agrimonia

Agrimónia (Agrimonia eupatoria L.) – Aclara a voz e suaviza a garganta

A agrimónia pertence à família das Rosáceas, constituída por mais de duas mil espécies, entre as quais se encontram seguramente as plantas de maior beleza.

No entanto, ao contrário de outras Rosáceas, a agrimónia é uma planta de aspecto bastante modesto, que não atrai particularmente a atenção. Claro que, como acontece com muitas outras coisas, a beleza e a eficácia nem sempre se conjugam. A agrimónia é conhecida e utilizada desde a antiguidade clássica.

Mitrídates Eupator, médico e rei do Ponto (132-63 a.C.), utilizou-a amplamente e deu-lhe o seu apelido: eupatória. Dioscórides e outros médicos e botânicos gregos, aplicavam-na em compressas sobre as feridas de guerra. Avicena, o famoso médico árabe medieval, também a recomendava.

Propriedades e Indicações:

A planta contém flavonóides, óleos essenciais, e sobretudo taninos, a que se deve a maior parte dos seus efeitos medicinais. Os taninos actuam como adstringentes sobre a pele e as mucosas, formando sobre elas uma camada de proteínas coaguladas que impede a actuação dos micróbios. É neste processo que se baseia precisamente o curtimento das peles.

A agrimónia em infusão exerce um interessante efeito antidiarreico. Também é vermífuga (expulsa os vermes intestinais) e ligeiramente diurética (1).

Acontece, porém, que a maior utilidade terapêutica desta planta é em aplicação externa.

Pelo seu efeito adstringente e anti-inflamatório sobre as mucosas, torna-se de grande utilidade nos seguintes transtornos:

Úlceras da boca (2) (aftas), aplicada em forma de bochechos.

Afecções da garganta (2): faringites agudas e crónicas, amigdalites e laringites (afonia). Os gargarejos dão nalguns casos resultados espectaculares, fazendo desaparecer em poucos dias a inflamação e irritação das mucosas da garganta.

Os cantores, locutores e conferencistas podem beneficiar muito com esta planta medicinal, que aclara a voz e suaviza a garganta.

-Como cicatrizante (3) em feridas renitentes ou que não cicatrizam, chagas, úlceras varicosas das pernas. Aplica- se colocando sobre a zona afectada compressas empapadas numa decocção de agrimónia. As feridas secam, facilitando assim a sua cicatrização.

Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão ou decocção com 20 ou 30 g de flores e folhas por litro de água. Podem-se tomar 3 ou 4 chávenas por dia, adoçadas com mel no caso de se desejar.

Uso externo

2- Bochechos e gargarejos com uma decocção concentrada (100 g por litro). Deixa-se ferver até reduzir a um terço o volume da água. Pode-se acrescentar salva e tília. Adoçar com 50 g de mel.

3-Compressas para aplicar sobre as feridas. Embebem-se nesta mesma decocção concentrada, sem a adoçar.


Outros nomes: eupatória, eupatório-dos-gregos, erva-dos-gregos, erva-hepática. Brasil: eupatório. Esp.: agrimonia común, eupatorio, hierba de San Guillermo, cientoenrama. Fr.: aigremoine [eupatoire], herbe de Saint-Guillaume. Ing.: [common] agrimony.

Habitat: Prefere as sebes, margens de bosques e ribanceiras, em climas temperados. Encontra-se em toda a Europa e no Sul do continente americano.

Descrição: Planta herbácea da família das Rosáceas, de 40 a 60 cm de altura, com caules erectos, no cimo dos quais se dispõem em ramalhete as suas flores amarelas. As sementes dos frutos estão cheias de ganchinhos que aderem à roupa de quem passa e ao pêlo dos animais.

Partes utilizadas: as flores e as folhas.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1,  de Jorge D. Pamplona Roger

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