(…) Os tratamentos de ervas têm muito para oferecer aos que padecem de afecções da pele. Em alguns casos, as plantas medicinais podem ajudar mesmo quando os produtos farmacêuticos não o conseguem fazer. Apresento aqui algumas das ervas mais úteis para as afecções cutâneas.

Aloés-vera/Azebres/Aloé (Aloe vera).

O aloés tem sido utilizado desde o tempo dos faraós do Antigo Egipto no tratamento de todas as formas de afecções cutâneas. Mas o aloés-vera é algo mais que um remédio tradicional e antigo. Desde 1930, quando a seiva das pétalas do aloés-vera demonstrou a sua eficácia e rapidez na cura das queimaduras produzidas pelas radiações, muitos estudos confirmaram que esta planta pode ser eficaz no tratamento de uma grande variedade de afecções cutâneas. Num estudo com pessoas que se submeteram a um procedimento médico chamado dermabrasion, com o qual se remove a capa externa da pele, a aplicação do aloés-vera produz uma cura rápida em apenas setenta e duas horas. Mesmo que o leitor não tenha uma boa mão para as plantas, o aloés-vera é fácil de se conservar plantado num vaso. Exige apenas um pouco de água e quase nenhum outro cuidado. Para queimaduras menores, cortes e outras afecções da pele, corte simplesmente à planta uma das folhas inferiores, pique-a segundo a largura, retire-lhe a polpa gelatinosa e aplique-a na área afectada. Também pode experimentar algum dos produtos comerciais para a pele que contêm o aloés-vera.

Onagra (Oenothera biennis)

O óleo de onagra (EPO, segundo a sigla em inglês) é rico num composto chamado ácido gamalinolénico (GLA, segundo a sigla em inglês), o qual está aprovado na Grã-Bretanha para o tratamento do eczema. As investigações que eu revi apoiam esta utilização e sugerem que o óleo desta erva também é útil no tratamento de outras formas de irritação da pele (dermatites). Embora a onagra cresça muito abundantemente no meu jardim, eu compro o EPO em cápsulas na loja de produtos naturais e sugiro-lhe que é esta a maneira mais fácil de tomar esta erva. Tome as cápsulas oralmente, seguindo as indicações do pacote. Também pode tomar o óleo de borragem, de passas-de-corinto ou de lúpulo, que também contêm GLA em abundância. Tal como com a onagra, pode obter estes óleos em cápsula. Lembre-se de seguir as instruções da embalagem ao tomá-las.

Calêndula/Maravilhas (Calendula officinalis)

Não é por acaso que esta bonita flor tem uma grande e tradicional reputação no tratamento de todo o tipo de afecções cutâneas. As investigações demonstram que esta erva é antibacteriana, antifúngica, anti-inflamatória e antiviral. A calêndula também estimula os glóbulos brancos para que “comam” os micróbios perigosos e ajuda à cura rápida das feridas. Muitas vezes compro unguentos (pomadas) comerciais de flores de calêndula e aplico-os segundo as necessidades; esta é uma boa maneira de utilizar esta erva como tratamento da pele.

Camomila (Matricaria recutita)

Não utilize a camomila somente para fazer chá: prepare-o de maneira forte e utilize-o numa compressa para o tratamento das afecções cutâneas. Esta planta saborosa está aprovada na Europa para o tratamento das afecções inflamatórias da pele, entre elas as infecções vaginais. Os compostos da camomila (o bisabolol, a chamazulena e os éteres cíclicos) são anti-inflamatórios, bactericidas e antifúngicos. Todavia, se sofrer de febre-dos-fenos (alergia ao pólen) deverá utilizar a camomila com cuidado. A camomila é uma variedade da família da ambrósia, e em algumas pessoas pode provocar reacções alérgicas. A primeira vez que a provar, observe as suas reacções. Se parecer ajudá-lo, prossiga e utilize-a. Mas se parecer que lhe provoca agravamento da comichão ou irritação, não continue a utilizá-la.

Pepino (Cucumis sativus)

O farmacognosista (farmacêutico de produtos naturais) Dr. Albert Leung diz que o pepino tem uma larga tradição histórica no tratamento das dermatites e das queimaduras, assim como das rugas. Se eu tivesse alguma afecção cutânea, descascaria e misturaria alguns pepinos no meu liquidificador, com ou sem abacate, e aplicaria o puré resultante directamente sobre a área afectada, mantendo-o durante quinze a sessenta minutos na dita área.

Hortelã-brava-indiana (Centella asiatica)

Esta erva, oriunda da Índia, estimula a regeneração das células da pele e reforça os tecidos conectivos. Nas provas clínicas, a hortelã-brava-indiana demonstrou a sua utilidade no tratamento do eczema, das feridas e de outras afecções da pele. As últimas investigações sugerem que um dos seus compostos (o asiaticócido) está entre os mais prometedores tratamentos para uma das mais devastadoras enfermidades da pele: a lepra. Se me aparecesse uma afecção cutânea, estando eu nos trópicos, utilizaria folhas maceradas de hortelã-brava-indiana para fazer uma cataplasma e aplicá-la-ia nas áreas afectadas. De modo geral, nos Estados Unidos as folhas não estão disponíveis, mas pode comprar uma tintura comercial e seguir as instruções da embalagem.

Amor-perfeito-silvestre (Viola tricolor)

Esta erva utilizou-se tradicionalmente para tratar o acne, o eczema, o exantema crónico, a comichão e outras afecções cutâneas. As investigações modernas apoiam a utilização desta erva no tratamento das afecções da pele. A Comissão E. Alemã, que é o conjunto de especialistas que avalia a segurança e a eficácia das plantas medicinais para o Governo alemão, aprovou o uso do chá de amor-perfeito para o tratamento das afecções da pele. O leitor pode fazer um chá com aproximadamente uma colherzinha de erva seca por chávena de água a ferver. Mantenha-a a ferver durante dez minutos.

Hamamélia/Hamamélia-da-virgínia (Hamamelis virginiana)

A hamamélia contém abundantes quantidades de taninos que são adstringentes potentes muito úteis no tratamento das afecções cutâneas. De acordo com estudos realizados com animais de laboratório, a hamamélia também melhora o tónus dos vasos sanguíneos da pele, o que melhora a circulação sanguínea para as áreas danificadas. (…) A Comissão E. Alemã apoia o uso externo de água de hamamélia no tratamento da dermatite e de outras afecções que provocam lesões na pele.

Cenoura (Daucus carota)

As cenouras são uma fonte rica de carotenóides semelhantes à vitamina A que demonstraram aumentar a saúde da pele e contribuir para a reconstituição da pele danificada. (…) Alguns ervanários recomendam a aplicação da cenoura liquefeita sobre a pele (assim como o tomate e a batata-doce) para tratamento da pele queimada pelo sol e para outras afecções cutâneas menores. Pessoalmente, não o faria, mas não há motivos para que o leitor não o experimente, se for esse o seu desejo. Eu como muitas cenouras e outras frutas da cor da laranja, para além de vegetais, porque sei que ingerir carotenóides ajuda não só a prevenir danos na pele mas também pode ajudar a prevenir o cancro e a cardiopatia.

Tanchagem-menor (Plantago lanceolata)

A aplicação externa das frias e suaves folhas da tanchagem-menor é um remédio à base de ervas reconhecido desde há muito tempo para tratamento das afecções menores da pele. A investigação moderna demonstrou que dois compostos da tanchagem-menor (a aucubina e o catapol) possuem propriedades anti-inflamatórias e bactericidas.

Hera (Hedera helix)

Os compostos, conhecidos como saponinas, que se encontram nas folhas da hera, são activos contra algumas bactérias e fungos que produzem afecções cutâneas. A Comissão E. alemã apoia o uso da hera para o tratamento da bronquite, o que é a segurança desta erva. A hera tem uma grande e tradicional reputação como tratamento da dermatite. Se eu tivesse uma afecção cutânea, reduziria a pó algumas folhas de hera num liquidificador e aplicaria a pasta directamente nas áreas afectadas.

Alteia (Althaea officinalis)

Esta erva contém uma fibra balsâmica solúvel em água chamada mucilagem que historicamente se tem utilizado para aliviar as afecções cutâneas. Na Europa, utiliza-se a mucilagem da alteia para preparar unguentos (pomadas) para a pele gretada. Se eu tivesse um problema de pele, processaria a raiz fresca da planta no meu espremedor de sumos e aplicaria imediatamente o sumo na área afectada.

Ananás (Ananas comosus)

Os ácidos alfa-hidróxidos (AHA, segundo a sigla em inglês) tornaram-se muito populares como produtos para a pele. Os AHA eliminam as células mortas da pele, dissolvendo as substâncias que as mantêm aderentes à pele. Os dermatologistas utilizam clinicamente os preparados de AHA para o tratamento do acne, da pele gretada, das estrias da pele, das rugas e de outras afecções. Utilizam concentrações fortes dos AHA para a descamação da pele da cara (peelings), e as concentrações mais baixas utilizam-se em dúzias de produtos de limpeza da pele, loções e tonificantes que se vendem sem receita médica. O que poucas pessoas sabem é que, frequentemente, os AHA são produtos à base de “ácidos de fruta”. Como o nome sugere, os AHA estão presentes em muitas frutas, principalmente no ananás, no tamarindo, na gardénia, na maçã e na toranja. Também se encontram no leite coalhado. Dizem que Cleópatra se banhava em leite coalhado porque lhe dava brilho à pele. Não consigo imaginar-me a tomar banho em leite coalhado, mas adoro ananás e como-o em grandes quantidades, e parece-me bem esfregá-lo nas áreas danificadas da pele.

Beldroega (Portucala oleracea)

Tal como com as cenouras, a beldroega possui abundantes quantidades de carotenóides. Não sou dos que colocam máscaras faciais, mas se fosse, possivelmente experimentaria fazer a seguinte combinação na liquidificadora: um punhado de beldroegas, uma cenoura e talvez um pedaço de ananás. Esta mistura produzirá uma máscara facial revigorante com propriedades curativas. Sugiro-lhe que conserve a máscara aplicada durante cerca de vinte minutos.

Nogueira (Juglans, várias espécies)

A Comissão E. alemã apoia o uso das folhas de nogueira para um tratamento suave e superficial das inflamações cutâneas. Ponha em infusão duas colheres de folhas maceradas desta planta numa chávena de água a ferver e aplique quando o chá tiver arrefecido. Alguns ervanários sugerem que se junte ao banho um punhado de folhas de nogueira maceradas para o tratamento do eczema.

Fonte: Farmácia Verde, de James A. Duke (adaptado)

Composto e postado por Ângela Barnabé

 

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