gordura localizada

Gordura localizada – Impulsos contidos e anseios camuflados

Dependendo do padrão fisiológico de armazenar gordura em excesso, é possível distinguir dois tipos básicos de pessoas que estão acima do peso, as quais recebem a denominação de “maçãs” ou “pêras”. As primeiras são as que têm gordura localizada no abdomen (barriga). Para aquelas cujo excesso de gordura está localizado na região inferior do corpo (quadris e coxas) atribui-se o nome de “pêras”. Esses estereótipos se referem aos dois tipos mais comuns de reservas das células gordurosas.

No âmbito metafísico, gordura localizada na região abdominal ocorre em pessoas que apresentam dificuldade para manifestar suas vontades, bem como realizar os mais caros desejos. São resignadas quanto à expressão dos próprios conteúdos. Não se sentem no direito de saciar seus ímpetos. São pessoas que sempre se empolgaram muito com aquilo de que gostavam; eram entusiastas e ficavam extremamente radiantes quando podiam realizar suas vontades. Com o passar do tempo, surgiram outras necessidades; a vida exigiu novas posturas. As responsabilidades forçavam o amadurecimento. Por exemplo, a impossibilidade de praticar seus hobbies tomou-se um aborrecimento para a pessoa. Geralmente as mudanças vêm acompanhadas de um desinteresse natural por algumas atividades que não condizem com a realidade presente.

Caso a pessoa não renove seus desejos, será difícil praticá-los. A barriga surge exatamente nessa fase da vida, em que o processo de transição desencadeia certos conflitos interiores, gerados pelas frustrações. A pessoa não se dá conta que sua realidade é outra. Insiste em continuar como antes, mantendo os velhos padrões de comportamento. A verdadeira maturidade vem seguida da abstenção de certos caprichos que não cabem no momento. Isso provoca o recalque de alguns impulsos. A barriga surge como uma espécie de reflexo dos anseios camuflados. O fato de a pessoa preservar certas vontades não é de todo mau. O que ela não deve é negar a expressão desses impulsos básicos e esperar que os outros aprovem seu jeito de ser, incentivando-a a valorizar seus mais caros desejos. A criança e o jovem vivem cheios de expectativas, acham-se plenos com os poucos conteúdos que apreenderam. Consideram-se o máximo, principalmente quando estão praticando o que gostam. Alimentam certo egocentrismo, achando que o mundo e as pessoas giram em tomo deles. O fato de serem verdadeiros para consigo mesmos é algo fundamental para o bem-estar físico e emocional. Não sabotar a sua natureza para adaptar-se à realidade é a melhor maneira de se relacionar com o meio, cultivando a própria condição interior. Ainda que ninguém aprove o seu jeito, ele deve ser soberano para você, digno de ser praticado num momento oportuno.

Reprimir os impulsos pode causar súbita manifestação, tumultuando o ambiente. Ninguém se satisfaz indo à forra, agindo de maneira exagerada. Nada que é forçado dá prazer. A pessoa sai de um extremo da abnegação e vai para o outro, pondo em risco a harmonia. Vale lembrar que, quando você estiver bem, tudo à sua volta se irá estabilizar e a ordem irá reinar na sua vida. A barriga surge na fase em que a pessoa está sufocando as suas reais aspirações em nome de algo que está vivenciando intensamente. Vejamos algumas das principais fases da vida que geralmente provocam a repressão das vontades, em razão das quais poderá surgir barriga.

Podemos até apelidar carinhosamente a barriguinha de acordo com aquilo que metafisicamente mais se destaca como fator causador desse acúmulo de gordura na região abdominal.

Barriga da profissão: Revela a resignação dos prazeres em prol da carreira. Surge quando a pessoa está se anulando em função das atividades profissionais. O trabalho é desempenhado com exagerada seriedade. Perdem-se a alegria e a descontração durante a realização das tarefas. O aparecimento dessa “barriguinha” representa que o trabalho passou a ser exercido de maneira acirrada, sem o respeito às vontades próprias. Os objetivos de galgar novos patamares de atuação na carreira tornaram-se as únicas fontes de satisfação, perdendo-se qualquer outra forma de realização pessoal. Procure não viver exclusivamente para o trabalho, por, que, apesar de ele ocupar um importante papel em sua vida, não é a única fonte de realização. É preciso cultivar outros aspectos, tais como relacionar-se harmoniosamente com as pessoas queridas e, principalmente, respeitar aquilo que é essencial em você, como os impulsos que vertem naturalmente na forma de desejos e aptidões.

Barriga da aposentadoria: É aquela que aparece ou se acentua com a interrupção da atividade profissional. Quando a pessoa não apenas trabalha com o que gosta, mas também tem no trabalho a sua única fonte de satisfação, aposentar-se a faz sentir-se tolhida em seu universo de realizações. Há pessoas que não podem parar, porque praticamente deixariam de ter um sentido de vida. Para essas, uma das evidências da transição com o advento da aposentadoria é a acentuada presença da barriga, que denota um significativo freio nos impulsos vitais. Para superar o abalo emocional e manter-se bem física, mente, é necessário que a pessoa descubra novas fontes de satisfação e renove os seus objetivos, empenhando-se com motivação em busca de outros horizontes de realizações.

 Barriga do relacionamento: A sua manifestação mais comum ocorre após o casamento, afetando principalmente os homens. Representa que a pessoa camuflou os seus desejos na tentativa de integrar-se com o parceiro. Para manter uma convivência amistosa e viver em paz com o seu bem-querer, precisou negar alguns anseios, reprimindo as suas aspirações. Vale lembrar que a felicidade afetiva não é obtida por meio da repressão dos impulsos, mas sim de um novo direcionamento das vontades, administrando-as com a realidade. Uma pessoa mimada, por exemplo, quer fazer tudo aquilo de que gosta na hora em que tiver vontade. Obviamente, quando estabelece uma convivência, surgem outras necessidades. Será preciso aprender a administrar uma vida a dois ou em família, de forma a não fugir às responsabilidades nem negar a prática daquilo que é prazeroso. Tudo é questão de programar melhor as atividades. Afinal, agora não é mais como antes, quando a pessoa se encontrava sozinha; agora a sua agenda pessoal é compartilhada com os integrantes da família. Administrar a convivência sem comprometer as próprias satisfações exige empenho e determinação.

A felicidade depende da habilidade de preservar as próprias vontades e compartilhar os momentos agradáveis com quem amamos. Não querer abrir mão dos próprios caprichos num momento em que é impossível realizá-los é uma atitude inconsequente. O parceiro terá de apontar a impossibilidade de realizar aquilo que a pessoa quer. Esta, ofendida, projetará as suas frustrações naquele que a acertou das limitações impostas pela realidade. Atitudes como essa revelam a imaturidade da pessoa em relação à convivência familiar. Em vez de amadurecer no processo existencial, camufla os seus anseios, frustrando as suas expressões na vida. Com o tempo, surgem as crises no relacionamento, que na verdade são causadas pelos recalques implantados sobre si, diante da realidade. Depois de um tempo, tudo isso vem à tona, gerando uma série de desconfortos na convivência. A pessoa entra em crise, achando que os outros a sufocaram, quando na verdade foi ela que não conseguiu preservar as suas satisfações. Por falta de habilidade para manifestar as suas vontades em meio a outras necessidades, rendeu-se aos imprevistos, sufocando os seus desejos. Na tentativa de agradar aos outros, conteve-se, até que não aguentou mais, entrando em crise existencial, que se projeta nos relacionamentos. A verdadeira causa de crises dessa natureza é a resistência da pessoa em amadurecer para lidar com os novos processos existenciais.

Barriga da maternidade: O nascimento de um filho é motivo de muita alegria para o casal, em especial para a mulher. Renova os objetivos, desperta a motivação, faz renascer as esperanças e a motivação pela vida. Nessa fase é comum o surgimento de uma “barriguinha”, denunciando a camuflagem dos desejos. A própria força que desabrocha com a chegada do bebé acaba sendo reprimida com os excessos de zelo, as preocupações excessivas com o futuro da mulher, agora com um filho “no colo”, ou mesmo com o futuro da criança, nesse mundo repleto perigos, incertezas, etc. Na verdade, as próprias expressões da mulher ficam contidas. Os seus objetivos, a carreira, coisas que antes geravam intensas vontades, agora não mais são praticadas. Parece existir uma mulher anulada atrás de uma mãe dedicada. Certas necessidades são naturalmente transformadas, mas há alguns desejos que são negados. Esses nem se comparam com as intensas satisfações que o filho proporciona. No entanto, as pequenas frustrações irão pesar lá na frente, quando não contará mais com a grande aproximação da criança, que seguirá os seus passos, por outras direções na vida. Nesse momento, as lacunas femininas geradas pela anulação da mulher recairão sobre ela como um pesado fardo da vida, gerando desconforto e insatisfações. Para evitar que isso aconteça, você poderá alterar a maneira com que vem mantendo essa experiência, isto é, viver todas as satisfações agradáveis que o filho proporciona, apreciar o sabor da maternidade, mas sem anular a mulher que existe em si; aproveitar cada sensação agradável que o filho desperta, sem sabotar a própria felicidade com as preocupações excessivas que não cabem exclusivamente a você evitar. Procure curtir intensamente esses momentos que expressam a magia da vida de uma mulher.

Em alguns casos, quando a mulher precisa trabalhar e deixar o filho com outras pessoas, isso reprime o desejo de estar com ele o tempo todo. Nesse caso, os seus impulsos mantêm-se camuflados, permanecendo reprimidos na região do tórax, podendo desencadear o surgimento da “barriguinha” na região abdominal. No geral, o surgimento da gordura localizada na região abdominal reflete a necessidade de a pessoa gostar mais de si própria, no sentido de realizar as suas vontades, buscar ser querida pelo que é, e não ser badalada pelos outros somente por atender às expectativas feitas sobre ela. Preserve o seu estilo, pois quem conheceu você de um jeito pode estar conspirando a favor de sua mudança de hábito, por ser mais conveniente a ele. Essa atitude, porém, poria um fim em sua chance de ser realizada e feliz.

Gorduras alojadas excessivamente na região dos quadris e coxas tomam a pessoa mais gorda na parte inferior do corpo (característica: “peras”). Metafisicamente, esse estereótipo representa que a pessoa deixou de ser audaciosa, contendo a força expressiva. Sempre se lançou corajosamente na conquista de um futuro promissor, porém deixou de manifestar essas qualidades após certos obstáculos traumáticos que abalaram a confiança em si mesma.

A pessoa perdeu as referências próprias, passando a buscar apoio nos outros. Ela tanto pode tornar-se dominadora, querendo controlar a vida dos entes queridos, quanto viver em torno daqueles que estão em volta, fazendo o possível para agradá-los. Exagera nas dedicações, tomando-se extremamente prestativa para com as necessidades alheias, esquecendo, se de si própria. No que se refere às questões de interesse geral, que correspondem ao ambiente, age com eficiência e dinamismo. Atende às necessidades dos outros com a presteza de uma mãe. Já quando é para cuidar de suas próprias coisas, perde o desembaraço e deixa de ser criativa. Não sabe tirar proveito das situações ao redor, envolve-se com tudo, mas não consegue determinar nada para si. Não implanta obras que realmente garantam o futuro, tampouco investe naquilo que é só seu. Precisa estar sempre vinculada a alguém, não se dá conta de que tudo aquilo que é dirigido aos outros, como dedicação e até mesmo préstimos de serviço, a si também precisa dedicar, caso contrário passará a vida em função daqueles que a cercam, abandonando os próprios anseios e objetivos. Procure dar a si aquilo que você tem esbanjado aos outros, como atenção, carinho e dedicação, pois desse modo irá fortalecer sua segurança, promover a auto-estima e diminuir a dependência. Despoje-se das amarras e sinta-se livre para lançar-se naquilo em que você acredita. Use a sua criatividade e  o poder de controlar as situações em prol dos seus sonhos. Você consegue ser feliz com o auto-apoio e determinação. Acredite em você.

Fonte: Metafísica da Saúde vol. 3 Sistemas Endócrino e Muscular (Adaptado)

Composto e postado por Ângela Barnabé

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