Morugem (Stellaria media Villars) –  Verdura silvestre expectorante e emoliente

Esta humilde planta é muito apreciada pelos pássaros e pelas galinhas; e também por aqueles que conhecem a Natureza e os dons que esta oferece aos seres humanos. Bem no início da Primavera, quando os campos começam a vestir-se de verde, a morugem apresenta umas pequenas folhas, que nascem dos seus tenros caules. E então o momento de colhê-la e de preparar com ela uma excelente salada. Há quem a utilize como os espinafres. Crua ou cozinhada, a morugem não pica nem amarga, e nada fica a dever às hortaliças cultivadas.

A morugem já foi mencionada por Dioscórides no primeiro século da nossa era, embora as suas propriedades medicinais só tenham vindo a ser bem conhecidas no século passado. O abade Kneipp, célebre mestre da medicina natural alemã, utilizou-a com êxito nas doenças das vias respiratórias.

Propriedades e Indicações:

Toda a planta é rica em sais minerais e oligoelementos (especialmente magnésio, silício, potássio, fósforo, ferro e cobre), assim como em vitaminas do grupo B e C. Também contém uma certa quantidade de saponinas (do latim saponem, sabão), substâncias que diminuem a tensão superficial da água e a tornam espumosa como a água com sabão. Nas mucosas do organismo, as saponinas provocam a formação de uma espuma fina e persistente. As saponinas são o princípio activo mais importante da morugem. A elas se deve a maior parte das propriedades desta planta.

Expectorante: Utiliza-se nas bronquites de todo o tipo, e também nos simples catarros bronquiais, para provocar a eliminação das secreções secas ou espessas (2)

Emoliente: Emprega-se no caso de gastrite, para proteger a mucosa do estômago e aliviar a sensação de peso que acompanha este transtorno (1,2). Também se utiliza no caso de colite (inflamação do intestino grosso), para facilitar uma evacuação regular e sem incómodos. Proporciona um suave efeito laxante (2).

Aplicada externamente, a morugem elimina a inflamação da pele ferida a contusões, irritações de origem física (atritos, queimaduras solares, etc.) ou química (por acção de substâncias tóxicas) (3).

Tonificante: Pelo seu conteúdo em sais minerais e vitaminas, a morugem estimula todo o organismo de forma natural, proporcionando uma sensação de vitalidade e de bem-estar. É por isso muito útil no caso de fadiga ou esgotamento (1,2).

Preparação e emprego

Uso interno

1- Crua em saladas ou cozinhada como os espinafres.

2-Decocção com 30 g de planta por litro de água. Ferver durante 15 minutos, filtrar, e tomar 3 chávenas por dia, uma antes de cada refeição.

Uso externo

3-Cataplasmas: Cozem-se 100 g de planta triturada em meio litro de água, até que se forme uma pasta homogénea. Aplicam-se em forma de cataplasma sobre a zona da pele irritada.

Outros nomes: morugem-vulgar, morugem-branca, morugem-verdadeira, orelha-de-toupeira. Esp.: álsine, pamplina [de canarios], berrilo, quilloiquilloi, pajarera, hierba de los canarios, picagallina. Fr.: stellaire, mouron blanc, mouron des oiseaux. lng.: [common] chickweed.

Habitat: Distribuída por todo o mundo. Prefere os lugares húmidos. Os agricultores consideram-na uma erva daninha dos campos cultivados.

Descrição: Planta da família das Cariofiláceas, rastejante, com caules pouco consistentes. As folhas são ovaladas e terminadas em ponta. As flores são pequenas, com pétalas brancas que se abrem ao meio-dia, em forma de estrela. Partes utilizadas: toda a planta.

 

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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