Alfazema

Alfazema (Lavandula angustifolia Miller) – De perfume requintado, tonificante e muito medicinal

Desde tempos muito antigos, a alfazema é utilizada como produto de beleza e de higiene. Durante o Império Romano, os patrícios e os cidadãos distintos acrescentavam alfazema à água dos seus sumptuosos banhos. O seu outro nome “lavanda” deriva do latim lavare (lavar).

As abelhas também gostam de desfrutar do requintado aroma da alfazema e, com o néctar das suas flores, fabricam um delicioso mel.


Propriedades e Indicações:

As sumidades floridas e as folhas da alfazema são muito ricas (1%-5%) num óleo essencial volátil, de composição muito complexa, formado por diversos álcoois terpénicos e seus ésteres. O mais importante deles é o linalol. Esta essência é responsável pelas suas variadas propriedades, que são as seguintes:

Sedativa e equilibradora do sistema nervoso central e vegetativo (1,2,3): Recomenda-se nos casos de nervosismo, neurastenia, enjoos, tendência para a lipotimia (desmaio), palpitações do coração e, em geral, em todos os casos de doenças psicossomáticas.

Digestiva (1,2,3): Tem uma acção antiespasmódica e algo carminativa (antiflatulenta) sobre o tubo digestivo, ao mesmo tempo que é aperitiva e ajuda a digestão. Devido a que a essência tem também efeito anti-séptico, dá muito bons resultados em caso de colite (inflamação do intestino grosso), especialmente quando há fermentação pútrida com decomposição das fezes e gases muito malcheirosos.

Anti-reumática e anti-inflamatória (4,7): Aplicada externamente, a água, o óleo, ou a essência de alfazema são muito eficazes para acalmar as dores reumáticas, quer sejam de origem articular quer muscular: dores artrósicas do pescoço ou das costas, artrite gotosa, torcicolos, lumbagos, ciáticas, etc. São também de grande utilidade em luxações, entorses, contusões e distensões musculares.

Anti-séptica e cicatrizante (5): A infusão de alfazema emprega-se para lavar úlceras e feridas infectadas, que ajuda a curar rapidamente. O óleo de alfazema alivia a dor nas queimaduras leves (de primeiro grau) e desinflama as picadas de insectos.

Relaxante e redutora da fadiga: Depois de marchas prolongadas, de intenso exercício físico, ou quando se sente esgotamento, um banho com água quente e água ou essência de alfazema ajuda a activar a circulação e a eliminar a sensação de fadiga. Obtém- se um maior efeito se o banho for seguido de fricções (7) com um pano de lã embebido em água, óleo ou essência de alfazema.

Sedativa: O simples facto de aspirar o aroma da alfazema (4) exerce uma suave mas eficaz acção sedativa sobre o sistema nervoso central. É muito recomendável para crianças que dormem mal. Neste caso, dá muito bom resultado colocar umas gotas de essência de alfazema na almofada da cama ou num lenço próximo da cara.

Balsâmica (4): A essência emprega-se em inalações ou banhos de vapor para acelerar a cura das laringites, traqueítes, bronquites, catarros bronquiais e constipações.


Precauções

A essência de alfazema em uso interno deve-se usar com muita precaução, devido a que, em doses altas, pode produzir nervosismo e, inclusive, convulsões.


Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão com 30-40 g de sumidades floridas e folhas, por cada litro de água. Tomar três chávenas por dia, adoçadas com mel, depois das refeições.

2-Extracto fluído: Ingerem-se 30 gotas, 3 vezes ao dia.

3-Essência: A dose habitual é de 3-5 gotas, duas ou três vezes por dia.

Uso externo

4-Essência de alfazema: Não são precisas mais do que algumas gotas aspiradas ou esfregadas sobre a pele, para se conseguir o efeito.

5-Lavagens e compressas: Emprega-se a mesma infusão utilizada para uso interno, embora se possa preparar mais concentrada. Lavar directamente com ela as úlceras e feridas, e embeber depois uma compressa que se coloca sobre a zona afectada, durante 15 a 30 minutos.

6- Fomentações quentes, que se preparam com infusão de alfazema ou adicionando algumas gotas de essência à água. Aplicam-se sobre o pescoço, as costas e os joelhos.

7-Loções e fricções: Podem-se fazer com umas gotas de essência, com óleo ou com água-de-alfazema.


Sinonímia científica: Lavandula officinalis Chaix, Lavandula vera DC.

Outros nomes: lavanda, lavândula. Esp.:  lavándula hembra, espliego. Fr.: lavande. Ing.: lavender.

Habitat: Terrenos calcários, secos e soalheiros do Sul da Europa. Espontânea no Centro e Sul de Portugal. Cultiva-se na Europa e na América, pela sua essência.

Descrição: Subarbusto de base lenhosa, da família das Labiadas, que mede de 15 a 60 cm de altura. As folhas são de cor verde acinzentada, estreitas e alongadas. As flores são de cor azul, pequenas e dispostas numa espiga terminal.

Partes utilizadas: Sobretudo as suas sumidades floridas, e também as folhas.


Obtenção do óleo e da água-de-alfazema

Óleo de alfazema: Dissolvem-se 10 g de essência em 100 g de azeite de oliveira e aplica-se como loção sobre a zona dorida. Também se pode preparar deixando 250 g de planta seca em maceração durante duas semanas em um litro de azeite, filtrando-o depois.

Água-de-alfazema: Dissolvem-se 30 g de essência num litro de álcool a 90°. Depois de deixar repousar a mistura durante 24 horas, passa-se por um filtro de papel e guarda-se em frascos bem vedados. Pode-se diluir com água, se se achar que está demasiado concentrada. Também se pode preparar deixando em maceração 250 g de sumidades floridas secas, num litro de álcool, durante duas semanas. Transcorrido este tempo, passa-se por um filtro de papel e guarda-se em frascos bem vedados.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

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