borragem

Borragem (Borago officinalis) – Um bom depurativo primaveril

O seu nome, segundo parece, é de origem árabe: abou rash, que significa “pai do suor”, em alusão à acentuada propriedade sudorífica das suas flores. La Quintine, o jardineiro do rei Luís XIV de França, considerava-a uma verdura deliciosa, e reservou-lhe um lugar especial no jardim real, juntamente com outras plantas depurativas. Apesar disso, talvez por não lhe ter prestado atenção, o famoso rei foi vítima de diversas doenças: artritismo e gota, entre outras.

Propriedades e Indicações:

 Toda a planta contém abundantes sais minerais, especialmente nitrato de potássio, assim como cálcicos e cilícicos. Contém ainda mucilagens e flavonóides. São três as suas propriedades mais notáveis:

-Sudorífica (sobretudo as flores): Favorece a produção de suor, com o que se eliminam impurezas e resíduos metabólicos que circulam pelo sangue. Daí o ser muito útil nas doenças infecciosas e febris em geral (sarampo, varicela, escarlatina, etc.). Dado que tem ao mesmo tempo uma acção expectorante, é especialmente indicada em bronquites agudas, catarros brônquicos, gripes e constipações (1).

Diurética: Aumenta a produção de urina e a eliminação de ureia, ácido úrico e outras substâncias residuais. Interessa portanto a quem sofra de gota, artritismo ou nefrite (inflamação dos rins) (2).

A combinação dos seus efeitos sudorífico e diurético fazem da borragem um excelente depurativo do sangue. A melhor altura para colher e utilizar as folhas é precisamente na Primavera, época do ano em que são mais convenientes as curas depurativas. Para obter um efeito mais acentuado, recomenda-se associá-la com outras plantas depurativas.

-Emoliente e anti-inflamatória (desinflama a pele e as mucosas), devido ao seu conteúdo em mucilagem e também em prostaglandinas. Aplica-se externamente em forma de cataplasma para aliviar as dores da gota e amadurecer os furúnculos e abcessos. Conseguem-se igualmente bons resultados quando se aplica sobre os eczemas e queimaduras leves (4).

 Por sua vez, o óleo de sementes de borragem apresenta propriedades interessantes:

Hipolipemiante: É muito rico em ácido linoleico (um ácido gordo polinsaturado). Este óleo é, portanto, de efeitos hipolipemiantes (faz descer o colesterol do sangue) (3).

Regulador hormonal: O óleo de sementes de borragem actua também como regulador do sistema hormonal e como normalizador dos ciclos em caso de dismenorreia (transtornos da menstruação) (3).

Preparação e emprego

Uso interno

1-Infusão com 30 ou 40 g de flores e/ou folhas por litro de água. Filtrar para eliminar os pelinhos e adoçar com mel, caso se prefira. Quando se queira conseguir um predomínio do efeito sudorífico, devem-se empregar sobretudo as flores. Tomam-se de 3 a 5 chávenas por dia.

2-Sumo fresco das folhas antes da floração, como depurativo primaveril. Para isso trituram-se e espremem-se com um pano fino de algodão, ou passam-se por uma liquidificadora eléctrica. Ingere-se um copo de sumo acabado de fazer, todas as manhãs em jejum. Pode-se combinar com o sumo de outras plantas depurativas.

3-Óleo de sementes: Existem preparados em forma de cápsulas, Tomam-se de 75 a 150 mg, três vezes por dia.

Uso externo

4- Cataplasmas com folhas esmagadas, que se aplicam sobre as partes afectadas. As folhas podem ser cruas ou, então, escaldadas com água a ferver. Neste caso, a cataplasma aplica-se quente, o que facilitará o amadurecimento de furúnculos e abcessos.

Outros nomes: borrage. Esp.: bonaja [común], bora, corrago, alcohelo. Fr.: bourrache. Ing.: borage.

Habitat: Originária do Norte de África, embora cultivada em toda a Europa e América. No Sul da Europa encontra-se no estado silvestre, em terras arenosas e expostas ao sol.

Descrição: Planta herbácea da família das Borragináceas, que atinge entre 30 e 70 cm de altura. Toda a planta se encontra coberta de pequenos pêlos tesos de cor branca. As flores são atraentes, de cor azul, violeta ou branca, e com 5 pétalas.

 Partes utilizadas: as folhas, as flores e o óleo das sementes.

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.2, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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