Dente-de-leão (Taraxacum officinale Web.) – Um grande amigo do fígado e dos rins

Não brinquem com essas flores amarelas, senão vão fazer xixi na cama – diz uma mãe camponesa aos seus filhinhos.

– Porquê, mamã?

– Olhem, essa planta que têm na mão chama-se dente-de-leão por causa do feitio das folhas. Mas na França, onde existe em grande quantidade, chama-se pissenlit, que quer dizer ‘urinar na cama’.

Efectivamente, o dente-de-leão é um grande diurético e, talvez por isso, insubstituível nas curas depurativas da Primavera, tão apreciadas nos países germânicos.

E quem nunca terá assoprado essas bolinhas brancas e peludas, que enfeitam os prados, e que contêm as sementes do dente-de-leão? A facilidade com que se dispersam permitiu a esta planta, originária do Norte da Europa, conquistar os cinco continentes.

São muitos os habitantes de todo o mundo que têm beneficiado das suas notáveis propriedades medicinais.


Propriedades e indicações:

As folhas e a raiz contém taraxacina, um princípio amargo semelhante ao da chicória, a que se devem as suas propriedades tónicas e digestivas, e inulina. As folhas contêm ainda flavonóides. cumarinas e vitaminas B e C. São estas as suas propriedades:

Aperitivo, digestivo e tónico estomacal: Aumenta as secreções de todas as glândulas digestivas, facilitando deste modo a digestão e aumentando a capacidade digestiva (1,2,3). Aumenta a produção de saliva, de sucos gástrico, intestinal e pancreático, assim como de bílis. Ao mesmo tempo, estimula a musculatura de todo o tubo digestivo. Por tudo isto, acelera e estimula todos os processos da digestão, tanto físicos como químicos.

Colerético (aumenta a produção de bílis no fígado) e colagogo (facilita o esvaziamento da vesícula biliar): A sua acção sobre o fígado e a vesícula biliar é a mesma que sobre os restantes órgãos digestivos, ainda que mais intensa. Trata-se de uma das plantas mais activas sobre a função filiar; pelo que convém especialmente aos que sofram de (1,2,3):

*Insuficiência hepática, hepatite e cirrose: Pode chegar a triplicar a produção de bílis, descongestionando assim o fígado e facilitando a sua função de desintoxicação.

*Disquinesias biliares (vesícula preguiçosa e outros transtornos do seu funcionamento) .

*Colelitíase (cálculos na vesícula biliar): Embora o dente-de-leão não seja capaz de dissolver os cálculos, permite um melhor funcionamento da vesícula, enquanto se aguarda um tratamento definitivo.

Diurético e depurativo: É um dos seus efeitos mais notáveis. Aumenta o volume da urina e favorece a eliminação de substâncias ácidas residuais, que sobrecarregam o metabolismo.

Tem utilidade para os pletóricos, os gotosos e os artríticos (2). Segundo o dito francês, o dente-de-leão “limpa o filtro renal e seca a esponja hepática”.

Laxante suave, não irritante, especialmente útil nos casos de preguiça ou atonia intestinal. O seu efeito laxante, unido ao depurativo, tornam esta planta um bom remédio para casos de eczema, erupções, furúnculos, e celulite, que muitas vezes são consequência de uma auto-intoxicação produzida pela prisão de ventre (1,2,3).


Preparação e emprego

Uso interno

1-Salada: O seu agradável sabor, ligeiramente amargo, torna as folhas do dente-de-leão um ingrediente muito apropriado para saladas primaveris, em que se procura sobretudo o efeito aperitivo e depurativo. Pode temperar-se com azeite de limão.

2-Sumo fresco: Obtém-se por pressão ou trituração das folhas e raízes. Tomam-se 2 ou 3 colheradas antes de cada refeição. Para conseguir um efeito depurativo importante, deve tomar-se diariamente durante um mês e meio, na Primavera.

3-lnfusão: Prepara-se com 60 g de folhas e raízes por litro de água. Toma-se uma chávena antes de cada refeição.


Outros nomes: taráxaco, coroa-de-monge, frango, quartilho. Brasil : alface-de-coco. Esp.: diente de león, amargón [común], taraxacón, pelosilla, achicoria silvestre, Iechuguila. Fr.: pissenlit, dent de lion. Ing.: dandelion, lion’s tooth.

Habitat: Muito comum nos prados, campos e bermas dos caminhos de toda a Europa e América. Difundida pelos cinco continentes.

Descrição: Planta vivaz, da família das Compostas, que se eleva cerca de 30 cm acima do solo. As folhas são profundamente dentadas ou lobuladas, e formam uma roseta basal junto à terra, de onde saem os pedúnculos florais, na extremidade de cada um dos quais se apresenta um capítulo floral de um amarelo intenso.

Partes utilizadas: as folhas e a raiz.


Sucedâneo do café

Com as raízes torradas do dente-de-leão, prepara-se uma infusão que pode substituir o café, com a vantagem de não ter nenhum dos seus efeitos nocivos. Tem um sabor muito agradável, e conserva quase todas as propriedades medicinais da planta.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger