olhos

Os olhos são os órgãos da visão. Graças a eles, podemos ver o mundo exterior em cores (que é a representação do sentimento) e em relevo (que é a representação da estrutura), por causa da presença de dois olhos.

O olho direito, que representa a estrutura do indivíduo (Yin), concede a visão “horizontal”, e o olho esquerdo, que representa a personalidade do indivíduo, concede a visão “vertical”. Eles estão associados à energia do Princípio da Madeira e representam, graças a esse fato, o nível de percepção que está mais relacionado com os sentimentos e o “ser”.

Isso faz-nos compreender mais facilmente por que muitas miopias aparecem na adolescência que, lembremo-nos, é a época da vida em que a criança estabelece as suas referências afetivas diante do mundo exterior, fora da estrutura familiar. Logo, os males dos olhos significam que temos dificuldade para ver algo na nossa vida e, em especial, algo que nos atinge no nível afetivo.

O que é que eu não posso ver? O que é que coloca o meu ser em questão ou estabelece a ideia do espaço que eu lhe ofereço? Esse questionamento está frequentemente relacionado a uma sensação de injustiça. Se for o olho direito, a tensão está relacionada à simbólica Yin (a mãe), e se for o olho esquerdo, o que nós recusamos a ver está relacionado à simbólica Yang (o pai).

Vou me referir ao caso do Pascal, que eu havia citado para falar do fêmur. Quando tinha 9 anos e meio, ele perdeu o seu pai num acidente de carro enquanto trabalhava. Na verdade, esse desaparecimento deve ter sido aceite no Consciente e no mental, mas não foi aceite no Não-Consciente. Na data do seu aniversário, seis meses após esse desaparecimento, o olho esquerdo da criança pôs-se a inflamar absurdamente. Apesar da hospitalização e das múltiplas análises, os médicos nada puderam encontrar. Eles decidiram então, diante da criança que, presumia-se, nada podia entender, operá-lo no dia seguinte para “ver o que podia haver dentro do olho”. No dia seguinte, ao despertar, o edema havia completamente desaparecido. A criança manifestava sua recusava em “ver”, em aceitar perceber algo em relação ao Yang (pai). O medo da intervenção fez com que interrompesse imediatamente a expressão da tensão, que preferiu sufocar dentro de si. No entanto, vários anos mais tarde, quando tinha 28 anos, ele teve, por sua vez, um acidente de carro em que também vinha do trabalho, e no qual fraturou o fêmur esquerdo). Precisamente nessa época, vivia uma fase difícil de conflito e de fuga em relação a tudo que pudesse representar uma forma de autoridade, seja ela social ou familiar. Ele revivia, sem ter consciência, o que havia vivenciado na época da morte do seu pai, a saber, “qual é o meu lugar, quem sou seu, ninguém me compreende ou me ajuda, por que essa injustiça etc.?”.

Cada tipo de manifestação ocular vai apresentar uma precisão particular. A miopia, que vem a ser uma dificuldade para enxergar de longe, representa o medo inconsciente do amanhã que nos parece perturbador, ou seja, mal definido; o que está fora de foco.

A catarata, que se caracteriza por escurecimento, até mesmo por um desaparecimento total da visão, exprime o nosso medo do presente ou do futuro, que nos parece sombrio.

A presbitia, que se manifesta através de uma dificuldade para ver os objetos próximos, representa o medo de ver o presente ou um futuro bem próximo. Essa “doença”, que atinge principalmente as pessoas idosas, é espantosamente similar à memória que segue o mesmo processo nessas pessoas, pois se lembram cada vez menos das coisas recentes e, ao contrário, cada vez mais das coisas longínquas. Ela deve ser associada naturalmente à proximidade da morte, que representa um prazo vencido que não podemos ter “vontade de ver”.

O astigmatismo se caracteriza pelo fato de não podermos ver os objetos exatamente como eles são, mas “deformados”. Isso simboliza nossa dificuldade para ver as coisas (ou nós mesmos) como elas são na nossa vida.

Fonte: Diga-me onde dói e eu te direi por quê de Michael Odoul

Composto e postado por Ângela Barnabé

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