Carlina (Carlina acualis L.) – Um antibiótico pouco conhecido

Que será aquele disco amarelo como um grande ovo estrelado, que se vê naquele campo? -Parece um cardo! Efectivamente, trata-se da carlina, uma dessas plantas que não podem passar despercebidas a caminhantes e excursionistas. Conta a lenda que Carlos Magno foi avisado, por um anjo, da utilidade desta planta para evitar a peste nos seus exércitos. Deu-a então a comer a todos os seus soldados, que assim se livraram da tão terrível epidemia. Por isso se chama Carlina, em honra do imperador gaulês. Depois atribuiu-se a lenda a outro imperador, também chamado Carlos: o V da Alemanha e I de Espanha, pai de Filipe II de Espanha e l de  Portugal. Tanta foi a fama que a carlina chegou a adquirir como preventiva da peste, que até o eminente botânico espanhol Andrés de Laguna (1499-1560), médico pessoal do papa Júlio III, recomendava a sua raiz como «admirável remédio contra a pestilência”.

Lamentavelmente, apesar da carlina, muitos milhões de europeus continuaram a ser vitimados pela peste. Durante vários séculos, médicos e farmacêuticos têm esboçado um céptico sorriso perante as pretensões de Laguna. Como é possível prevenir ou curar a peste, uma doença infecciosa causada por um microrganismo, mediante o uso de uma planta medicinal? Porém, numa dessas voltas que a história dá, descobriu-se, não há muito tempo, que a carlina contém uma substância antibiótica: o carlinóxido. Actualmente está a ser investigado o efeito antibiótico desta substância e as suas possíveis aplicações.

Propriedades e Indicações:

A raiz da carlina contém inulina (glícido), resina, tanino e um óleo essencial, entre cujos componentes se encontra o carlinóxido. O conjunto destes princípios activos confere-lhe as seguintes propriedades:

Sudorífica e algo diurética. Isto torna-a útil nos casos de gripe, constipações e catarros (1,2) Font Quer regista que a raiz da carlina foi utilizada, com êxito, numa epidemia -embora não de peste mas de gripe- que em 1918 assolou toda a Europa. Isto torna-se muito mais verosímil, depois de se ter descoberto que a raiz da carlina contém substâncias de acção antibiótica.

-Vermífuga. Tomada em jejum durante quatro ou cinco dias seguidos, é eficaz contra parasitas intestinais (ténias e lombrigas) (1,2).

Tonificante do estômago e colagoga (facilita o esvaziamento da vesícula biliar). É portanto indicada sempre que se trate de estimular os processos digestivos: inapetência, digestões pesadas, gastrites (1,2).

Preparação e emprego

Uso interno

1-Decocção com raiz triturada (20-30 g por litro de água). Tomam-se 2 ou 3 chávenas por dia, mas sem exceder a dose, já que pode provocar náuseas.

2-Como hortaliça: O interior da carlina (o receptáculo floral carnudo) pode-se comer cozido com batatas ou assado. O seu sabor lembra o da alcachofra, e é muito apreciado nalgumas regiões de França, onde a planta é conhecida como “alcachofra silvestre”. Contém os mesmos princípios activos que a raiz, embora em menor proporção.

 

Outros nomes : carlina-oficinal. Esp: carlina angélica, cardo de San Pelegrín. Fr.: carline, artichaut sauvage. lng.: carline.

Habitat: Vegeta nos prados abertos de zonas montanhosas. Frequente nos Pirenéus e na Europa Central.

Descrição: Planta espinhosa parecida com um cardo, da família das Compostas, que cresce quase rente ao solo com um caule muito curto (menos de 20 cm). O capítulo floral é formado por mais de cem florezinhas de cor amarela escura, que assentam sobre um disco plano de cerca de 10 cm de diâmetro. As folhas são rad i antes, muito espinhosas.

Partes utilizadas: a raiz (muito profunda: 1 a 2 m) e o capítulo floral (alcachofra).

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.2, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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