sistema reprodutor

Como o seu nome indica, ele permite que o ser humano se reproduza. É composto pelos órgãos sexuais, pelas glândulas sexuais (testículos, ovários) e pelo útero, no caso das mulheres. Através desse sistema extremamente elaborado, a descendência humana se perpetua pelo encontro entre um homem, de natureza Yang e penetrante, e uma mulher, de natureza Yin e receptiva.

Assim, a vida nos mostra até que ponto a vida só pode existir através do encontro dos inversos. Isso pode nos fazer compreender o quanto é necessário que realizemos a mesma coisa dentro de nós para poder evoluir. É preciso ir ao encontro do nosso outro lado, da nossa parte “Yin, feminina”, se formos homens, e da nossa parte “Yang, masculina”, se formos mulheres.

Não estamos falando de sexualidade, é claro, mas do C. G. Jung chamava de Anima (feminino) e Animus (masculino). Estamos falando do nosso lado doce, meigo, passivo, artístico, estético, acolhedor, não-consciente, profundo (feminino); e do nosso lado firme, forte, ativo, guerreiro, defensivo, penetrante, consciente, superficial (masculino).

Temos então a possibilidade de crescer, de evoluir e de chegar progressivamente ao que chamo de “a paz dos inversos” (que Jung classificava como “a reconciliação dos opostos”), à Unidade dentro de nós, criando, gerando assim um outro eu. O que é interessante observar é que essa (pro)criação tem toda possibilidade de se realizar dentro do prazer e da alegria (gozo, orgasmo) assim como a vida previu. É um bom tema para meditação para aqueles cuja iniciativa de desenvolvimento pessoal se dá pela vontade, pela força, pela pressão ou pela urgência.

O sistema reprodutor é, naturalmente, aquele que nos permite procriar, gerar a vida fisicamente. Por extensão, trata-se da nossa capacidade geral para criar, para produzir (projetos, ideais etc.), no mundo material.

Enfim, é o sistema da sexualidade, ou seja, da nossa capacidade para criar em relação ao gozo. Ele representa a nossa ação sobre o outro, o nosso poder sobre ele, pois este se entrega a nós, como nos entregamos a ele, nessa relação particular. Logo, esse poder deve ser caracterizado pela reciprocidade e pelo respeito e é maior ainda quando está sustentado pelo amor.

Enfim, como assinalei há pouco, ele tem a particularidade da procura do prazer, e devo dizer, do poder de viver no gozo, uma vez que é normalmente marcado pelo orgasmo. Este representa o gozo supremo da criação, da ação criadora e fecundadora, partilhado com o outro.

 

Os males do sistema reprodutor

Eles nos falam da nossa dificuldade para viver ou aceitar essa “paz dos inversos” no interior de nós. Eles podem se manifestar de diferentes maneiras, mas significam sempre uma tensão em relação ao outro, seja o nosso cônjuge, o nosso filho ou às suas representações presentes dentro de nós ou no nosso exterior.

É o caso particular dos problemas no útero, que representa o casal, a família, o ninho, e que significam muitas vezes que as tensões ou os sofrimentos estão relacionados com o cônjuge (ausência, frustração, falecimento, conflito etc.), ou com o lugar de cada um na família. Eles também exprimem o nosso medo, o nosso receio de gerar -seja realmente (filho) ou simbolicamente (projetos, ideias etc.) por falta de confiança, culpa ou angústia.

As dores nos testículos ou nos ovários nos falam disso, seja por causa de uma cirurgia, de um quisto ou de um cancro dessas glândulas reprodutoras. As doenças conhecidas como “sexualmente transmissíveis” muitas vezes representam autopunições, inconscientemente provocadas por uma culpa perante uma atividade sexual desenvolvida fora das normas identificadas pela pessoa ou pelo seu meio.

Essa culpa, consciente ou não, o leva à punição através do ato “falho”, se me atrevo a dizer, ao encontro sexual com aquele ou aquela que vai lhe transmitir uma doença “vergonhosa”.

Através da frigidez, da impotência ou das dores e das inflamações diversas que impedem a “sexualidade”, exprimimos as nossas dificuldades para viver os prazeres da vida e, em especial, da atividade, seja ela profissional, social ou familiar. Nós não nos permitimos experimentar o prazer, a satisfação, até mesmo o gozo, no exercício do nosso poder pessoal sobre as coisas ou sobre os outros. Tudo isso nos parece sério demais ou então está caracterizado pela culpa, e nós não sabemos, assim como a criança, experimentar a alegria simples de ter feito algo que “funciona” e do qual estamos orgulhosos.

Acreditamos que esse poder é vergonhoso ou negativo, embora ele possa ser criativo e fecundo, pois o que lhe dá a coloração positiva ou negativa é o uso que fazemos dele ou a intenção que lhe impomos. Da mesma maneira, o poder gerado pelo amor e pela sexualidade pode criar ou destruir, libertar ou alienar, animar ou extinguir o outro e você mesmo.

Fonte: Diga-me onde dói e eu te direi por quê de Michael Odoul

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