Alecrim (Rosmarinus officinalis L.) – Revitaliza, tonifica, rejuvenesce… e desinflama

O alecrim é uma das plantas aromáticas mais difundidas, mas nem por isso menos eficaz. É difícil sairmos um dia para o campo no Centro e Sul de Portugal sem encontrar este nobre arbusto. No Inverno alegra-nos com o verdor da sua folha perene, e na Primavera ou no Verão, com a frescura do seu perfume.

Talvez vejamos até alguma abelha abastecendo-se nas suas florezinhas para produzir depois esse excelente manjar que é o mel de alecrim.

O alecrim é conhecido desde tempos muito remotos. Diz-se que os faraós egípcios mandavam pôr sobre a sua tumba um raminho de alecrim para lhes perfumar a viagem até ao país dos mortos. No século XIV, a rainha Isabel da Hungria, martirizada pelo reumatismo recuperou a juventude graças a esta planta. De tal maneira que, quando já tinha 72 anos, foi pedida em casamento pelo rei da Polónia. Fala-se, desde essa altura, da “água da rainha da Hungria” como designação de uma das formas de aplicar esta planta. Uma outra reumática famosa, Madame de Sévigné, chegou a escrever que estava encantada com o alecrim, que para ela era “o alívio de todos os sofrimentos”.


Propriedades e Indicações:

Contém uma essência com derivados terpénicos, à qual deve a maior parte das suas virtudes medicinais, ácidos fenólicos de acção diurética, e flavonóides com efeitos antiespasmódicos. Tem as seguintes propriedades:

-Tonificante: É a sua acção mais importante. Os convalescentes, esgotados, depressivos, e inclusivamente os idosos, encontrarão nas suas infusões um estupendo tónico que lhes devolverá a vitalidade perdida, como fez à rainha da Hungria (1,2).

Os banhos com ou infusão ou decocção (3), e as fricções com álcool (5) ou com essência (6) de alecrim, têm um interessante efeito estimulante em caso de hipotensão ou de esgotamento físico.

Diurético e antiespasmódico: Muito indicado para as cólicas renais quando se trate de expulsar os cálculos (1,2).

Digestivo: As suas propriedades colagogas (estimulantes da secreção biliar), de protector e regenerador hepático, e carminativas (eliminadoras dos gases intestinais), fazem que, tomado depois das refeições, facilite notavelmente a digestão (1,2).

Todavia, talvez sejam as aplicações externas aquelas que mais se conhecem, devido à sua grande eficácia:

Vulnerário e anti-reumático: Tem uma acentuada acção anti-inflamatória, que o torna ideal para friccionar em entorses, edemas, assim como dores musculares e reumáticas. Aplica-se em fricções (5,6) (com álcool de alecrim ou com a sua essência), fomentações ou compressas quentes (7). Estas últimas são muito eficazes para relaxar a musculatura das costas e acalmar as dores da região cervical, dorsal ou lombar.

Cicatrizante e anti-séptico: Estimula a cicatrização das feridas, úlceras da pele e eczemas (3). Aplicado em forma de gargarejos (4), cura as aftas.


Preparação e emprego

Uso Interno

1-Infusão e decocção: 20-40 g de folhas de alecrim por litro de água. Podem tomar-se duas ou três chávenas por dia.

2-Essência: A dose normal é de 3-4 gotas, 3 vezes ao dia.

Uso externo

3-Banhos e lavagens com uma infusão concentrada: 80-100 g por litro de água. Deixar repousar durante 20 minutos e filtrar. Pode-se aplicar directamente esta decocção sobre a zona inflamada, ou então acrescentá-la à água da banheira para tomar um banho tonificante.

4-Gargarejos com a infusão concentrada.

5-Fricções com álcool de alecrim: Ver a sua preparação no quadro seguinte.

6-Fricções com essência diluída em álcool ou azeite, à razão de 2-5 ml por cada 100 ml.

7-Fomentações e compressas quentes com a infusão concentrada, ou com água quente a que se acrescentam 15-20 gotas de essência por litro de água.


Álcool de alecrim

Para preparar este álcool, esmaga-se num almofariz um punhado de folhas verdes de alecrim. Depois de esmagadas, colocam-se num recipiente com tampa hermética, que contenha 100-150 ml de álcool etílico. Deixar repousar durante três dias e depois filtrar.

Aplica-se em fricções, sobre a zona dorida, com um pano de algodão


Água da rainha da Hungria

A chamada água da rainha da Hungria prepara-se com três partes de folhas de alecrim e uma de folhas de alfazema (Lavandula angustifolia Miller), num total de 60-70 g.

A maneira de a obter é a mesma que para o álcool de alecrim. Esmagam- se as folhas de alecrim e de alfazema colocadas sobre um pano de algodão, e colocam-se num recipiente com tampa hermética com 100-150 ml de álcool etílico. Deixam-se repousar durante 3 dias e depois filtra-se.

A água da rainha da Hungria torna-se muito eficaz para fricções e massagens em casos de inflamações articulares.


Outros nomes : alecrinzeiro. Esp.: romero, romero común, romeo,aroma de mar, rosmarino. Fr.: romarin. Ing.: rosemary.

Habitat: Próprio das regiões secas e quentes do Sul da Europa. Prefere as terras calcárias e costuma acompanhar as azinheiras e matagais.

Descrição: Arbusto lenhoso de até um metro de altura, da família das Labiadas. As folhas estreitas e alongadas são de cor verde-escura pela face superior e cobertas de uma penugem prateada pela face inferior. As flores são pequenas e de cor azul ou violeta-claro. Toda a planta exala um agradável aroma canforado.

Partes utilizadas: as sumidades floridas.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.2, de Jorge D. Pamplona Roger

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