Cipreste (Cupressus sempervirens L.) – Tónico circulatório e da bexiga

O cipreste é uma árvore quase tenebrosa. Firme e solene às portas de um cemitério, apontando para o céu com a sua copa e para as tumbas com a sua alongada sombra, parece querer lembrar aos seres humanos o trágico destino que nos espera nesta terra. É a árvore que melhor simboliza a morte. Mas, ao mesmo tempo, é sinal de vida e de saúde para tantos que sofrem de doenças do aparelho respiratório e do aparelho circulatório. Já na antiga Grécia se mandaram os doentes do peito para os bosques de ciprestes, para recuperarem a saúde respirando o seu ar impregnado de essências balsâmicas. Hipócrates e Galeno recomendavam-no como planta medicinal. Desde então tem vindo a ser utilizado com êxito, durante mais de dois mil anos, como árvore curativa. No estado mexicano de Oaxaca, encontra-se o célebre cipreste de Moctezuma ou do Tule, de 50 m de altura e 14 m de diâmetro no tronco, que pertence a uma espécie muito próxima do cipreste comum. Atribui-se-lhe uma idade de 4000 ou 5000 anos. Os antigos Astecas já empregavam os frutos do cipreste (os gálbulos) para evitar os cabelos brancos e conservar a cor primitiva do cabelo.

Propriedades e Indicações:

Na madeira do cipreste, nos seus ramos tenros, e especialmente nos frutos, encontra-se entre 0,2% e 1,2% de essência de cipreste, composta de vários hidrocarbonetos, assim como tanino e diversas substâncias aromáticas. Esta árvore tem as seguintes propriedades:

Tónico venoso potente: Tem uma acção tão intensa como a hamamélia, uma das plantas mais activas sobre o sistema circulatório que se conhecem. O uso do cipreste é indicado para combater as varizes, as úlceras varicosas e as hemorróidas, tanto em uso interno (1,2) como em aplicação local externa (3,5).

Vasoconstritor (contrai os vasos sanguíneos). Torna-se especialmente recomendável durante a menopausa, para deter as frequentes metrorragias (hemorragias uterinas) devidas à congestão do útero, como consequência do desequilíbrio hormonal próprio dessa etapa da rida feminina.

Tónico vesical: Aumenta a tonicidade da bexiga, e permite um melhor controlo do sistema nervoso vegetativo sobre a musculatura deste órgão. Em uso interno (1,2) ou em banhos de assento (3), é indicado nos casos de incontinência urinária diurna, ou nocturna durante o sono (enurese), e no síndroma prostático (dificuldade na micção devido a um aumento do tamanho da próstata).

Adstringente, devido aos taninos que possui (1). Usa-se em caso de colite ou diarreia.

Sudorífico, diurético e febrífugo (faz baixar a febre). De grande utilidade nos catarros bronquiais, bronquites, constipações e gripes (1,4). A essência de cipreste tem, além disso, acção balsâmica, antitússica e expectorante (2).

Preparação e emprego

Uso interno

1- Decocção: 20-30 g de frutos de cipreste verdes, esmagados, ou igual quantidade da sua madeira, por litro de água. Ferve-se durante 10 minutos e filtra-se. Tomar uma chávena antes de cada refeição (3 por dia).

2-Essência: Tomam-se de 2 a 4 gotas, três vezes por dia.

Uso externo

3- Banhos de assento: Para o tratamento das hemorróidas com uma decocção para uso interno, mas com maior concentração de frutos (cerca de 50 g por litro). Tomam-se três banhos por dia, mas com a água já fria. Reduz o tamanho das hemorróidas e alivia o incómodo e a dor que provocam.

4-Banhos de vapor: Para quem sofra de catarros bronquiais, é altamente benéfico fazer banhos de vapor, acrescentando à água quente alguns frutos de cipreste, ou então umas gotas da sua essência.

5-compressas sobre as pernas, com a mesma decocção que para o uso interno.

 

Outros nomes: cipreste-dos-cemitérios. Esp.: cipràs, cipràs común. Fr.: cypràs [toujours verl]. lng.: fitalianl cypress.

Habitat: Originário da Ásia Menor, hoje encontrado em toda a Europa e naturalizado na América, onde existem algumas variedades.

Descrição: Árvore da família das Cupressáceas, de folha perene, que atinge 20-25 m de altura. O seus frutos, chamados gálbulos, apresentam uma forma poliédrica e são de cor verde acinzentada.

Partes utilizadas: os frutos verdes (gálbulos) e a madeira.

 

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger
Composto e postado por Ângela Barnabé

Pin It on Pinterest

Este site utiliza cookies para melhorar a sua experiência. Ao continuar a navegar no nosso site consente a utilização dos mesmos. Saiba mais sobre os cookies aqui

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close