avenca

Avenca (Adiantum capillus-veneris L.)  Acalma a tosse e… fortalece o cabelo

Não te faz lembrar a formosa cabeleira da deusa Vénus? -pergunta Lúcio Apuleio, chamado o Platónico, a um dos seus discípulos, enquanto observa uma avenca que cresce à volta de uma fonte romana.

– É a minha deusa preferida – diz o aluno com ar de satisfação.

E enquanto continua a falar e a sonhar com a beleza de Vénus, o mestre Apuleio, filósofo e botânico romano do século IV d.C., autor de um Herbarium, continua a contemplar a modesta planta.

 – Só vês o que tens diante dos olhos. Assim nunca chegarás a ser um bom filósofo – repreende-o.

– Mestre, vejo que tendes muita imaginação. Mas, que importância tem, que os longos e brilhantes raminhos desta humilde planta façam lembrar os cabelos de Vénus?

– Olha, rapaz. Todas as plantas têm algum sinal que a Natureza pôs nelas, para que os humanos pudessem decifrar as suas virtudes. É uma doutrina sobre a qual estou a meditar. –

Agora começo a compreender. Mestre Apuleio, procuremos um calvo e apliquemos-lhe um emplastro desta planta sobre a cabeça!

A experiência deu seguramente resultado e, lenda ou história, em várias línguas modernas, alguns dos nomes vulgares desta planta lembram-nos a Vénus e a sua cabeleira. E foi assim que, durante muitos séculos, a avenca foi um dos remédios mais utilizados para fortalecer e fazer crescer o cabelo. Actualmente, os champôs e preparados cosméticos deixaram de lado este antigo e provado remédio. Porque não repetir a experiência do filósofo Lúcio Apuleio?

Propriedades e Indicações:

Todas as partes da planta contêm mucilagem, tanino, açúcares e óleos essenciais. Ao longo da história, são muitas as propriedades que se lhe têm atribuído, mas mencionaremos apena§saquelas que puderam ser demonstradas e comprovadas:

Béquica (acalma a tosse e a irritação da garganta): A avenca está especialmente indicada nas tosses secas Provocadas por irritação das vias aéreas superiores (faringe, laringe e traqueia) (1,2). Pode-se administrar às crianças pequenas, quer só quer acompanhada de outras plantas béquicas. Aplicado localmente, em gargarejos, alivia a secura e irritação da garganta. (4)

Emoliente e expectorante: Recomendada como tratamento de apoio nas bronquites agudas e crónicas (1,2).

-Antiespasmódica uterina: Alivia as menstruações dolorosas (dismenorreia) e regulariza a menstruação (efeito emenagogo) (1).

Fortalece o cabelo, evita a sua queda e, nalguns casos, fá-lo voltar a nascer (3).

Preparação e emprego

Uso interno

1-Infusão: 30 g da parte aérea da planta, por cada litro de água. Adoçar com mel e tomar até 6 chávenas diárias.

2-Xarope: Decocção com 100 g da parte aérea da planta, num litro de água. Deixa-se ferver até que o líquido fique reduzido a uma terça parte. Coar então e acrescentar cerca de 250 g de mel. Toma-se às colheradas. Muito útil para acalmar a tosse rebelde das crianças.

Uso externo

3-Cataplasmas com 100 g de planta esmagada, que se aplicam directamente sobre o couro cabeludo como se se tratasse de uma boina, cobrindo-as com uma gaze ou pano de algodão. Mantê-las colocadas durante meia hora cada dia. Para se conseguir que o cabelo volte a crescer, aplicar este tratamento diariamente, durante uma ou duas semanas.

4-Gargarejos com a mesma infusão que se usa internamente.

Outros nomes: capilária, capilária-de-montpellier, avenca-de-montpellier. Brasil: avenca-cabelo-de-vénus. Esp.: culantrillo, culantrillo de pozo, cabello de Venus, capilera. Fr.: capillaire [de Montpellier]. Ing.: Venus hair, maidenhair fern.

Habitat: Própria da Europa Meridional, embora também cresça em regiões temperadas do continente americano. Prefere os lugares húmidos, como as paredes dos poços, as fontes e as grutas.

Descrição: Planta vivaz, da família das Polipodiáceas, que atinge de 10 a 40 cm de altura. Botanicamente, trata-se de um feto, cujos esporângios estão situados numa prega do bordo exterior das frondes (parte foliácea dos fetos). Os caules e os pecíolos (pezinhos que seguram as folhas) são finos, lisos e brilhantes. Têm um sabor ligeiramente doce.

Partes utilizadas: Os caules finos; os pecíolos (pezinhos) e as frondes (folhas).

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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