Há alguns anos, o New York Times publicou um artigo sobre a minha longa carreira a trabalhar com plantas medicinais. Algum tempo depois, recebi uma chamada telefónica de um empregado do Times, que me disse que cerca de vinte por cento dos empregados do jornal que trabalhavam diariamente nos teclados dos computadores estavam a enfrentar problemas com as articulações inflamadas, incluindo tendinite nos pulsos e nos ombros ou bursite nos ombros.

Disse-me que andava à procura de informação sobre os tratamentos médicos alternativos e apareceu-lhe o meu nome nos arquivos do Times e que, por isso, me telefonava. Enviei-lhe o que tinha, juntamente com uma saudação cordial. Eu mesmo sofrera de bursite e pudera confirmar a dor e a incapacidade que causava. Tal como o homem do Times, também passei muitas horas trabalhando no computador. Além do mais, divirto-me a tocar viola e baixo e dedico uma boa parte do tempo a manobrar o cortador de relva. Tudo isto pode agravar a bursite e a tendinite.

Com frequência, estas duas desordens aparecem ao mesmo tempo, mas são, na realidade, duas afecções distintas. A bursite é uma inflamação das bolsas sinoviais, os sacos cheios de líquido que ajudam a lubrificar as articulações nos lugares onde os músculos e os tendões se unem aos ossos. A tendinite, por sua vez, é uma inflamação dos tendões, os quais são tecidos fortes, elásticos e fibrosos que unem os músculos aos ossos.

Os dois termos são frequentemente intermutáveis devido ao facto de as bolsas sinoviais estarem localizadas perto da ligação entre o osso e o tendão, e ambas as infecções causarem dor em volta das articulações.

(…)

Tratamento com a farmácia verde

Creio que repousar uma articulação afectada pela bursite ou pela tendinite é uma ideia excelente. As compressas de gelo possivelmente também podem ajudar a controlar a dor e a inflamação. Mas não se pode contar só com a compressa de gelo para obter um alívio completo.

(…)

* Salgueiro (Salix, várias espécies) e outros remédios naturais para a dor. A casca de salgueiro é a aspirina à base de ervas. Nesta mesma categoria estão a ulmária e a gaultéria. Todas elas contêm salicilatos, precursores naturais da aspirina. Para fazer um chá, sugiro-lhe uma ou duas colheres de erva seca por chávena de água e que a ferva durante vinte minutos. Tome uma chávena duas ou três vezes ao dia. Também pode experimentar com uma colher de tintura de qualquer uma destas plantas três vezes ao dia. Contudo, recorde-se que se é alérgico à aspirina o provável é não dever tomar estas ervas.

* Gengibre (Zingiber officinale). Na Ásia, o gengibre tem uma larga história como tratamento tradicional da bursite. Dado que gosto do gengibre, sugiro-lhe que o experimente misturado com ananás e um pouco de alcaçuz com a bursite recorrente.

* Equinácea (Echinacea, várias espécies). Esta erva é boa para tratamento das lesões dos tecidos conjuntivos como as que podem produzir-se a jogar ténis, esquiar ou correr, de acordo com Michael Moore, autor de Medicinal Plants e Canyon West, um dos mais importantes ervanários dos Estados Unidos. De facto, todas estas lesões são tipos de tendinite. Moore recomenda que se tome diariamente até 15 ml de tintura de equinácea até que a moléstia e a dor diminuam. Na realidade, esta dose seria uma grande quantidade de tintura, mas a equinácea não é perigosa (se bem que possa causar-lhe entumecimento ou formigueiro na língua), pelo que, provavelmente, vale a pena experimentar estas doses.

* Cavalinha (Equisetum arvense), Esta planta é uma das fontes naturais mais ricas no elemento silício, e alguns dizem que este se encontra presente na planta numa forma especialmente fácil para o organismo o utilizar. Vários estudos demonstram que o silício desempenha um papel importante na saúde e na resistência tanto dos tecidos conjuntivos como dos tecidos cartilagíneos, como por exemplo os tendões. (Os cartilagíneos formam parte significativa das articulações.)

Não posso dizer-lhes que estou completamente convencido do valor das plantas que possuem elevado teor de silício no tratamento da bursite e da tendinite, mas dois cientistas que respeito muito, o farmacêutico de ervas Dr. Daniel Mowrey, autor de The Scientffic Validation of Herbal Medicine e Herbal Tonic Therapies, e o Dr. Forrest Nielsen, director do Centro de Investigação da Nutrição Humana do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, segundo a sigla em inglês) em Grand Forks no Dakota do Norte, apoiam totalmente o uso do silício. Portanto, penso que vale a pena experimentá-lo, se bem que o leitor não deva utilizar esta erva sem a orientação de um especialista holístico.

Se vai tomar esta erva, pode preparar um chá deitando num recipiente cinco colheres de cavalinha seca, uma colher de açúcar e 20 dl de água. (O açúcar ajuda a retirar mais silício à planta.) Ponha-o a ferver, depois deixe cozer em lume brando durante cerca de três horas. Coe o chá e deixe-o esfriar antes de o tomar.

Outras plantas com elevado teor de silício são a cevada, a morugem (erva-canária), o pepino, a salsa, a urtiga, a noz, a castanha-do-maranhão. o anacardo (castanha-de-caju), o pistácio, o feijão verde e o nabo.

* Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra). O alcaçuz pode ser quase tão eficaz no tratamento da bursite e da tendinite como a hidrocortisona, que é o fármaco mais comummente receitado para estas afecções, garante o Dr. Mowrey. Além do mais, a erva não tem nenhum dos efeitos secundários associados à cortisona e à hidrocortisona, como o aumento de peso,  indigestão, a insónia e a diminuição da resistência à infecção. Segundo o que conheço dos efeitos anti-inflamatórios do alcaçuz, creio que vale a pena experimentar esta erva. (Se bem que o alcaçuz e os seus extractos sejam seguros para um uso normal em quantidades moderadas, que seria de cerca de três chávenas por dia, usá-lo durante muito tempo ou ingeri-lo em doses maiores pode provocar dores de cabeça, letargia, retenção de sódio e líquidos, perda excessiva de potássio e pressão arterial elevada.

* Ananás (Ananas comosus). Este fruto saboroso contém enzimas que decompõem as proteínas. Uma dessas enzimas, a bromelina, é particularmente importante devido às suas propriedades anti-inflamatórias. O ananás reduz as inflamações, as equimoses e a dor, e acelera a cura das lesões nas articulações e nos tendões.

Muitos atletas acreditam que o ananás ajuda a curar as entorses e as tendinites. Alguns deles comem muito ananás antes e depois dos treinos violentos para ajudar a proteger os tendões, já que a tendinite é um problema importante para eles. O ananás resulta bem? Não tenho uma resposta definitiva para isto, mas o meu colega, o Dr. James Gordon, presidente do Centro para a Medicina Mente-Corpo em Washington, D. C., referiu-me como ficou espantado ao ver como o ananás lhe aliviara uma afecção crónica que lhe provocava dor e inflamação nas costas.

A bromelina contida no ananás não é muito elevada, mas se eu tivesse bursite ou tendinite, experimentaria esta possibilidade. Provavelmente, não advirá mal algum se acrescentar à ementa o ananás fresco ou o sumo do ananás quando estiver a sofrer de bursite ou tendinite. A papaia contém enzimas similares às do ananás, de modo que também poderia acrescentar à ementa um pouco deste fruto fresco.

* Beldroega (Portulaca oleracea) e outros alimentos que contêm magnésio. O magnésio é um mineral importante para os músculos, ossos e tecidos conjuntivos. E devido a que os vegetais de folhas verdes são uma boa fonte de magnésio, criei a minha «Magnífica Salada de Magnésio». Para a preparar, inclua qualquer um dos seguintes ingredientes a que tenha acesso, nas quantidades desejadas: beldroega fresca, feijão verde, espinafre ealface. Pode juntar também algumas sementes de papoila como enfeite porque contêm magnésio.

* Urtiga (Urtica dioica). Esta planta, rica em silício, tem um apoio forte na tradição popular como tratamento para a gota e para o reumatismo, o que significa que tem sido utilizada durante muito tempo para as dores inflamatórias que afectam as articulações. Poranto, parece ser prometedora também para o tratamento da bursite e da tendinite.

* Curcuma/Açafrão-da-índia (Curcuma longa). O Dr. Joseph Pizzorno, presidente da Universidade Bastyr em Seattle, e o Dr. Michael Murray, co-autores de A Textbook of Natural Medicine, são apenas dois dos académicos que estudam as plantas medicinais que dizem que a curcumina, um composto abundante na curcuma, demonstrou ser tão eficaz como a cortisona no tratamento de alguns tipos de inflamação. Sugerem que se tome de 250 mg-500 mg de curcumina e 250 mg de bromelina três vezes ao dia, entre as refeições.

O leitor pode comprar estes compostos isolados nas lojas de produtos naturais mas eu tenho uma sugestão para que possa desfrutá-los melhor.

Prepare o ananás maduro (para obter bromelina) temperado com curcuma (para uma abundante quantidade de curcumina). Pensando bem, uma salada de frutas feita com ananás e papaia temperada com gengibre e curcuma saberia bastante bem.

Eu trato de comer alimentos integrais no seu estado natural sempre que seja possível. Penso que, de um modo geral, os alimentos integrais têm mais poder curativo que os ingredientes químicos individuais que se isolaram deles.

Fonte: Farmácia Verde, de James A. Duke

Composto e postado por Ângela Barnabé

Relativamente aos alimentos ricos em magnésio sugerimos a leitura do seguinte artigo:Será que ainda conseguimos retirar Magnésio dos alimentos que consumimos no nosso dia-a-dia?

 

Pin It on Pinterest