetos orgânicos: 150 mg por quilograma de alga (para obter esta mesma quantidade de iodo da água do mar seriam precisos uns 3000 litros). O iodo torna-se imprescindível para que a glândula tiróide produza tiroxina, hormona que facilita a combustão dos nutrientes que ingerimos e activa assim o metabolismo. Pelo seu conteúdo em iodo orgânico, utiliza-se como tratamento complementar do hipotiroidismo, associado ou não a bócio. Nestes casos, recomenda-se o conselho do médico. A bodelha pode-se tomar por via oral em qualquer das suas formas de preparação (1,2,3). Além disso podem-se aplicar sobre o pescoço compressas empapadas com a sua decocção (4).

Emoliente: Em aplicação externa sobre a pele, sob a forma de compressas (4) ou de cataplasmas (5), a bodelha é suavizante e anti-inflamatória, favorece a eliminação de cloretos e ajuda a reduzir o volume de tecido adiposo. Tudo isto a torna muito útil em caso de celulite, rugas, estrias e flacidez da pele (4,5).


Preparação e emprego

Uso interno

1- Alga fresca: Come-se à maneira de verdura, embora o seu sabor não agrade a toda a gente.

2-Decocção ou infusão de extracto seco da alga, à razáo de 15-20 g por litro de água. Tomam-se 3 ou 4 chávenas por dia.

3-Pó: Administra-se em cápsulas. A dose habitual é de 0,5-2 g, de uma a três vezes ao dia.

Nas curas de emagrecimento, deve tomar-se de qualquer das formas indicadas, quinze minutos antes das refeições. Assim se consegue que exerça uma maior acção anorexigénia (que tira o apetite). Nos restantes casos, pode-se tomar com a refeição ou depois da mesma.

 

Uso externo

4-Compressas empapadas no líquido da decocção, aplicadas quentes sobre as zonas afectadas, 2 ou 3 vezes por dia, durante 10 a 15 minutos.

5- Cataplasmas preparadas com a alga fresca, previamente aquecida numa caçarola com água. Aplicam-se quentes sobre a pele afectada durante 10 a 15 minutos,3 ou 4 vezes por dia.


Outros nomes: alga-vesiculosa , botelho, botilhão-vesiculoso, carvalho-marinho, carvalhinho-do-mar, fuco, sargaço-vesiculoso, vareque-vesiculoso. Esp.: fucus, sargazo vejigoso, fuco, encina de mar. Fr.: varech, fucus vésiculeux. Ing.: sea ware, wrack, bladder fucus.

Habitat: Rochas e praias da costa atlântica europeia, desde a Noruega até à península Ibérica, onde abunda especialmente nas rias galegas e na foz do Tejo. Frequente nas praias de toda a costa portuguesa.

Descrição: Alga da família das Fucáceas, de cor castanha, cujo talo é formado por lâminas com a forma de faixas que aderem pela base às rochas submersas. Estas lâminas contêm umas vesículas cheias de ar (aerocistos) que as mantêm erguidas. Na extremidade localizam-se os elementos reprodutores.

Partes utilizadas: o talo (corpo da alga).


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.2, de Jorge D. Pamplona Roger

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