Bardana (Arctium lappa L.) Depurativa e sudorífica

Esta planta chama a atenção, sobretudo, pelas suas grandes folhas. Diz-se que os actores de teatro da antiguidade clássica as utilizavam à maneira de máscaras para cobrir o rosto. Por isso recebeu o nome latino de personatia, já que as máscaras teatrais se chamavam personae. Não sabemos como se terá descoberto o efeito desta planta sobre a pele, mas bem pode ter acontecido que algum daqueles actores tivesse acne ou furúnculos na cara, e que, após umas tantas representações, o aspecto da sua pele viesse a melhorar. Tenha ou não acontecido assim, o certo é que os efeitos medicinais da bardana se conhecem desde tempos muito antigos, e já foram registados por Dioscórides, o grande médico grego do primeiro século da nossa era. Contudo, na Idade Moderna, de tal modo se exaltaram as propriedades desta planta, que lhe puseram o nome de “cura-tudo”. O famoso médico londrino do século XVIII, John Hill, acreditou ter achado nela a solução definitiva contra a gota… Apesar disso, morreu com gota aos 59 anos.

Propriedades e Indicações:

A raiz e as folhas da bardana contêm diferentes princípios activos, que justificam as suas propriedades:

Antibiótica: A arctiopicrina, contida sobretudo na raiz, é um antibiótico vegetal de tipo glicosídico, que se revelou especialmente eficaz contra o estafilococo, germe causador de muitas infecções da pele. O seu uso, tanto por via interna (infusão ou maceração) como em aplicação externa (compressas, cataplasmas ou loção), é indicado no caso de infeções cutâneas produzidas por estafilococos, como abcessos, furúnculos, fleimões, adenites e quistos cebáceos infectados (1,3,4,5).

É também útil nos eczemas crónicos e na acne, assim como nas doenças infecciosas eruptivas (escarlatina varicela, sarampo, etc.) (1,3,4,5).

A acção antibiótica da bardana também se manifesta sobre o aparelho urinário, já que é eliminada com a urina, pelo que se recomenda o seu uso em cistites e infecções urinárias recidivantes (1,2).

Depurativa: Devido ao seu conteúdo em óleo essencial e em sais minerais ricos em potássio, a bardana é um excelente sudorífico e depurativo. Facilita a eliminação de substâncias residuais através da pele. Desta forma, a pele, que é também um órgão excretor, fica limpa e livre de impurezas. Para isso contribui também o seu moderado efeito diurético. Recomenda-se no caso de gota (excesso de ácido úrico), de artritismo e de litíase renal (1,2).

Hipoglicemiante: A raiz faz descer o nível de glicose no sangue, em parte devido ao seu conteúdo em inulina (hidrato de carbono de utilidade para os diabéticos). Dá bons resultados como complemento no tratamento da diabetes. (1,2)

Tónico capilar: Há quem use a bardana, nem sempre com o mesmo êxito, aplicada sobre o couro cabeludo, em loção ou compressas, com a finalidade de fazer crescer o cabelo (3,5).

Preparação e emprego

Uso Interno

1-Infusão com 50g de raiz por litro de água, de que se tomam 2 ou 3 chávenas diárias.

 2-Maceração de 20-30 g de  raiz triturada num litro de água fria, durante 6 horas. Ferver depois o liquido resultante durante 1 minuto. Tomar 2 a 3 chávenas por dia. Desta forma se reforçam as suas propriedades depurativas.

Uso externo

3-Compressas: Fazem-se com a mesma infusão ou maceração descritas para o uso interno, mas um pouco mais concentradas. Aplicam-se 2 a 6 vezes por dias, durante 10 a 15 minutos.

4-Cataplasmas: Com folhas frescas esmagadasnum almofariz, ou com a raiz cozida, forma-se uma pasta que se aplica sobre a pele afetada, uns 10 minutos, várias vezes por dia.

5-Loções: Aplicam-se com o sumo fresco da planta.

 

Outros nomes: bardana-maior, pegamassa, pegamaço-maior, erva-dos-tinhosos, lapa. Esp.: bardana, lampazo [mayor], hierba de los tiñosos, hierba del amor, antéon. Fr.: [grande] bardane. lng.: [great] burdok.

Habitat: Cria-se perto dos caminhos e  dos lugares habitados, onde abundem resíduos humanos ou de animais, de carácter nitrogenado (esterco). Vulgar nas regiões temperadas da Europa e da América.

Descrição: Planta robusta da família das Compostas, que costuma ultrapassar um metro de altura. Precisa de dois anos para dar flor (planta bienal). Tem folhas muito grandes, de até meio metro de largura, e inclusivamente mais. Os capítulos florais estão guarnecidos de puas, o que lhes permite aderir à roupa ou ao pêlo. Da sua parte superior saem umas florezinhas de cor rosada ou púrpura. Costuma confundir-se com a bardana-ordinária ou pegamassa-menor (Arctium minus L.,), de propriedades muito semelhantes.

Partes utilizadas: a raiz e as folhas frescas. Colhem-se na Primavera (imediatamente antes da floração) do segundo ano da planta.

Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol. 2, de Jorge D. Pamplona Roger

Composto e postado por Ângela Barnabé

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