São afeções nas quais o organismo mistura vários processos, pois fazem questão da alergia, da inflamação e da dinâmica cancerosa. São doenças de defesa nas quais o organismo não reconhece mais suas próprias células e se põe a combatê-las e a destruí-las como se fossem agentes exteriores e perigosos. Por exemplo, a poliartrite de evolução crónica é degenerativa, no sentido em que ela não respeita mais as leis naturais de reconhecimento orgânico.

Essas afeções nos falam da nossa incapacidade para nos reconhecer, para nos ver ou nos aceitar tal qual o somos. Essa dificuldade para identificar o que somos é muitas vezes agravada pela busca de “responsabilidades exteriores”. Estamos em fase de luta contra o mundo que não nos compreende, que não nos reconhece, não nos ama, enquanto se trata, na realidade, de um problema nosso. Só discutimos a vida de forma maniqueísta, e as coisas não existem só em função do bem ou do mal, e as situações não são vividas somente em termos de certo ou errado. Essa estratégia conflituosa permanente e de defesa compulsiva nos leva-nos à  nossa destruição acreditando que estamos destruindo o mundo para nos defender e não para prejudicar.


Fonte: Diga-me onde dói e eu te direi por quê de Michael Odoul