Abrunheiro-bravo (Prunus Spinosa L.) – Refrescante, tónico e aperitivo

Vamos dar um passeio pelo monte e apanhamos abrunhos! Estas pequenas ameixas bravas, “sem dono”, refrescam os caminhantes e oferecem alimento no Outono aos tordos, pombos e outras aves. Tem um sabor um tanto áspero, mas agradável.

Não se pode dizer que as suas propriedades medicinais sejam espectaculares. É bem possível, até, que se devam, em boa medida, ao exercício que é preciso fazer para ir apanhá-las. Em qualquer dos casos, vale a pena tirar proveito desta humilde e simpática fruta silvestre.


Propriedades e Indicações:

As flores contêm amigdalina (glicósido cianogenético), derivados da cumarina e flavonoglicósidos. Têm propriedades laxantes, diuréticas e depurativas. O seu efeito laxante é suave, mas eficaz, e faz-se acompanhar de uma acção antiespasmódica (relaxante) da musculatura que cobre o intestino grosso. São muito indicadas na prisão de ventre espástica que se produz no chamado cólon irritável (1).

Os frutos (abrunhos) contêm tanino (daí o seu sabor áspero), flavonóides, ácido málico, sacarose, pectina, goma e vitamina C. Ao contrário das flores, têm propriedades adstringentes, pelo que se tornam úteis em casos de diarreia vulgar e de desarranjo intestinal. São além disso eupépticos (estimulam os processos digestivos), aperitivos e tonificantes do organismo em geral (2,3,4).

Comunicam, a quem os come, um aumento do apetite e uma sensação refrescante e revitalizadora. Podem comer-se frescos, cozidos ou em xarope. O líquido resultante da decocção dos abrunhos utiliza-se para fazer parar as epistaxes (hemorragias nasais), aplicado com um tampão nasal embebido no mesmo (5). Serve ainda para fazer gargarejos nos casos de gengivite (inflamação das gengivas) e faringite (6).


Precauções:

As amêndoas que estão dentro dos caroços dos abrunhos, como as de muitos outros frutos da família das Rosáceas, libertam ácido cianídrico, que é um poderoso tóxico, pelo que não se devem comer nem mastigar.

A casca dos ramos e da raiz contém ácido prússico, que também é tóxico; por isso não se deve utilizar, embora haja quem a recomende como adstringente.


Uso interno

1- Infusão: Prepara-se com 60 g de flores por litro de água. Toma-se uma chávena por dia, de manhã.

2- Frutos: Podem comer-se frescos ou então fervidos em água (só dois minutos), para lhes tirar o gosto áspero.

3- Xarope: Prepara-se com meio quilo de frutos, meio quilo de açúcar e um copo de água. Ferve-se esta mistura durante 15 minutos. O xarope resultante, de cor vermelha e sabor agradável, filtra-se com um pano e toma-se às colheres, para combater as diarreias e para abrir o apetite.

4-Decocção: Põem-se a ferver 100 g de frutos num litro de água, durante 10 minutos, em lume brando. Filtrar o líquido resultante e tomar às colheradas.


Uso externo

5-Tampões nasais com gaze empapada na mesma decocção que se recomenda para uso interno.

6- Bochechos e gargarejos com esta mesma decocção.


Outros nomes : ameixeira-brava, acácia-das -alemãs. Esp.: endrino, endrinera, ciruelo endrino, ciruelo silvestre, bruño, espino negro. Fr.: prunellier [noir], prunier sauvage. Ing.: blackthorn, sloe.

Habitat: Encontra-se vulgarmente nas encostas expostas ao sol e nas bermas dos caminhos, das regiões montanhosas de toda a Europa. Naturalizada no continente americano.

Descrição: Arbusto de 1 a 3 m de altura, da família das Rosáceas, que tem uma casca muito escura, e abundantes espinhos lenhosos. As flores são de um branco marfim, pequenas e muito numerosas. O fruto é uma baga arredondada, de cor azul escura quando amadurece.

Partes utilizadas: as flores e os frutos (abrunhos).

 


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1,  de Jorge D. Pamplona Roger

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