Maravilha ( Calendula officinalis L.) – Cura as feridas e normaliza a menstruação

A maravilha, ou calêndula, é um exemplo vivo de como a beleza e a utilidade se podem conjugar. As flores desta planta saúdam o sol da manhã, abrindo-se e mostrando o seu formoso colorido. No fim da tarde, fecham-se discretamente, até à manhã seguinte. Os partidários da teoria dos sinais, defendida por Paracelso e outros médicos renascentistas, recomendavam-na para a icterícia e para os transtornos da vesícula biliar, devido ao facto de a cor das flores ser parecida com a da bílis. Não se enganaram muito aqueles pioneiros da ciência médica, porque hoje, que se conhecem as suas propriedades, continua a ter essas mesmas indicações, além de outras mais que se foram descobrindo.

Propriedades e Indicações:

As flores da maravilha contêm carotenóides (provitamina A), um princípio amargo (calendina), flavonóides, saponinas, resinas, óleos essenciais e pequenas quantidades de ácido salicílico.

Todas estas substâncias se combinam para fazer desta flor um remédio precioso. As suas propriedades mais notáveis são:

Emenagoga e reguladora do ciclo menstrual: Dá resultado tanto em casos de menstruação escassa, pelo seu efeito emenagogo, como quando existe uma perda excessiva de sangue. Assim, pois, a maravilha normaliza a frequência das regras e a sua quantidade. Também elimina a dor que se produz com a menstruação (dismenorreia), pois tem acção espasmolítica (combate os espasmos dolorosos) e ligeiramente sedativa. Toma-se desde uma semana antes da data esperada para a menstruação, até que esta tenha terminado  (1) Os resultados são muito notáveis.

Colerética: Aumenta a produção de bílis no fígado. É portanto indicada nos casos de congestão ou insuficiência hepática (1).

Antiulcerosa: Tem a capacidade de cicatrizar as úlceras do estômago e do duodeno (1). O seu efeito é mais intenso quando se associa com a urtiga e a verónica. Pelo seu efeito cicatrizante e anti-inflamatório, também é eficiente nos casos de gastrite (inflamação do estômago), gastrenterite e vómitos (1).

Anti-inflamatória, anti-séptica e cicatrizante: É uma das plantas que mais se evidenciam pela sua qualidade vulnerária, isto é, curadora de feridas e contusões. Aplicada localmente, acelera de forma notável a cura de feridas, inclusive infectadas, assim como de úlceras da pele, queimaduras, furúnculos e eczemas (2,3,4). Aplicada localmente, tem acção anti-reumática (2,3).

Calicida (elimina os calos). Em aplicação local, faz desaparecer as verrugas víricas (vulgares) da pele (2,4,5). Isto deve-se ao seu conteúdo em ácido salicílico.

Emoliente (suavizante da pele): O óleo de calêndula suaviza a pele (5). Muito indicado para peles secas ou delicadas, e para as crianças. O óleo (5) e a pomada (6) dão resultados muito bons no tratamento de queimaduras e eczemas.

Preparação e emprego

Uso interno

 1-lnfusão com uma ou duas flores por chávena de água, da qual se tomam duas ou três chávenas por dia. Pode-se adoçar com mel.

Uso Externo

2- compressas e lavagens com uma decocção de 2 punhados de flores por litro de água. Aplicam-se sobre a zona da pele afectada.

3- Cataplasmas com pétalas das flores frescas, que se aplicam envoltas num pano fino de algodão.

4-Loção de sumo fresco das flores: Aplica-se sobre a zona da pele afectada.

5-Óleo: Aplica-se directamente sobre a pele. Pode também acrescentar-se à água do banho para obter um agradável efeito suavizante sobre a pele.

6-Pomada: Pode-se preparar uma pomada esmagando 100 g de flores frescas e misturando o sumo resultante com 500 g de manteiga ou outro veículo gordo.

Outros nomes: calêndula. Esp.: caléndula oficinal, maravilha [de iardín]. Fr.: souci [des jardins]. Ing: calendula, [garden] marigold.

Habitat: Originária do Egipto, embora se cultive nos jardins da Europa e de toda a América. Também se pode encontrar em estado silvestre.

Descrição: Planta herbácea da família das Compostas, anual, que mede de 30 a 50 cm de altura. As folhas são alongadas, dentadas e carnosas, e as flores vistosas, amarelas ou alaranjadas.

Partes utilizadas: as flores.

 

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.2, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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