Se o leitor tem gota, tome a medicação que o médico lhe receita. Mas, além disso, pode ser que deseje experimentar alguma alternativa natural para alívio da dor.

Aipo (Apium graveolens)

Ao tomar conhecimento de que os extractos de aipo podiam ajudar a eliminar o ácido úrico, comecei a tomar todos os dias de duas a quatro pastilhas de extractos de semente de aipo. Enquanto escrevo isto, passaram seis meses sem ter tido uma única crise de gota. Durante uma semana, comi quatro talos de aipo por dia em vez dos extractos. Estes resultados anedóticos que obtive depois de me tratar a mim mesmo levaram-me a acreditar no anúncio que me conduziu à semente de aipo. Então era céptico, mas agora acredito: a semente de aipo (ou sorte pura) tem mantido o meu ácido úrico abaixo dos níveis críticos.

“Chiso” (Perilla frutescens)

Esta hortelã aromática, que cresce abundantemente e que se importou por casualidade ou deliberadamente da Asia há décadas, é um alimento e remédio no Oriente. Eis aqui uma planta comum que floresce silvestre em qualquer parte, mas também se semeia de propósito nas traseiras de alguns restaurantes japoneses nos Estados Unidos. Os investigadores japoneses têm louvado as substâncias que se encontram no chiso, dizendo que aliviam a gota. Esta planta contém níveis bastante elevados de quatro compostos conhecidos como inibidores da oxidase-xantina (XO, segundo a sigla em inglês), os quais ajudam a prevenir a síntese do ácido úrico. Frequentemente, acrescento um pouco de chiso aos meus chás de hortelã-pimenta, tal como os japoneses o põem no sushi.

Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra)

Tal como o chiso, o alcaçuz contém vários inibidores da XO, mas em níveis bastante baixos. Ainda assim, uma combinação de chiso e alcaçuz podia ser interessante, e as duas ervas juntas podiam trabalhar ainda melhor.

Curcuma/Açafrão-da-índia (Curcuma longa)

Um composto que se encontra na curcuma (a curcumina) inibe a síntese das substâncias chamadas prostaglandinas que se encontram no organismo e que tomam parte na dor. Basicamente, a curcumina não deixa que as prostaglandinas se unam. Este mecanismo é parecido com o que se encontra na acção calmante da aspirina e do ibuprofeno, só que não é tão forte. Contudo, em doses altas, a curcumina estimula as glândulas supra-renais para que libertem a cortisona do organismo, a qual é um aliviador potente da inflamação e da dor que esta pode causar. Os habitantes da Índia oriental apreciam a curcuma e usam-na muito no caril. A mim parece-me que esta é uma maneira particularmente agradável de a tomar. O leitor também pode preparar um chá usando a curcuma, ou simplesmente tomá-la em cápsulas.

Abacate (Persea americana)

Os meus amigos botânicos do Amazonas acreditam que o abacate é útil para o tratamento da gota. Diz-se que baixa os níveis de ácido úrico no sangue Que eu saiba, não existe prova científica que apoie esta afirmação, mas tenho um grande respeito pela sabedoria das pessoas da Amazónia sobre ervas, e certamente o abacate é muito saboroso. Portanto, agora o leitor tem uma boa razão para, de vez em quando, acrescentar abacate à dieta.

Unha-de-gato (Uncaria, várias espécies)

Uma vez, quando me encontrava no Amazonas, deu-me um ataque de gota sem que tivesse comigo nem a medicação receitada que tomava normalmente para aliviar a inflamação durante uma crise. Mas tinha algumas pastilhas que continham unha-de-gato (Uncaria tormentosa), uma planta que tem efeitos anti-inflamatórios. Tomei duas pílulas. Não obtive alívio. Experimentei tomar quatro. Nada. Então, às seis, comecei a notar algum efeito, mas necessitei de cerca de uma dúzia para surtir o efeito do fármaco. Embora não pense abandonar a medicação receitada a favor da unha-de-gato, numa emergência usaria novamente esta planta. Vendem-se mais de trinta marcas de unha-de-gato nas lojas de produtos naturais nos Estados Unidos, e na literatura científica existe somente uma informação de uma reacção adversa que se produziu em alguém que usara a planta.

Cerejeira (Prunus, várias espécies)

Muita gente sustenta que comer 200 g de cereja, fresca ou em lata, por dia mantém os ataques de gota em respeito. Tenho um amigo, por exemplo, que diz que tem a sorte de evitar a gota quando come ginjas. Nunca se demonstrou cientificamente que esta terapia funciona, mas dado que muita gente jura por si, creio que. provavelmente, vale a pena experimentar. Outras pessoas preferem os morangos. Penso experimentar um invento meu chamado «Coquetel de Cereja». É uma mistura de sumo de cereja, ananás, morango e arando-azul, condimentada com um pouco de alcaçuz e um montão de gengibre e curcuma.

Garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens)

Vários informes indicam que esta planta diminui os níveis de ácido úrico e que tem uma acção anti-inflamatória. Ambas estas qualidades podem ser úteis no tratamento da gota. Outros estudos sugerem que a garra-do-diabo pode resultar no alívio das enfermidades artríticas, e a gota é uma forma de artrite. Lamentavelmente, os estudos baseiam-se em injecções de um extracto de garra-do-diabo, e uma injecção entra directamente na corrente sanguínea sem passar pelo estômago. Esta erva perde a potência no estômago, de maneira que não posso saber quão eficaz (ou ineficaz) podia ser em chá ou cápsulas. Todavia, creio que vale a pena experimentá-la.

Aveia (Avena sativa)

Diz-se que os chás preparados com as pontas verdes da aveia, que são ricas em silício, têm um efeito diurético que baixa os níveis de ácido úrico. (Um diurético é uma substância que extrai o excesso de água do organismo.) Se as minhas outras alternativas naturais fracassarem, experimentarei esta.

Oliveira (Olea europea)

A oliveira tem reputação como diurética desde os tempos bíblicos. Em 1993, um investigador japonês mostrou que cerca de quatro chávenas de chá de folhas de oliveira por dia, durante três semanas, aumentava a quantidade de urina em 10% – 15%., baixando os níveis de ácido úrico no sangue e aumentando o ácido úrico na urina. Não rejeitaria fazer a experiência.

Ananás (Ananas comosus)

O ananás contém bromelina. uma enzima que ajuda a decompor as proteínas. Os médicos naturopatas recomendam com frequência a bromelina pura para reduzir a inflamação e o inchaço, a qual se pode comprar nas lojas de produtos naturais. A bromelina funciona claramente quando injectada no tecido inchado, mas a eficácia da enzima quando tomada por via oral é polémica. Todavia, é provável que valha a pena experimentá-la. A minha forma preferida de obter bromelina é beber um copo de sumo de ananás de quando em vez.

Urtiga (Urtica dioica)

Um estudo científico mostrou que a urtiga aumenta a secreção de ácido úrico, pelo menos nos patos. Estes animais de laboratório exibiram níveis mais baixos de ácido úrico no sangue depois de lhes ter sido administrado extracto de urtiga. Da próxima vez que me doa o dedo grande do pé, penso incluir o chá de urtiga no meu próprio regime de tratamento.

Salgueiro (Salix, várias espécies)

A casca de salgueiro é equivalente à aspirina, dado que contém umas substâncias chamadas salicilatos, a partir das quais se fabrica a aspirina. Tal como a aspirina, o chá de casca de salgueiro pode ajudar a aliviar a dor e a inflamação. Além disso, alguns investigadores sugerem que os salicilatos podem reduzir os níveis de ácido úrico. Experimente pôr duas colherzinhas de casca numa chávena de água a ferver e deixe cozer em lume brando durante vinte minutos. (Se o leitor é alérgico à aspirina, não deve tomar as ervas parecidas com a aspirina.)

Fonte: Farmácia Verde, de James A. Duke (adaptado)

Composto e postado por Ângela Barnabé

 

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