Espinheiro-alvar

Crataegus monogyna Jacq.

Crataegus oxyacantha L.

O pirliteiro e um arbusto espinhoso tanto mais belo quanto mais avançada for a sua idade. Floresce geralmente no mês de Maio. As minúsculas flores brancas são formadas por 5 pétalas. Os frutos, de um vermelho-vivo, adquirem a maturação no final do Outono. Distinguem- se duas fases de maturação dos frutos. A primeira pelo Verão de São Martinho. O suave calor do Verão tardio vai-lhes acentuando a cor vermelho-viva. A segunda fase dá-se em Dezembro e é considerada a maturidade doce. Na verdade, os frutos são muito mais saborosos. A sua cor vermelho-viva alcança então a plenitude com a influência benéfica da lua cheia, que incide com maior intensidade sobre a Tema nesta época do ano. O seu valor nutritivo e curativo atinge, nesta fase, os níveis mais elevados, como se pode confirmar pelo aumento de vitalidade e do efeito cardiotónico.

Sabe-se que o espinheiro-alvar é apreciado desde a Antiguidade. Foram encontrados caroços do pirliteiro conjuntamente com utensílios feitos de madeira dos seus fortes caules, em grutas habitadas pelos povos primitivos. Diz-se que Pitágoras, filósofo grego do séc. VI a. C., louvava os seus efeitos benéficos sobre as fraquezas do coração causadas pelas doenças de sangue ou por ardentes paixões.

Nos estudos hipocráticos aparecem referências aos efeitos preventivos e curativos desta planta contra várias doenças, nomeadamente as relacionadas com o sistema circulatório.


Colheita:

As folhas verdes podem colher-se durante todo o ano, com excepção da época da floração. Os frutos colhem-se bem maduros e de preferência no final da tarde. Em seguida colocam-se num cesto protegidos da luz e de eventuais contaminações.


Conservação:

As folhas mantêm a cor e a vitalidade cerca de 5 dias. Os frutos maduros são muito sensíveis e, passados 2 ou 3 dias depois de colhidos, começam a perder o tom vermelho-vivo acabando por escurecer, sinal de oxidação. Neste caso têm de se inutilizar porque podem provocar intoxicações. Devem tornar-se após a colheita para um melhor aproveitamento das suas virtudes intrínsecas.


Forma de utilização:

Folhas verdes em infusão.

Frutos no estado natural.


Indicações:

A infusão proporciona principalmente os eleitos purificante, vitamínico, febrífugo e diurético. Pode tomar-se após o almoço, o que facilita o processo digestivo e evita a astenia. Os frutos maduros proporcionam, em especial, os efeitos purificador, cardiotónico, antioxidante, antiescorbútico, antipernicioso, béquico, galactagogo e revigorante. Recomendo 5 frutos diariamente durante 5 dias consecutivos e em seguida acrescenta-se mais um fruto cada dia, durante 3 semanas. Depois vai-se diminuindo gradualmente. Repete-se este tratamento várias vezes enquanto houver frutos maduros e saudáveis. Para optimizar o efeito deste tratamento, toma-se também a tisana de 2 a 3 vezes por semana durante 3 meses no mínimo.

Estes frutos vermelhos e deliciosos constituem parte de celebração do solstício de Inverno na Casa da Paz. Nesta época em que se dá o retorno da energia acumulada no interior da terra durante o Outono e em que se começa a manifestar na semente que germinou, nas novas folhas que despontam, na luminosidade intensa graças à ascensão da energia, necessitamos de estímulos que só frutos naturais nos podem proporcionar para acompanhar com saúde e alegria a mudança do ano velho para o ano novo.


Fonte: Guia Ecológico das Plantas Aromáticas e Medicinais de Zélia Sakai