Metafisicamente saudável

A condição interna e as suas atitudes no meio externo são fatores essenciais para o bem-estar físico e emocional. Para que uma pessoa seja considerada realmente saudável, não basta ela ter um bom estado corporal, é preciso sentir-se bem consigo mesma, cultivar bons pensamentos e elevados sentimentos, além de comportar-se harmoniosamente em relação às situações externas, interagindo bem com o meio em que vive.

A Organização Mundial da Saúde define a saúde como um “estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de doença ou enfermidade”. Os aspectos físicos, interiores e comportamentais são considerados pela metafísica da saúde fundamentalmente importantes para a saúde plena. Somente quando esses três fatores estiverem em harmonia, a pessoa estará usufruindo de uma saúde perfeita. Fora isso, ela até consegue manter-se bem fisicamente, mas, não raro, poderá sofrer alterações em seu quadro de saúde.

O estado emocional abalado, as frustrações e as atitudes extremistas, que visam a compensar algumas lacunas afetivas, causam prejuízos à saúde. É muito difundida a ideia de que a saúde depende exclusivamente de uma alimentação adequada ou, ainda, que a ingestão de quaisquer substâncias nocivas ao corpo fatalmente provocará algum tipo de doença. Essa mentalidade pode tomar as pessoas alienadas ao culto do corpo e displicentes com os outros setores existenciais, tais como a condição interna e as relações interpessoais, que, segundo a metafísica, são essenciais para a preservação da saúde corporal.

Isso não significa que devemos descuidar das necessidades orgânicas. Obviamente, o corpo precisa de cuidados e atenção, mas não é necessário privar-se de todas as delícias da vida, tampouco abrir mão de atividades prazerosas, só porque elas podem oferecer algum tipo de desconforto ao organismo. Isso comprometeria o nosso apreço pela vida, diminuindo a vontade de viver. O corpo possui uma excelente capacidade regenerativa. Ele consegue neutralizar alguns abalos sofridos, de maneira que não comprometam todo o sistema. O organismo sobrepuja alguns danos causados nele, desde que a condição interna da pessoa seja boa. Pode-se dizer que alguns hábitos considerados nocivos ao corpo são neutralizados pelo bom estado interior da pessoa e pelo seu excelente desempenho na vida.

Existem pessoas que são extremamente cuidadosas com o corpo e mesmo assim apresentam uma saúde instável. Por outro lado, existem aqueles que cometem até alguns exageros, mas a saúde permanece inalterada. Isso ocorre porque o corpo não é uma máquina meramente operada pelo espírito, mas sim um organismo vivo, que serve como uma espécie de templo da vida, para um ser espiritual. A alma é construtora e mantedora das condições corporais, ela projeta no organismo uma carga energética criada pelo estado emocional da pessoa.

Os bloqueios e conflitos emocionais “bombardeiam” o corpo, sobrecarregando-o com vibrações negativas, provocando inúmeras doenças. Quando a pessoa está mal, passando por crises depressivas, por exemplo, ela fica desleixada com a aparência e até com a higiene pessoal, abandona os cuidados com o corpo e não se alimenta adequadamente. Os conflitos interiores fazem com que o corpo fique à mercê do abandono, em completo desleixo, podendo assim surgir às doenças. Já quando a pessoa está bem consigo mesma, cuida melhor do corpo, pratica hábitos saudáveis, respeita os limites do organismo e mantém o asseio corporal.

O estado emocional é um fator determinante para a saúde física. O corpo também representa um meio pelo qual se podem alterar as condições emocionais, metafisicamente causadoras das doenças. Por meio dele é possível melhorar a auto-estima e resgatar o amor próprio. A atenção dirigida ao corpo na tentativa de sanar um mal físico é fundamentalmente importante para restabelecer a ordem interior. Cuidar do corpo também colabora para reverter às condições emocionais, desencadeadoras das doenças físicas. Esse gesto de amor para consigo mesmo expressa a vontade de estar bem, não só fisicamente como também emocionalmente. Pode-se dizer, resumidamente, que a doença representa a ausência dos potenciais do ser. Assim sendo, quando a pessoa começa a cuidar do corpo adoecido, tomando as providências necessárias para reaver a saúde, esse gesto representa uma forma de aproximação consigo mesma.

Consequentemente, essa postura já é um passo para sanar as dificuldades internas geradoras dos males físicos. Porém, quando a pessoa se encontra doente e se nega a cuidar da saúde, não quer procurar um médico ou abandona os tratamentos, isso demonstra a resistência dela em se transformar interiormente. Portanto, quem se recusa a tratar da saúde do corpo não apenas é displicente para com a necessidade corporal como também resistente em mudar o padrão interior causador dos desarranjos físicos.

Para eliminar uma doença é necessário superar algumas complicações interiores que metafisicamente provocam as enfermidades. Isso ocorre naturalmente enquanto a pessoa está fora da sua rotina diária, cuidando da saúde. Durante a convalescença, o doente reflete acerca daquilo que não está bem interiormente. Pode-se dizer que, quando a pessoa supera alguma doença, é que ela mudou os seus valores e resolveu alguns conflitos interiores, principalmente aqueles que figuravam como causas metafísicas da doença que afetou o seu corpo. Não é possível se livrar totalmente de uma doença sem mudar a maneira de pensar e sem superar os sentimentos ruins, como a revolta, a indignação, etc. Resolver um mal físico sem promover essas mudanças internas deixa a pessoa vulnerável a outros danos à saúde. Tanto a mesma doença pode voltar depois de algum tempo quanto outro órgão pode adoecer.

É notório que cada pessoa reage de maneira própria a um mesmo tipo de tratamento; enquanto alguns se dão bem com um remédio, por exemplo, outros apresentam poucos resultados, e até podem surgir efeitos colaterais. Tudo depende do quadro emocional do doente. Reagir a uma doença, ao invés de se entregar a ela, é de grande valia para a recuperação. Esse, porém, não é o fator principal para resgatar a saúde. Além de seguir o tratamento médico, é fundamental que haja transformação dos padrões de comportamento causadores das enfermidades.

Tempos atrás, não havia qualquer divulgação a respeito das causas metafísicas das doenças. Mesmo nos dias de hoje, quando existem livros de metafísica da saúde e outras obras que tratam do assunto, essa literatura não atinge toda a população que sofre de alguma enfermidade. Somente uma parte das pessoas toma conhecimento do que é preciso mudar interiormente para conquistar a saúde. Entre aqueles que tomam conhecimento dessas informações, existem os que não acreditam que os sentimentos podem afetar o corpo e por isso não se dedicam a fazer uma reflexão a respeito do que é preciso mudar interiormente para colaborar com o processo de recuperação. Preferem ficar apenas na dependência dos tratamentos, esperando passivamente que o efeito dos remédios venha a sanar as enfermidades. Em momento algum essas pessoas se dispõem a refletir no sentido de despojar-se dos sentimentos nocivos que assolam o “coração”, abalando suas emoções. O caminho de conscientização proposto pela metafísica da saúde não é a única maneira de transformar as pessoas, principalmente aquelas que se encontram afetadas por alguma enfermidade. Como vimos anteriormente, a própria doença promove as mudanças das condições emocionais que causam as enfermidades. A convalescença permite à pessoa um tempo para ela refletir a respeito de seu desempenho na vida, avaliando, por exemplo, quanto tempo desperdiçou com injúrias ou lamentações acerca dos infortúnios que viveu. Conclusões como essas fazem com que a pessoa pare de amargar os arrependimentos, despojando-se desses sentimentos negativos que afetam o emocional e causam as doenças.

O papel da metafísica da saúde consiste em acelerar essas tomadas de consciência, dando ao enfermo maior compreensão daquilo que ele precisa reformular no seu interior. Essa consciência representa um importante recurso para auto-ajuda, acelerando a recuperação dos males físicos. Metafisicamente, a saúde expressa a preservação das qualidades do ser: Essas são inerentes à alma e, quando cultivadas, garantem o bem-estar físico e emocional. Quando a pessoa emprega o seu talento na vida cotidiana, ela move forças anteriores extremamente positivas, possibilitando tanto a conquista de resultados promissores na realidade em que vive quanto a manutenção do corpo com excelente vigor físico. Qualidades, todos possuem, a exemplo da capacidade de se comunicar verbalmente. O corpo mantém tecidos organizados na região da glote para emitir sons, possibilitando a verbalização. Aqueles que se comunicam bem, e, na medida do possível, falam aquilo que pensam  ou sentem, conquistam a saúde dessa região do corpo. Já aqueles que reprimem a sua expressão ficam acanhados, tímidos ou se sentem inferiores perante os outros, e por isso se calam, reprimindo a sua força de expressão, comprometendo o aparelho fonador e causando algum tipo de doença da fala.

Retirado de Metafísica da Saúde , Vol.3 – Sistemas Endócrino e Muscular , Valcapelli & Gasparetto (Adaptado)

Composto e postado por Ângela Barnabé

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