Algodoeiro (Gossypium herbaceum L.) –  Protege a pele e desinflama os brônquios

Andrés de Laguna o famoso médico espanhol do século XVI, que traduziu e comentou as obras do sábio grego Dioscórides, disse, referindo-se ao algodão: “Não somente nos cobre, esta planta, mas ainda nos socorre contra muitas enfermidades”.

Fala-se de algodão hidrófilo (etimologicamente, ‘amigo da água’), porque é capaz de absorver rapidamente grandes quantidades de líquido. É esta propriedade que permite que a pele coberta por uma compressa feita de tecido de algodão se mantenha seca e limpa.


Propriedades e Indicações:

Os filamentos das sementes do algodoeiro, o algodão, são praticamente celulose pura, com uma finíssima camada de substâncias gordas e de ácidos orgânicos. As propriedades hidrófilas e absorventes do algodão tornam-no o melhor material para pensos e ligaduras.

Não esqueçamos também que o algodão é a fibra têxtil mais saudável e higiénica, principalmente para a roupa interior. Às suas propriedades absorventes há ainda a acrescentar que não provoca reacções alérgicas, como muitas vezes acontece com os tecidos sintéticos.

As sementes do algodoeiro contêm 20% de óleo rico em ácidos gordos polinsaturados, altamente recomendáveis para quem sofra de excesso de colesterol no sangue. Por isso o óleo de sementes de algodoeiro se utiliza na indústria alimentar e farmacêutica (1), assim como no fabrico de sabonetes e cosméticos, devido à sua acção emoliente sobre a pele.

As folhas das flores do algodoeiro são ricas em mucilagens, e têm propriedades emolientes (calmantes da pele e mucosas inflamadas) e peitorais. Utilizam-se em infusão nos casos de catarro brônquico, para amolecer as secreções e desinflamar as vias respiratórias (2). Também são úteis no caso de disenteria ou de colite, pelo seu efeito emoliente e anti-inflamatório sobre a mucosa intestinal.

A casca da raiz do algodoeiro contém substâncias de acção ocitócica, semelhante aos alcalóides da cravagem do centeio, que estimulam as contracções uterinas. Antigamente administrava-se nos partos difíceis, e também para fazer parar as hemorragias uterinas, pois contraindo o útero impedem-no de continuar a sangrar. Possui também efeito emenagogo, isto é, que provoca e ajuda a menstruação. Actualmente já não se utiliza para estes fins, porque dispomos de substâncias mais potentes e seguras.


Preparação e emprego

Uso interno

1-Óleo de sementes: Usa-se em diversos preparados alimentares e farmacêuticos.

2- Infusão com as flores e as folhas, na proporção de 10 g por litro de água. É costume acrescentar-se também um punhado de sementes. Tomam-se 3 ou 4 chávenas por dia.


Outros nomes: xilo. Esp.: Algodonero, algodonal, algodón. Fr.: cottonier. Ing.: cotton.

Habitat: Planta originária da Ásia, embora se encontre cultivada nas zonas quentes de quase todo o mundo.

Descrição: Planta herbácea da família das Malváceas, que atinge até um metro de altura. As folhas são divididas em 3 ou 5 lóbulos. As flores são solitárias e vistosas, com 5 pétalas de cor amarela ou branca, e cada uma delas com uma mancha de cor púrpura na sua base. O fruto é uma cápsula ovóide de 5-6 cm, que contém várias sementes cobertas de uma fibra branca: o algodão.

Partes utilizadas: as folhas, as flores, as sementes e a casca da raiz.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.2, de Jorge D. Pamplona Roger

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